Honestamente, seria muito difícil para mim tecer descrições sobre os ensaios que gostaria de apresentar no Overmundo. O meu trabalho literário fundamenta-se na exposição direta de conceitos e propostas argumentativas baseadas na tradição contemplativa zen buddhista e que, realmente, precisam ser lidas para que possam ser plenamente reconhecidas (ou não). Elas são propostas reflexivas, e devem ser lidas para que possam ser corretamente descritas, não por mim, mas por todo aquele ou aquela capaz de realizar a sua pertinência, e perceber o sabor de minhas palavras.
Entretanto, subordino-me às regras deste site cultural, e apresento no Banco de Cultura (e não no overblog) os meus ensaios filosóficos. Para fomentar uma tentativa de descrição, opto por apresentar abaixo os primeiros parágrafos da obra:
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Na tradição Zen existe um interessante koan, freqüentemente apresentado aos discípulos para fomentar seus esforços de reflexão, ajudando-os a reconstruírem a si mesmos:
Qual a sua face original, aquela [que era sua] antes [mesmo] de seus pais nascerem?
Dentre toda a riqueza de conhecimento e sabedoria que o Zen nos apresenta, alguns conceitos me maravilham por sua força reflexiva, sua dinâmica filosófica, sua eterna contemporaneidade. Este koan pertence ao grupo de conceitos zen aos quais me esforço por resolver corretamente ao longo de minha prática do Dharma. O conceito tanto me encanta como me assusta: qual seria a minha face original, realmente? Todas as vezes que nos defrontamos com uma idéia ou argumento, quase sempre o primeiro impulso da mente é tentar interpretá-lo literalmente. Esse vício da razão é o que mais atrapalha a compreensão do Zen e de suas premissas argumentativas; esse mesmo vício é o que assassina o Zen, tornando-o um reles adjetivo ou um termo associado a um teatro de atitudes absurdas.
olá Tam Huyen Van: muito obrigado por tornar o Overmundo mais zen! Muito obrigado também pela troca de seção: é melhor para o texto: aqui mais pessoas poderão encontrá-lo. E espero os próximos ensaios!
Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 9/5/2007 19:45
Talvez a minha face original seja aquela que eu negue?!...
Agradecido, José
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