"Eu vou pra longe buscar meu sossego, cantar meu canto, chover palavras só minhas"
(Maísa Picasso)
Se bateram, nem ouvi. Minhas portas estavam trancadas como lápides à prova de ruídos – prova da minha absoluta morte para o mundo.
Em minha fuga – método precioso e propício somente a covardes e cansados – acabei por me trancar num quarto escuro e perigoso, com dimensões intermináveis e vertiginosas. Lá, como em nenhum outro lugar do mundo poderia ser, senti uma suave estranheza, que começava em um simples arrepio na pele e terminava como blocos de puro chumbo fundido nas costas.
Mas havia toda uma beleza sofredora em procurar aquela luz no fim do túnel – túnel que era meu em toda a sua extensão e no qual, por pequenos e desajeitados deslizes, muitas vezes me perdi. A luz estava lá, sim, e eu podia vê-la, ao longe, firme e quieta, como uma bandeira de guerra rígida ao vento, 100.000W de pura salvação.
Se chamaram, nem ouvi. O caminho era longo, cheia de pequenas pedras espalhadas pela ventania, e os ouvidos se voltaram para dentro, onde o som, em silêncio, fazia seu caminho inverso. A ribalta estava armada havia muito, onde o espetáculo de uma pessoa só era a garantia de uma vida.
Porque, além das pedras, havia também muitas flores por ali, bem como uma delicada agonia, que não era nada menos que a presença total dos sentimentos.
Id a mim vós que já cansastes.
Então, pensei calmamente que estava em casa e o pensamento se alargou e ecoou na escuridão, como quando uma mulher se alarga por estar consciente de si.
Eu estava no meu infinito, campo exótico e particular, desfrutando da louca liberdade de se estar exilada do mundo. Isenta de meus entretantos, eu via aquela lampada de 100.000W se aproximar cada vez mais de minhas mãos. As sombras deixavam a sua pesada solidez e, pouco a pouco, iam se tornando liquidas, tomando formas abstratas atrás de mim.
Moi, I ato:
A grande descoberta.
Quem sou eu?
E você, quem é?
um prazeroso e gostoso de ler seu texto, bom final de semana.
depois eu volto.
Esses refúgios amorfos sempre caem bem para almas do gênero...
Beijo
...uma narrativa inteligente, inquietante. Parabens.
graça grauna · Recife, PE 14/3/2009 16:48
...bem, acredito que so fosse do meu círculos de amigos e presente no meu dia a dia, eu pensaria que seria pra mim esse texto. O casulo é preciso.
Neste momento estou no meu e distante do sólido.
Abreijo
Eu hoje não saberia dizer quem sou
estarei na outra fila.
Aube · Salvador (BA) ·
A descoberta do eu
Um Momento Sagrado no Ser Humano em que o corpo fecha tudo, para a conversa com a alma, na reflexáo consciente ou náo, onde retoma as forcas necessárias para continuar no cumprimento da sua missáo, enfrentando as lutas da vida.
Há uma santidade ai e ao ser voltar, para continuar sua caminhada, ele nem perceber a sua santidade apresentada nestes momentos.
Parabéns pelo Trabalho e pela santidade.
Abracáo Amigo
Sensível e intrigante, a narrativa leva por um íntimo caminho, a princípio sombrio e ao meio, revelador. Ao final, o ser e o nada disputam a alma. Esta, porém vence por si, a luta que eles travam, descobrindo e descobrindo-se para além daquilo que a quer prender.
Gostei muito.
beijos
Eu sou eu e nicuri é côco! Com essa frase simples lá no interior da Bahia, expressava-se o ego inflado nas instâncias do superego inerte e um ID solto nas trevas das imagens lusco-fusco da caverna.
Um beijo cavernoso prá você, Aubenigma.
Por muitas e muitas vezes ja fiz essa viagem pro meu infinito particular onde tento me achar e raras vezes me encontro
Beijos e volto,adorei!
Cemecei a ler não quis mais parar, viagem interessante!! grande abraço!
wel alves · Linhares, ES 15/3/2009 03:04
Aube,
As vezes se faz necessário uma viagem e tanto para
descobrirmos essa luz e nos reencontrar-mos.
feliz aquele que se reencontra e deixa
para traz sua sombras.
Bjs
Querida,Aube!
Que viagem,hien? Mas sempre essas viagens ao nosso infinito particular (amei o vídeo!) são muito difíceis...encarar nossos monstros...nosso ID...não é coisa fácil não...,até porque sempre nos ensinaram a domar nossos instintos, não é mesmo?
vc fez uma descoberta linda do eu...da morte ao renascimento...sempre...
um texto denso e doce....com pitadas de mistério ...mistura perfeita!Me vi muito nele...hehe..acho o que estamos bem sintonizadas..rs
Mais uma vez parabéns,minha linda,Aube!
beijinhos bluecarinhosos
Bleu
Todos nós temos nosso dia de buscar o infinito e voltar para o finito.
Ivette G M
Que texto ! vc "chove" palavras
e nos inunda de prazer.
E o mais incrivel é a sensação em mim: EU TBM ESTIVE LA...
nesse espaço particular... aff !
a d o r e i.
bjsssssss;)
voltei para reler enquanto ouço Chico e sua nação Zumbi.
Elomar me espera.
um ótimo texsto, uma artesã das palavras, tecendo as filigranas de uma viagem interior onde a meta é a descoberta do eu enclausurado... e a luz brilhando ao final do túnel é a vitória da luz contra a treva... você emociona e encanta com sua fluidez!
danlima · Brasília, DF 16/3/2009 22:51
"Quem sou eu?
E você, quem é? "
Eu sou o cara que está babando ao ler tão rico texto.
Abs
Besitos,minha linda, Aube...saudades,querida!
Bleu.
Aube querida, que prazer imenso ler sua narrativa fluente, precisa, encantada. A tmática é instigant e a forma, um primor. Parabéns! Beijo da maninha tão baiana que dói.
Brida · Salvador, BA 18/3/2009 14:13
Acredito que todos passem por uma viagem interior em algum tempo da vida, quando bate a vontade ou a necessidade de se mergulhar no que não se entende ou se quer entender ainda mais.
A tal lâmpada de 100 mil W pode se apresentar de diversas formas. Para uns é um estalo lá dentro da alma, para outros pode vir pela leitura de um livro.
Parabéns pela narrativa enxuta e muito bem desenvolvida ao trazer a atenção do leitor para as minúcias do texto.
Votado.
Li teu texto com o mais absoluto entusiasmo e prazer, por isso voto com o mais raro prazer e louvor. parabéns nobre overmana.
José Cycero · Aurora, CE 18/3/2009 21:52Muito bom seu texto! Muito boa sua viagem para dentro de si !"Mas havia toda uma beleza sofredora em procurar aquela luz no fim do túnel – túnel que era meu em toda a sua extensão e no qual, por pequenos e desajeitados deslizes, muitas vezes me perdi." Qtas vezes fiz essa viagem e me perdi tb, mas, a luz esta a gente NÃO perde ela está dentro de nós, talvez, um pouco ofuscada por percalços da vida. Mas, com certeza, dentro do túnel de nós mesmos haverá uma luz. Queria tb agradecer-lhe pelas lindas palavras que me postou. è um enorme prazer que voto e lhe conheço. Bjs, Dani.
Daniele Boechat · Rio de Janeiro, RJ 26/3/2009 00:45
Obrigada a todos pelas palavra que enchem a minha alma...
E muita poesia nesses coraçõeszinhos!
Beijos, beijos e mais beijos!
Aube.
Vai lá saber, Franco...
Somos um, somos mil... Somos nenhum, tantas vezes...
Obrigada pela presença!
Beijos
Adorei. Estou assim... alheia ao mundo. Também pudera... inferno astral, final de ano 9, TPM e Retorno de Saturno... oh astros e hormônios que me sabotam! rsrsrs.. beijos
Kadydja Albuquerque · Aracaju, SE 5/7/2009 11:00Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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