O contentamento pós-saudade foi pouco, mas suficiente para deixa-lo inerme à garota com o sol nos olhos.
Ela tinha um defeito: sonhava demais.
Ele tinha asas.
E os dois viajaram juntos pelo infinito, rodopiando e deixando apenas rastros da harmonia dos teus passos. Pareciam se completar! Definidos por um clichê, eram feitos um para o outro, meros opostos que se juntaram e como algo sobrenatural, pareciam não se soltar nunca mais.
Ele podia voar tão longe, que às vezes era impossível ver o chão lá do alto. E a levava junto, nos teus braços fortes, onde seus cabelos se entrelaçavam se tornando um só.
Ela não tinha medo do acaso. Guardava todos os seus segredos numa caixinha de música, onde colocava pra tocar durante a noite.
Eles tinham algo em comum, amavam as luzes da cidade e passavam horas contemplando algo que não sabiam ao certo. Durante a noite eles se libertavam e fugiam pulando feito crianças ao ganhar doces.
Quando tudo parecia estar perfeito, o óbvio aconteceu. O tempo mudou e o nada se tornou estranho.
O universo despencou aos teus pés, as estrelas caíram em um só golpe e todas as luzes se apagaram uniformemente. Era o fim.
A vida se desintegrou naquele momento de distância. Ela se foi, deixando apenas a incerteza do seu retorno.
Os segundos passavam lentos e ansiosos, intermináveis, quiçá infinitos e mesmo o infinito não era suficiente para os dois.
Milhões de motivos vieram a cabeça dele e bilhões sentimentos de culpa, mas era inútil se culpar pelo que já foi.
Ele sabia que era o fim, mas queria ao menos sentir pela última vez o leve sorriso da garota e carregar o teu corpo de menina além das estrelas. Sua vontade parecia ter mudado o rumo do destino e a trazido de volta.
Lá estava ela, com os lábios vermelhos por conta do frio. Sua pele alva contrastava com seus cabelos escorridos e negros e seu corpo magro com a paisagem clara e triste.
O contentamento pós-saudade foi pouco, mas suficiente para deixa-lo confortável à garota com o sol nos olhos.
Um último olhar selou a despedida. Ela estava ali, mas ele não a sentia, ela o sentia, mas calou-se e enfim ele pôde entender que suas asas não eram o bastante para aquela menina, ela queria ir além do que elas podiam alcançar.
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