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Você já viu, já leu ou já ouviu falar do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que reúne milhares de pessoas reivindicando o direito à terra, o direito de trabalhar e viver na terra em que trabalha. É claro que não foi exatamente isso o que você leu, ouviu e viu. Em geral, os meios de comunicação chamam essas pessoas de invasores, desocupados, vagabundos e um monte de outros nomes.
O fato é que o MST promove a luta pela terra, que em nosso país está concentrada nas mãos de um grupo muito pequeno de pessoas que herdaram de seus antepassados a propriedade delas. Mas como eles conseguiram ser donos dessas terras? Compraram de quem? Ganharam dos portugueses que, ao “descobrirem” o Brasil, foram presenteados pelos brasilíndios que viviam por aqui, muito tempo antes?
Bem, as conseqüências dessa concentração de terras são terríveis. E todos nós estamos sofrendo na carne os seus resultados: miséria, violência, cidades inchadas, doenças...
Coisa muito parecida acontece também no ar do Brasil. Como assim? O ar tem dono? Pois é, o nosso espaço aéreo também está concentrado nas mãos de poucas famílias. Somente algumas antenas que emitem sons e imagens estão autorizadas. Tudo o que se vê, ouve e lê por aqui, através dos meios de comunicação, é decidido por um grupo de dez empresas que exploram esse tipo de serviço. As informações que recebemos, as idéias e propostas que eles fazem circular são filtradas de acordo com os interesses dessas organizações.
É claro que as conseqüências dessa concentração também são sérias e atingem a todos nós. Quando duas ou mais pessoas pensam parecido, não há diálogo. Quando a maioria de nós tem os mesmos jeitos de ver o mundo e as mesmas opiniões sobre as coisas que vemos, não há debate. Onde não há discussão, enfrentamento - o que não quer dizer briga - não há mudanças. O que acontece, quase sempre, é as pessoas repetirem as mesmas falas, idéias e opiniões já ditas sem, ao menos, pensar sobre elas. Se muita gente diz a mesma coisa, convém perguntar por que isso é dito dessa ou daquela forma.
Quantos de nós já percebemos que tudo pode ser transformado? Quantos de nós temos consciência de que o que está aí - família, escola, trabalho, estado... - é exatamente o que a gente quer que esteja?
Faz anos que existe no Brasil o Movimento de Democratização dos Meios de Comunicação. Muita gente, individualmente ou em associações, vem lutando para que as emissoras de rádio, por exemplo, não sejam propriedade exclusiva de algumas organizações.
Existe até uma lei federal que institui o Serviço de Radiodifusão Comunitária no Brasil - sem dúvida, fruto dessa luta de tantos anos. Mas, ainda estamos distantes dos reais interesses de quem realmente quer fazer comunicação comunitária em nosso país, pois uma rádio, para colocar no ar a voz das pessoas que moram na comunidade, ainda depende de autorização oficial.
Em todo caso, demos um passo importante. Existem atualmente centenas de emissoras comunitárias espalhadas por aí. Exceção feita a alguns centros, como a Grande São Paulo, muitos municípios já contam com rádio comunitária, cujo principal compromisso é discutir a vida da comunidade local. Nada a ver, portanto, com os interesses das rádios comerciais.
É fundamental que todos nós, envolvidos e comprometidos com as questões do nosso país, nos formemos para entender a dimensão política desse movimento de democratização. É realmente muito importante que nos integremos às associações responsáveis pela emissora comunitária local e participemos efetivamente de sua programação. É urgente buscarmos na comunicação, isto é, na ação em comum, as saídas para nos tornarmos autores dos nossos destinos e gestores de nossas caminhadas.
tags: São Paulo SP textos-nao-ficcao
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informações |
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| Autoria |
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Donizete Soares |
| Link |
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http://www.portalgens.com.br
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| Contato |
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donizete@portalgens.com.br
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| Data |
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28/12/2006 |
| Arquivo |
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24 Kb ·51 downloads |
| Licença |
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