Preso ainda às convenções
Visto preto, cor do meu tempo
Mas a rua, seu Carlos,
Continua cinzenta
Tudo ainda está à venda
E arma alguma autorizaria revolta
Este é o tempo da justiça afinal
Não a justiça bondosa –
De bronze, de prata, de ouro –
Justiça da ira divina
Do fogo descontrolado
Que mata a nossa mata
De terra que sacode escombros
Como quem dá de ombros
De um ar sujo e furioso
Desembestado em tempestades
De águas que retornam
Sujas e podres como o mundo
Como o nosso mundo
Águas que inundam
Águas que lavam
Águas que levam tudo por diante
Águas que afogam velhos, crianças, bombeiros
Mais fortes que a força
Justiça de Gaia febril
Infectada de humanidade.
Mas mesmo em um mundo revolto
Ainda há tardes amenas
Caminho pelo meu Porto
Alegre ao menos no nome
Seduções em calças justas
Encurvam meu pescoço
O ar está luminoso
Embora a fumaça dos carros
Pardais pipilam,
Mas não param
De catar comida no lixo,
Da janela do edifício,
Um gato observa os pardais
Frustrado pelo vidro fechado.
Ao meu lado, um som
Não é alto, mas diferente
Não o crepitar de folhas secas
Nem papel desfraldado ao vento
É som mais pesado, embora leve
Ao meu lado, um som bate no chão
É leve, mas tem o peso
De uma vida, que se vai
Uma flor morreu na rua!
Não era forte como aquela do Carlos
Embora fosse mais bela
Bateu no chão preto e ficou
Vermelha, marcando sangue
Uma flor solta no asfalto
Uma flor morta no asfalto
Uma flor!
Pés
Pneus,
Vento,
Chuva,
Garis com suas vassouras
Se encarregarão de levá-la
Mas ela ficará
Na minha lembrança
(E na foto mortuária que tirei)
Longe,
Lá no pólo,
Uma geleira se desfaz
Chorando a flor que se foi
Ou, talvez, chore por outras,
As flores que nunca foram.
Porto Alegre, 14 de abril de 2007
Em Abril desse ano, fui assaltado pelas musas... sonhei um sonho inquieto com as Nove e o Drummond, onde eu travava um diálogo com o mestre, sobre as coisas do tempo dele e as do meu.
Digo que fui tocado pelas nove, porque acordei com este texto borbulhando na cabeça, corri pro computador, o escrevi em pouquíssimo tempo, Quis deixá-lo parado, pensar nele por um tempo, coisa que costumo fazer , mas não deu. Tive que postá-lo no meu blog no mesmo dia!
Não digo que seja algo místico, ainda que para mim a experiência tenha algo de esotérico, mas acredito que o texto vale como uma experiência de intertextualidade e também pelo seu tema. Espero que gostem!
Lindo lindo lindo.
Perfeito!
tá certo, sou suspeita. O cara aí é meu irmão! Mesmo pai, mesma mãe, mesma irmã e mesmo sobrenome...
Mas também mesma crítica afiada, e aqui não tenho nenhuma!
Bem vindo às filas de edição, e em breve ao banco!
Bjs, parabéns! estréia irrepreensívelmente bela!
Obrigado, Fá!
Pelo carinho de mana e pela crítica generosa!
Beijão!
Renato, que bacana. Um poema quase prosa. Muitas associações, elementos compostos e sobrepostos. Uma maneira de ostrar saturação. Gostei. Boa sorte. Bem-vindo ao Overmundo.
Parabéns!
Abraços
Obrigado, Bea
Pensei que já conhecias lá do Remamo!
Que bom que gostaste!
Bjk!
belo poema Renato !
parabéns
grande abraço
Juliana Poemeira!
QUe coisa boa te receber aqui!
Bem-vinda!
Espero que o Overmundo comece logo a receber teus poemas !
Beijão!
Renato,
Este encontro foi realmente interessante.
Aconteceu algosemelhante comigo. Alguns anos atrás.
- Um dia acordei na madrugada, quase manhã,
com um poema na cabeça.
A sorte é que havia papel e caneta.
Escrevi no escuro, o que sentia naquele momento.
Adormeci novamente. Acordei em seguida.
Olhei para o papel e fui 'traduzir' minha letra.
Todo poema que faço, parto de uma idéia,
de um motivo que determino ou que me inspira
naturalmente. O publiquei no meu 2º livro
do jeito que o escrevi, nunca consegui mudá-lo. -
Vou colocá-lo abaixo.
Belo poema, Renato.
Beijos,
Regina
OLHANDO PARA MIM - Regina Lyra
Você me viu profundamente
Vislumbrou minha alma
Desnudou minha calma
Olhando para mim.
O carinho foi súbito
Aniquilou meus segredos
Me fez perder meus medos
Olhando para mim.
A paixão cruzou todo pensamento
Desracionalizando até o entendimento
Despojando o corpo
E deixando a alma nua.
O amor se instalou tomando posse da ação
Do sentimento e da ilusão.
Tomou toda calma
Feito bandido não pôde ir embora
Por isso me diga sim
Olhando para mim.
Lyra, Regina. Sonhos & Fantasias. João Pessoa: Ed. Universitária (UFPB), 2000.
Regina
Amei teu comentário
Amei o teu poema
gostei que tu gostaste
Sim.
Obrigado!
feliz por ter sido convidada.
Linda forma de colocar em palavras.Eu amo a simplicidade.Gosto de saber o que estou lendo e entendendo.
O final meu querido me deixou até uma lágrima.
Voltarei.
passo deixando um carinhoso abraço.
Obrigado, Clara,
pelo carinho e pela presteza em atender meu convite!
Volte quantas vezes quiser! Será sempre bem-vinda!
Bjão!
"Ao meu lado, um som bate no chão
É leve, mas tem o peso
De uma vida, que se vai"
ei renato...prazer em te ler...
muito bom.
um abraço.
samuel
Seu poema é muito emotivo,b reflete bem o mundo moderno, pós-moderno, pós, pós-tudo. Muito bom..
volto pra votar
Obrigado, Samuel!
Faz muito bem ver que gostaram do que escrevi!
Passavante
Grande poeta!
Obrigado pela visita, pelo elogio e,
já que falou nisso,
pelo voto!
Forte Abraço!
Olá,Renato!!!
E vamos todos de mãos dadas por estas mesmas avenidas do Carlos, mas sem sua rosa..., pois o povo anda seco...mais sertanejo que nunca...
Que linda experiência,Renato!!Emocionante ...já tive apenas umas duas mais ou menos assim...qme que tive que acordar no meio da noite também para registrar as cenas que passavam em minha mente...,mas não foi poema,terminou sendo um roteiro p teatro...foi realmente algo especial...mágico...como é este teu poema...
Não tenho dúvida do diálogo que aconteceu nesse transe...
Emoção pura!!!Lindo demais!
Parabéns!
um beijo azulzen....
Raiblue
"Mas ela ficará
Na minha lembrança
(E na foto mortuária que tirei)
Longe,
Lá no pólo,
Uma geleira se desfaz
Chorando a flor que se foi
Ou, talvez, chore por outras,
As flores que nunca foram."
Que beleza de versos....profundos!
bjksblue
Senti o rosto corar
mas olhei no espelho
e me vi azul!
Raiblue obrigado por este raio azul de emoção que acaba de iluminar esta página!
Que estréia maravilhosa,seja muito benvindo Renato
Espero que nos brinde muitas e muitas vezes com outros maravlihosos textos
Um beijo e voltarei pro voto
Obrigado,
Júlia
poeta
filha de repentista
amante das palavras.
Bjão
e um obrigado
antecipado
pelo voto.
Bon jour,Renato...
Você se viu azul
porque é céu
olhos sem nuvens...
(Raiblue)
obrigada pelo lindo comentário lá em minha página, viu?
Besitos azuiszen...sem nuvens...rsrss
Rai...Blue
Uma flor brotou do asfalto!
Uma flor morreu na rua.
Só a flor para romper o negro,
o tédio, o consumo, o não.
Da flor morta o sangue
inunda a rua, inunda o mundo.
O sangue da flor vai alagar
a cidade, as máquinas, o trânisto.
Vai restar o que não passa!
Vai restar o sangue da flor
encravado nas pedras, no cimento,
nas almas que ainda subsistem.
Abraços, poeta subsistente.
Rai Blue,
um raio azul de sol
iluminou esta página,
extravasou a tela do computador e iluminou meu dia
nesta manhã chuvinhenta de Porto Alegre
Obrigado!
muitos...
muitos beijinhos
azuis e de todas as cores!
José Carlos,
obrigado!
a poesia subsiste
apesar dos tempos!
Forte abraço!
Poeta de mão cheia!!!Parabens
victorvapf · Belo Horizonte, MG 28/6/2008 12:52
Obrigado, Victor!
mas talvez a minha mão não seja tão cheia assim...
Forte abraço
Volto para tentar colher a flor no asfalto.Quantas terão que ser recolhidas? Quando não mortas, se tornam mortas viva.
De hoje em diante, não precisarás mais me convidar.Amigo a gente agasalha no peito e gera na alma e dele nunca mais se esquece Feliz estou em poder vir e reafirmar o valor do teu texto.
Um beijo em seu coração.
votando renato...
um abraço.
samuel
Um puta texto!!! Lirismo, sensibilidade, beleza, profundidade!! Coisa rara, que emociona. Ainda bem que vim. Lindo teu texto, meu querido Renato! Beijos, menino!
Lena Girard · Belém, PA 28/6/2008 17:59
Nossa!
Obrigado!
Clara, querida!Obrigado!
Tua amizade é uma flor
que não vou colher...
ao contrário, pretendo
regar e cuidar para
produza muitíssimas outras!
Um beijo
no fundo
da alma!
Samuel,
mais uma vez obrigado
um forte abraço!
Lena
Que bom mesmo que você veio!
Teu comentário me deixa
profundamente emocionado!
(e um pouco encabulado)
Beijões!
Passavante
Grato, gratíssimo!
E Carlos a essa hora deve estar feliz.
Passei, gostei e votei.
Abraço
Renato...maneirão véio...que viajem!! Valeu pelas "lágrimas do pólo"...acho é Deus já chorando sobre nós!! Abração e parabéns!!
Smalltown Poeths · Belo Horizonte, MG 28/6/2008 20:17
Peterso
Espero que sim!
Tentei
ser digno do mestre
(o que, por si só,
já é muuito pretensioso!)
Obrigado!
Wilson,
Se não for
Deus-Pai
quem sabe
será a
Mãe-Terra!
De qualquer forma,
precisamos aprender
a acarinhar nosso planeta!
Obrigado!
Aquele que renasce
provoca temas
acorda lembranças.
Beijos e votos, Renato.
Bom domingo,
Regina
Obrigado, Rainha
Lyra pelo haicai
pelos votos
e pelos beijos
E um bom domingo
pra ti também!
BjÃo!
Parabéns!!! Votado.
Abraços
Zilka,
Obrigado!
Bjk!
Êh! Renato,
foto instigante
poesia de raro lirismo
as lágrimas com certeza são da mãe
NATUREZA
Carlos Mota(apenas um t) Goiânia Go 28/06/2008
Obrigado, Carlos!
Esta flor
que fotografei uns dias antes da história que contei no"sobre a obra" foi talvez o deflagrador primário da poesia.
Ela caiu no chão com um som estranho, eu a fotografei e aquela cena ficou fermentando pra eclodir naquele sonho com as musas, o Drummond, "a flor e a náusea"...
Renato
Também acontece comigo, de acordar no meio da noite com o poema prontinho...
Belíssimo teu poema.
abraços
Nydia
não tenha dúvida
quando isto acontece,
fomos tocados
pelas 9 filhas
do Poder e
da Memória!
Aí é bom se apressar
porque as musas são caprichosas
e fogem do artista
que não aceita serví-las
com presteza
Deve ter sido por isto
que Picasso
dizia:
"A inspiração existe,
mas tem que te pegar
trabalhando!"
Beijão e obrigado pela visita!
Renato de Mattos Motta , agradeço sua mensagem.Vim,vi,li e votei, torcendo por você, poesia boa, merece todos os votos.
Efigênia Coutinho
Obrigado, Efigênia
Também gostei bastante dos teus poemas!
BjÃo!
Renato de Mattos Motta · Porto Alegre (RS)
A FLOR E O ASFALTO
Bom Trabalho Amigo Poeta.
Tudo esta relacionado e o melhor é como vocé fez e plantou amor em tudo.
Em meio a esse tudo que vemos e vivemos o que conta é o sentimento de amor que se pode fazer manifestar.
......Longe,
Lá no pólo,
Uma geleira se desfaz
Chorando a flor que se foi
Ou, talvez, chore por outras,
As flores que nunca foram.
Ficou muito legal.
Parabéns e receba meu voto por merecimento.
Gostei muito.
Você é mesmo um POETA estrela de magnitude exemplar com seus temas criativos.Parabéns!
UM VOTO CERTO e um beijinho doce, Sílvia.
Azuir, obrigado
Um forte abraço!
Silvia, que bom que você gostou!
Bjk!
Ô Renato, me perdoa. Eu lera na oportunidade da edição.
Não comentara porque ando meio ciclotímico, meio drogado com uns medicamentos que me dão mais que sono.
O teu poema apanha o cotidiano e a história humana muito bem.
É um aliado a mais na defesa de que devemos deixar aos que nos sucederem, pelo menos, uma terra como a recebemos para viver, se não pudermos fazer melhor.
Um abraço.
Valeu, Adroaldo!
És sempre bem-vindo! Ainda mais que és amigo dos meus amigos não-virtuais:
Rô, Zé Augustho e Danúbio!
Abração!
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