Os capítulos concluídos até aqui da novela A Hospedaria do Diabo podem ser acessados por este único daunlôundi aí em cima.
Neste capítulo, é explicada a prisão do hóspede da cela 66 (mudei o número da cela assim como reduzi o do morro para Carlota do Piá).
Revelam-se algumas razões do diretor da prisão e dão-se a conhecer relações anteriores desse com a polícia e o próprio inspetor Cheguêva.
Capítulo 8
Aquela era uma cena cotidiana, fosse quem o plantonista da emergência da enfermaria do estado-maior-de-grades: o diretor sentado à mesa tipo escrivaninha, ainda de chapéu, de costas para a porta de entrada da sala, como a contemplar o nada numa parede lisa sem um quadro à frente, ouvia o relato das ocorrências do setor, por cinco minutos, às 7h45min. Fazia o aceno frouxo com a mão direita como o dar até logo a pessoas apenas conhecidas ou para intervalos breves de ausência já de frente para o destino. E não usava ter quadros na parede às costas de si, como explicava a quem sugerisse enfeitar a sala, como uma ou duas secretarias mais animadas já lhe haviam sugerido, para “não perder de vista a olhada do comparte e não dar motivo de abstraimento, que isso aqui não é recinto de convescote, é sítio de afazeres.”
Naquele dia, no entanto, após ouvir o relato, não dispensou o interlocutor, parado às costas do espaldar da cadeira de couro preta que dissimulava os seus quase dois metros de altura e, principalmente, a largura estranha dos ombros em relação ao peso, muito estreita para o conjunto, como a formar a figura de um losango.
- Com o que, então, senhor doutor plantonista, morreu um homem de não sei o quê ainda e guardamos o cadáver na geladeira junto às comidas frescas de nós todos? E se a peste se espalha por ali, e a levamos para nossos filhinhos e amadas esposas em nossas casas e esses levam às escolas e essas levam aos mercados e feira esse tal de não sei o quê de quem nos fala sua eminência?
- Mas... Mas... Deixar que ficasse fora do gelo não ia dar na mesma e mais rápido e já na teria isso tudo acontecido se o homem entrou aqui e respirou conosco desde o meio-dia de ontem, senhor?
- A razão está contigo. Vai e apressa a Medicina Legal para vir recolher o presunto que disputa o espaço no gelo com a nossa merenda. Vá depressa, homem. Vá, logo!
O enfermeiro já fizera o recomendado. Há meia hora encomendara o serviço aos colegas, que se comprometeram a buscar o corpo do morto da 66 no presídio ainda pela manhã. Não disse ao diretor para não parecer provocação e supunha que, sendo parte da rotina, ficasse em surdina o tema, a sensação de que a providência tomada deixasse as coisas no lugar e se impusesse como fato à compreensão de todos.
A suposição durou poucos segundos, a extensão do percurso no tapete marrom escuro, um trilho claro ao centro resultado do tempo de uso, disposto da pesada mesa de madeira-de-lei escura à parede clara, a alvenaria repintada de bege, ou pérola, “essa cor meio suspeita que vocês aviaram para minha sala” , como o diretor havia reclamado ao mestre-de-obras na oportunidade da última reforma do lugar, há já uns cinco anos. Reclamação apenas para constar, que as tintas estavam já compradas e na medida exata do para cada qual, sem volta que não durasse pelo menos um exercício orçamentário e mais um processo inteiro sobre os porquês da recusa.
Girando a poltrona, que gemeu nas molas e suportes como um gato pisado no rabo, o diretor interrompeu a saída do enfermeiro já meio corpo fora da porta com nova argüição, essa parecendo completamente estranha aos fatos corriqueiros daquele expediente e às formalidades do ambiente:
- Pode-se saber por que o vivente sabe tudo das cuecas do morto?
Adro,
Agora sim: Facilitaste totalmente a vida do leitor relapso. Se ele não ler agora, só na base do porrete (merecido).
Grande abraço
Então, Spirito.
Tanto se vai à fonte que um dia, se não quebra a quartinha, se apanha água fresca.
Devia ter feito isso desde o início, só que ao início não havia isso, então ficou assim quando possível, que é agora, embora um pouco antes já o fosse.
Arrah!
Grato, guri.
Se tiveres um tempinho, desejo que encontres boa leitura.
Adro,
Minha quartinha já não é de barro há tempos. Não chega a ser de aço inox não, mas, agüenta litros e litros de boa prosa. Ando seco, mas, a minha 'fonte móvel' não estã ao relento não.
Beberei até me fartar.
Grande abraço
Então Sr. Escritor, tive um certo trabalho com o 8º pq, daquilo que realmente me interessa rsrsrsrsr, achei que não tinha nenhum adianto. Então, voltei atrás e descobri que o preso era o mesmo e que desceu o morro no dia do crime, oooppppss, da tragédia. Se foi crime de dolo e se o preso foi o responsável, isso só o Sr sabe. Embora pelas cabeça machucada e pela pele das mãos que deixou nas grades, se houve dolo foi por um super motivo. Entretanto, quem ama não mata, certo? Se me cabe um a pedido, daria pro Sr dar um bom final ao Zuni, principalmente se ele for mesmo pai do Piá? É que simpatizo mto com ele e não queria ele na pele de um patricida.
Do mais, não entendi mto bem o porquê da mudança do nº da cela (gostava mais dos três 6) e nem a redução do nome do morro. Mas isso não afeta a trama e nem meu interesse por ela.
Muito obrigada por me manter envolvida, mas cá pra nós, e com todo o respeito, não daria pro Senhor ANDAR UM BOCADINHO MAIS RÁPIDO?
Então, voltei atrás e descobri que o preso era o mesmo que desceu ......
Ize · Rio de Janeiro, RJ 19/10/2007 00:06
Caro Adroaldo, viajei tão logo concluí aquele conto. Vc me havia indicado a leitura de A Hospedaria do Diabo. Retornei hoje de madrugada e assumi como primeiro compromisso baixar o arquivo para lê-lo. Fiz isso agora. São 23 páginas e irei saboreá-las calmamente. abcs
jjLeandro · Araguaína, TO 5/11/2007 12:41
Caro Leandro,
Agradeço tua dedicação a essa nossa recente relação. Muito me honra e deixa feliz. Se for uma possibilidade para ti, gostaria imenso de ter um comentário teu sobre tuas impressões da leitura. Parei um pouco a produção dela em razão de um envolvimento de produção para a presença de minha novela O dia do Descanso de Deus na Feria do Livro de Porto Alegre, que iniciou em 26/10 e vai até 11/11, mas as idéias estão fervilhando, doidas para saltar para a tela do pecê.
Comentei também teu conto em capítulos e o considerei uma boa obra, como disse lá.
Abraço a ti também.
Lí! Preciso ler os outros capítulos pra entender melhor.
camuccelli · Rio de Janeiro, RJ 25/2/2008 10:28
Camuccelli, os demais capítulos anteriores estão no arquivo.
Clique no botão azul do download para acessá-los.
Ainda não tenho continuação, mas pretendo retormar em breve a história para concluí-la. Grato.
Retornei,lí o conto todo.É bom ler artigos de outras pessoas,para julgar a nós mesmos.É interessante este teu conto inacabado.Abraço!
camuccelli · Rio de Janeiro, RJ 26/2/2008 15:13
Grato Camuccelli. Como disse, pretendo dar um fim breve à essa noveleta. Grato por teu interesse. Tenho também uma novela já publicada, O dia do descanso de Deus, em venda dos últimos exemplares já. Saiba dela por aqui, no Retorno Imperfeito
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 26/2/2008 16:53
Caro Mr. Bauer,
Alguma novidade a respeito do capítulo IX? Não que eu tenha vontade de proceder reservas para uma estadia na Hospedaria, mas algo me diz que a sanidade de Cheguêva não ficará intacta diante de sucedâneos fatos Lovecraftianos. Aprecio muito o seu estilo descritivo e como conduzes as cenas. Estou cá preso no VIII aguardando o vosso salvo-conduto. Abs.
Mas bah! Marcelo, bem que a Juli andou comentando algumas coisas aqui em casa de que o Monstro ou Flamíneo ou Lorna (será esse o nome, lembro que em outras histórias havia Nyoka e Lorna, sem recordar qual era a "rainha das selvas"?).
E tua visita, assim como a leitura do teu texto, da tua história bem construída em segredo lá em Simbiose, me anima bastante. O retorno de quem nos lê é, para mim pelo menos, muito importante, tanto quanto, em outro nível é escrever. Ambos relacionam-se com a satisfação e o reconhecimento pelo outro.
Eu não prometo, mas tentarei ir pra os finalmente desta história, que era para ser pequena e cada vez mais espicha, porque, personagem tu já sabes como é, nunca quer se findar, não é mesmo?
Grato, tchê!
Terminada ontem minha segunda novela "A Hospedaria do Diabo" (nome provisório), concluo a revisão editorial ainda em janeiro. Apronto pra gráfica em fevereiro. Saio de férias em março. Penso em lançar o novo livro até maio.
(não esqueçam que entre esse oitavo capítulo aqui e os que somaram 41 no total, fiz um enfarte no ine3dquecível abril de 2008, encontrei um amor novinho em folha no aprazível abril de 2009, intenso e eterno até setembro do longínquo 2009).
Após o lançamento, ou mesmo antes, penso em retormar o segundo episódio das minmha primeira novela O Dia do Descanso de Deus (disponível para dowload aqui).
Por certo, salvam-me os versos parcos, nos intervalos sem amor.
Terno abrço a todas as pessoas aqui.
Perdão pela demora involuntária.
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