Este roteiro para curta-metragem foi escrito no segundo semestre do ano passado. Propositalmente, não é - nem de longe - fiel aos formatos clássicos de roteiro de cinema. Também não tem padrão algum de numeração de página, fonte, letra e afins. Na verdade, me permiti brincar um pouco com o formato e tentei puxá-lo também para a literatura. Não vejo, sinceramente, problema nisso. Inclusive, já li alguns roteiros em que senti falta justamente de um teor mais literário, que desse conta da profundidade do personagem em vez de desenhá-lo com poucas e diretas palavras. Todo esse pensamento seja, talvez, fruto da aula de um professor que dizia o seguinte: "num personagem, até a forma como ele pega um cigarro é importante".
É, talvez tenha tentado escrever esse roteiro pensando nessa frase. Acho que poucas pessoas o leram, portanto, não faço a menor idéia se prosperei na minha intenção. Bom, com uma certa apreensão, segue o texto em anexo.
Essa frase do seu professor, Thiago, tem tudo a ver com Stanislavski, um dos grandes mestres do teatro. Para ele, mesmo o ator com o menor papel, digamos, um garçom que atravessa o palco e serve uma bebida ao protagonista, tem que viver o papel, centrar seu foco sobre aquele objetivo como se fosse a coisa mais importante do mundo. Claro, estou falando aqui do teatro dito realista, não de brechtiano, mas é justamente o que está nos faltando hoje: teatro e cinema que tenham uma ligação maior com a "realidade" literária. Vou ler teu roteiro e te dou um feedback depois.
Fábio Fernandes · São Paulo, SP 31/8/2006 12:44É verdade. Mas não sou contra a quebra da naturalidade nem nada, só sou a favor do aprofundamento dos personagens. E, acharia dureza pegar um roteiro para filmar sem o desenvolvimento adequado do personagem. Algo como "fulano chora" é complicado, já que existem inúmeras formas de chorar. Na minha opinião, cabe ao roteirista explicar a melhor delas. Se bem que, num concurso ou algo assim, é prudente colocar tudo nos conformes e não arriscar muito na mão : )
Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 31/8/2006 13:43
A proposta é muito interessante! Deu vontade de ler, até porquê eu também acredito que a construção de um personagem se faz nos menores detalhes...
E, além do mais, roteiro é literatura inspiradora para atores. Porquê é que a maioria das pessoas não nota que eles são também uma obra de arte?
Logo que ler seu roteiro te dou um feedback.
Abraços do verde.
Bacana, bacana. Estou realmente no aguardo desses feedbacks. Peço desde já desculpa por alguns errinhos bobos de digitação e - eventualmente - de português no texto. Confesso que a revisão foi meio rápida. Mas o importante para mim aqui é a história. Quero saber muito o que vocês acharam da história, do final, se entenderam, se acharam estranho... enfim, como o texto tocou vocês :)
Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 1/9/2006 14:12
Eu li e gostei.´
"A direção do silêncio" ta mais pra um conto.O roteiro para cinema tem que ser mais funcional, sem muitas alegorias,exceto nas falas.Num roteiro estes tantos detalhes,como "subitamente" aparece um carro na cena, não existe. O carro apenas aparece. O diretor vai cuidar para que tudo aquilo se torne o filme,cujo roteiro é apenas 30% do produto final Isso também não é uma regra absoluta para escrever roteiros, mas é mais prático para quem dirigi.
Mesmo assim,gostei!
abraços.
Olá Camelo, cheguei tarde na discussão mas aí vai meu pitaco: a história funciona bem para um curta rápido, apesar de ser um pouco estranha (talvez por isso tenha apreciado tanto). A única ressalva é a forma que o teu roteiro assumiu. Ela passa longe do estilo Master Scenes, o padrão dos caga-regras da indústria cinematográfica.
Como o Arlindo acima bem observou, tem muitos detalhes, alguns deles muito subjetivos que num roteiro não apareceriam da forma alguma. Um professor meu disse certa vez que roteiro não é literatura, o qual concordo em parte. Há muita indicação de posições de câmera que um diretor (caso não sejas tu a dirigi-lo) pode não usar. Tem até detalhes de edição de som, se bem que a indicação da cena ficar muda é vital para o roteiro.
Sendo curto e grosso, num roteiro deve constar o que se DEVE filmar, não COMO filmar. No mais, gostei bastante. Estás de parabéns pela iniciativa. Não pensaste em produzi-lo?
Abração,
Leandroide.
Fala rapaz! É cara, isso é quase um conto na verdade, não tem formato de roteiro não :) Foi mais uma experiência que tentei fazer, pensando que eu mesmo dirigiria (daí as indicações de câmera e som). Por ora, ando muito sem tempo pra pensar em produzi-lo. Confesso que gosto muito da idéia, que é o que me importa. Sei que tu é do cinema. Se quiser filmar, fique à vontade :) Abração e valeu pela leitura e observações!
Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 8/6/2007 15:25Ah! Melhor, se quiser colocá-lo num formato de roteiro mesmo, também fique à vontade. Seria uma ótima experiência aqui no Overmundo!!
Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 8/6/2007 15:27
Grande Thiago! Não tem de quê. Assim que despachar os afazeres que tenho na fila, colocarei com o maior gosto o teu roteiro-conto em formato padrão e submeto à apreciação do overpovo. Com certeza ficará reduzido, menos poético e mais utilitário. Daí pra produzir é um passo.
Abraço,
Leandroide.
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