Texto sobre a descoberta do tropicalismo pelos gringos, na verdade um elogio anti-guetos do olhar do outro, que pode sempre (mesmo quando cheio de enganos) revelar coisas que não sabemos sobre nós mesmos
Ótimo texto e penso que sempre ótimo valorizar também por aqui a memória do velho e genial tropicalismo. Será que conquistaria (o tropicalismo) hoje os contemporâneos ouvidos e corações solidamente "tribalizados", tanto da produção como do consumo de música no Brasil e no mundo, Hermano? Tudibom!
CB · Porto Alegre, RS 11/10/2006 08:12
oi CB: você pergunta o que aconteceria se o tropicalismo tivesse surgido hoje? ou se surgisse um outro tropicalismo hoje?
Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 11/10/2006 10:43Oi, Hermano. Não exatamente isso, mas a influência e permanência nos dias de hoje do que seria o "espírito tropicalista" original, lá dos 60's. Hoje, tanto a produção cultural como seu consumo parecem muito, mas muito mais sectarizados, diria até "tribalizados", do que penso que foram os 60's. Não seriam esses tempos atuais campo infecundo demais para, por exemplo, subsistir o ecletismo desbundado e exacerbado daquele tropicalismo dos anos 60/70? Talvez essa seja uma questão tipo "pano pra muita manga", mas já que aqui é o overmundo .... Axé.
CB · Porto Alegre, RS 11/10/2006 12:52
realmente vivemos temos "sectarizados" - na minha opinião não falta qualidade/potência para muitos movimentos artísticos atuais, mas acontece tanta coisa ao mesmo tempo que nada parece ter mais a capacidade para chamar a atenção de todas as tribos como o tropicalismo chamou (é bom lembrar: a revolução tropicalista foi toda televisionada e vista pela grande "massa" brasileira - na verdade os 50% da população que tinham TV naquela época) - falando de música: antes havia a tal "linha evolutiva" da MPB, ou era mais fácil pensar a história da MPB como algo linear - desde os anos 80 o negócio fragmentou geral: vários mundinhos em paralelo... isso pode ser ruim ou bom, depende do ponto de vista, não é?
Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 11/10/2006 13:32
Epifânico, caro Hermano. Vou re-ouvir o Gil como se fosse o melhor disco de rock de todos os tempos.
Ju Polimeno · São Paulo, SP 11/10/2006 18:29Hermano, mas essa fragmentação atual em mundos musicais paralelos que pouco ou mesmo não se reconhecem, como se fossem tribos, não digo inimigas, como no futebol de hoje (infelizmente), mas tribos indiferentes entre si, não estaria, já nesse momento, gerando uma produção e consumo musical basicamente alienados? Isso pode ser bom?
CB · Porto Alegre, RS 11/10/2006 20:10
acho que não - tenho ouvido muita coisa muito boa por aí - por exemplo: minha banda preferida é a japonesa Merzbow - acho que não mais de 5.000 pessoas devem gostar da banda no mundo inteiro (e não é por isso que eu gosto) - isso faz a banda e seus fãs serem alienados - acho que não... aliás, não sei bem o que significa alienado... alguma definição?
Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 11/10/2006 20:20A expressão "alienado" ainda é forte? Você lembra (ou sabe) que era uma expressão comum nos anos 60/70. Que bom que não exista mais. Xô, xuá, cada macaco no seu galho, diz aquela canção. Sábio tropicalismo. Salve o tropicalismo! Abração.
CB · Porto Alegre, RS 12/10/2006 00:32
mas fico pensando se a centralidade "anti-alienante" da música debandou para outros lados: software livre, webs X.0 etc etc
Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 12/10/2006 12:26Também acho possível. Acontece que acredito que a criatividade em qualquer coisa necessite ainda muito de uma postura aberta, curiosa em relação à diversidade das manifestações humanas de qualquer espécie, mesmo as que sejam aparente e completamente alheias à pretensa imagem que temos de nós mesmos. Gostar de uma banda que apenas cinco pessoas gostem está longe de ser um problema. Talvez problema seja cinco pessoas gostando SOMENTE de uma banda e seus assemelhados. O fato da imprensa gringa entender o segundo disco do Gil por rock parece prova da extraordinária pluralidade das manifestações tropicalistas, pluralidade que paradoxalmente tornou o tropicalismo singular. É claro que a tropicália deixou herança, graças a deus. Têm muita gente ainda fazendo coisas muito criativas, sejá lá no que e onde for. Axé.
CB · Porto Alegre, RS 12/10/2006 21:48
Hermano parabens pelo texto, !
Rodrigo Lessa
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