O silêncio compacto tornou tétrico, feral e lúgubre toda a ala sul, onde era localizada a Hospedaria do Capeta, como os demais presos batizaram a 666, cela isolada, de chegada e trânsito entre as alas que se definiam por níveis de periculosidade na Casa de Detenção.
Os vizinhos da hospedaria estranharam o repentino silêncio. Certo que era já noite alta, mas o preso do cubículo 666 esmurrara paredes e grades desde que chegara ainda no final da tarde da véspera e nada o fizera parar até aquele momento, seguramente umas três da madrugada, conforme a posição da lua vista detrás das grades.
Ou dormira ou desmaiara.
Os demais ainda insones estalaram olhos e aguçaram ouvidos.
Nada.
Talvez estivesse morto.
A carceragem não se surpreenderia.
O passeio da manhã no pátio interno de certo seria tenso para o novato.
A lenda do lugar era que matador de criança ou estuprador de mulher morria cedo ali, muita vez antes de ter sentença em julgamento. E de motivos diversos. Até suicídio aparecia como causa das mortes assim.
Dois dias antes a imprensa dera copiosa cobertura da casinha destruída por incêndio, do cadáver de mulher incinerado junto a dois outros, de crianças.
As primeiras informações, ainda nos noticiários de rádio, reportavam incêndio, descuido da mãe, curto-circuito. As hipóteses ligeiras e comuns sempre sustentadas pela pressa incauta de dar publicidade à tragédia.
As imagens de televisão foram de um bombeiro operando o rescaldo dos escombros, revirando cinzas. E uma boneca de plástico enrolada em um cobertorzinho rosa num carrinho de bebê milagrosamente intacto parecendo coisa plantada ali para animar a cena que as outras imagens tornava banal.
Os diários da véspera mais parcimoniosos todos, menos o escandaloso Berro da Hora, já especulavam hipóteses de crime passional ou latrocínio.
(Em honra desse nosso dia)
Adroaldo,
Com criatividade assim, seria capaz de conquistar o NOBEL.
Belíssimo.
Abçs. Benny.
Nossa...Fiquei com mêdo...
Bjs
Cris e Gabi
Belo roteiro de cinema...
crispinga · Nova Friburgo, RJ 25/7/2007 18:44
Cris, um aviso seríssimo:
- Tira já as crianças da sala que vai pesar a barra. É chumbo quente! Isso que aí já está é apenas um trecho menos medonho (merdonho como diz uma filha minha).
Benny,
Não faça assim comigo que eu sou capaz de acreditar e depois vamos ter que fazer um festão pra gastar o dinheiro dessa pólvora que Nobel deixou de herança.
Não prometo prazo para próximos trechos, que nem sei ainda se serão capítulos, porque estou com muitos problemas graves de saúde na família e não tá baixando espírito que não seja do bem.
E capeta, sabe-se é o hospedeiro do mal, não é fato?
Agradecido.
Beijos pelo Dia Nacional do Escritor e da Escritora, esse 25 de julho do ano da graça de 2007 em que estamos vivos e com saúde.
O postado o foi pra comemorar isso também!
ah! que coisa! Estou já ansiosa pela continuação.
beijos
Meu querido poeta do bem,
Que todas as forças do mal se afastem de você. Por aqui a "bruxa" anda solta também, sérios problemas de saúde na família, estamos divididos, metade aqui, a outra em Brasília...
Essa historinha me lembrou do "Silêncio dos inocentes"...brbrrbrbr
Beijos e melhoras aos seus e vá dar um abraço nas meninas de ouro do futebol do Pan!
Adroaldo, amigo e parceiro.
Texto excelente, palavras certeiras, suspense digno dos grandes mestres do jornalismo, aliás, como você o é.
Parabéns.
Noélio Mello
Oi Adroaldo, excelente, digno do Dia do Descanso de Deus. Espero que as coisas por aí entrem nos eixos amigo.
Abraço fraterno
Ize,
Agradecido, amiga.
Que seja como desejas.
Noelio,
Faz como o Benny, não.
Eu confio e me ufano.
Ego inflado em mim é dano.
Cris,
Todos têm culpa nessa história que aí virá.
Gratíssimo.
Saramar,
Ah, Saramar, pensei que passaria a léguas dessa dolorosa cena, tão meiga és.
E como sempre queremos nos enganar que tal pudesse não ser real.
Haverá continuação.
Quase prometo.
Aguardo ansiosa...
Bjs
Cris
Bauer,
você, conta tão bem a estória, que até entramos como personagem/espectador/leitor.
que coisa! tão real e "comum" nesse lugar que julgamos distante..
tão próximo, não é? humanidade..
é bem difícil entrar nesse mundo 'estória' e contar detalhada'a'mente a crueldade e o circo que se forma em torno do fato, a parte podre do jornalismo, que sabemos... existir e resistir. urubus se alimentando no banquete infernal.
que venham os próximos capítulos! mestre.
grande abraço
Fran
"E uma boneca de plástico enrolada em um cobertorzinho rosa..."
Texto ótimo, breve e real para dizer tanta coisa e no final, um toque poético onde nem sempre vemos razão para achar poesia.
Abraços de Betha.
Recado urgente.
Tem pão quente na Hospedaria.
Agradecido, gente!
Pão quente na Hospedaria. Parte III saiu do forno!
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 3/8/2007 14:30
A Parte IV da Hospedaria do Diabo já está no prelo.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 17/8/2007 13:54
Nem acredito!!!
Vou sair agora e quando voltar... ah quando eu voltar!!!
Bj
Aviso a quem ainda não leu e o queira, que A Hospedaria do diabo chegou à quinta parte. E teremos uma uma parte ainda nesse sete de setembro, mais a noitinha.
Agradecido.
Já em votação a Parte VI da Hospedaria do Diabo.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 10/9/2007 09:11Ah Adroaldo quero teu livro, encontro na Palavraria?
soninha porto · Porto Alegre, RS 12/3/2008 08:11
Terminada ontem minha segunda novela "A Hospedaria do Diabo" (nome provisório), concluo a revisão editorial ainda em janeiro. Apronto pra gráfica em fevereiro. Saio de férias em março. Penso em lançar o novo livro até maio.
(não esqueçam que entre esse oitavo capítulo aqui e os que somaram 41 no total, fiz um enfarte no ine3dquecível abril de 2008, encontrei um amor novinho em folha no aprazível abril de 2009, intenso e eterno até setembro do longínquo 2009).
Após o lançamento, ou mesmo antes, penso em retormar o segundo episódio das minmha primeira novela O Dia do Descanso de Deus (disponível para dowload aqui).
Por certo, salvam-me os versos parcos, nos intervalos sem amor.
Terno abrço a todas as pessoas aqui.
Perdão pela demora involuntária.
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