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A Hospedaria do Diabo - II

abcspíndola
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Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS
4/8/2007 · 132 · 20
 

Publico a seguir uma segunda parte de, talvez um conto, talvez uma novela, A Hospedaria do Diabo, cuja Parte I está neste linque de Overmundo Convido à leitura e à crítica, uma vez que as personagens começam a se desenhar e, segundo aprendi há pouco, não tendo ainda escrito o terceiro capítulo, mas já esboçada a continuidade nos dois primeiros, depois daqui será de muita dificuldade reorientar ou desistir da história. Pelo menos foi o que já me sucedeu em O dia do descanso de Deus, minha primeira novela, de cujo processo de criação falei aqui em Overmundo na entrevista que dei a Juliaura.

II
Um plantão de polícia na sexta-feira já é uma merda, com esse gelo de zero grau e chuvarada, pior será, ajuizava com dois botões de um surrado casacão três quartos o inspetor Cheguêva.
A uma da madrugada, então, a geladeira em que se transformava a sala úmida de alvenaria já sem reboco do prédio da 13ª Delegacia de Polícia era um cenário que cooperava com o raciocínio do polícia, que apenas dormitava em razão de que pés, pernas e a bunda; da cintura para baixo, o corpo inteiro, não havia jeito de aquecer.
Tentara todo o possível. Mover-se. Enrijecer os músculos. Descalçar os sapatos. Trocar de meias, que trouxera nos bolsos um par delas de lã, sobressalentes para aquelas ocasiões.
Por fim, medida que aprendera com mendigos nas rondas de rua, enfiou jornal velho nos sapatos, que molhara na chuva para chegar de casa até ali, caminho diário de um pouco mais de dois quilômetros percorridos a pé, em qualquer condição de tempo.
Olhou a folhinha do calendário e deu-se conta que também era 13 o dia do mês de agosto em que fazia aquele plantão polar na 13ª. Suspirou desalentado.
- Vai dar merda!
- Que merda que nada, considerado, é barro. Fede, mas é só barro. Cai um caldo de dar dó. Vai desabar barraco no morro. É só esperar. O mal já foi feito, falou à guisa de saudação à chegada o inspetor Valafora, colega de plantão de Cheguêva naquela sexta.
- E choveu só pra ti, ô sem alma? Eu molhei o pé no vaso aqui do mictório, é isso? É água tanta que a Várzea do Agrião já virou raia de remo e vela, mais um pouco os sem patrão vão jogar os caícos nágua do Arroio Areão, é só esperar. Boa-noite pra ti também, colega. Senta aí e vá encilhando o mate que eu já ponho a chaleira pra aquentar.

Não tinham trocado três cuias, a parelha foi interrompida pela estridente campainha do telefone, já posto em sala contígua como tática de precaução para evitar desmaios de paisanos, modo como os polícias chamavam o contribuinte que se apresentasse à DP para requerer serviços.
Lembravam sempre em momentos de descontração de uma certa feita em que um paisano despenhou-se para baixo de um birô no tilintar de trovão do telefone e não havia santo que fizesse o homem acreditar que fosse apenas uma campainha.
- Me alcança uma arma que eu ajudo! Tá vendo alguém? São muitos? O ronco é de calibre grosso, podem crer.
- Tu és prejudicado de guerra, vivente! Sai daí debaixo e te apruma nos conformes que isso aqui é só local de trabalho, não temos plantão médico. Alguém traz aí um chazinho pra acalmar o moço dos nervos, convocara o delegado que ouvia a parte numa queixa contra uma vizinha.
- A sirigaita põe a vitrola no último furo, com aquelas modas de viola e fica se estufando pros moleques da rua toda. Já tem gente chegando até da rua de baixo pra visitar o ponto turístico. É pura algazarra o dia todo. Até dez da noite, quando ela desmancha o teatro...
(Baixe o texto para continuar a ler)

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Adroaldo Bauer Spíndola Corrêa
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Criação de Adroaldo Bauer
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Benny Franklin
 

Adroaldo... Puxa!
Viagem ao fundo da Alma... Ou do Ser.
Rara inspiração de quem domina - como poucos - o existencialismo celestial das palavras, combinado com o êxtase espermático de seu Construtor/Carrasco.
Sou seu fã, Mestre. Isso, diz tudo.
Abçs. Benny.

Benny Franklin · Belém, PA 1/8/2007 18:37
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Ize
 

Ai Adroaldo, que já estou eu aqui totalmente capturada por suas idas e vindas. Que vai ser da minha vida real, que já anda tão prejudicada depois que me tornei uma overmundana? Quando virá o III ? Vc vai publicar essa outra novela assim em folhetim? Pobre de mim. Com o Dia do Descanso de Deus eu tinha certeza que qdo voltasse à noite, ele estava ali ao meu alcance. Se o bebi a conta-gotas foi porque quis, pra economizar deleite. Mas esse conta-gotas forçado me deixa na mão. Fazer o que? Peço desculpas pela intransigência.Mas foi vc o culpado.
Bj da leitora esfomeada

Ize · Rio de Janeiro, RJ 2/8/2007 11:36
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Adroaldo Bauer
 

essa possibilidade de ir escrevendo enquanto a carroça despenca morro abaixo é também uma aventura nova para mim. então, o que dizer, Ize, teremos o tempo que o tempo nos permitir. e vamos lutar para que nos permita mais tempo para servir a quem é a verdadeira vontade: a pessoa que lê.
(depois se sair apressado, desconjuntado, fora de foco, sem nexo, personagem nati-morto, ajudem todas vocês a editar...)
- peraí, isso tá parecendo ameça, apaga tudo.
- não dá mais, pensei, escrevi.
- dá sim, tá em edição, dá pra mexer em tudo.
- dá não, tá em votação, já.
- não, esse ainda tá na edição, ficou doido?
- É que eu escrevi o que pensei e...
-----
Bem, resta agradecer o incetivo assim tão generoso, Ize e Benny

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 2/8/2007 12:45
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Adroaldo Bauer
 

Aviso às pessoas interessadas:
Pão quente na hospedaria

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 3/8/2007 14:34
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Noelio Mello
 

Amigãp Aroaldo.
Escrever, descrevendo um ambiente, um fato, um frio que gela, uma mulher quase louca de desejos ao som de uma vitrola - há tempos não lia palavra tão poética de um passado distante- é próprio dos mestres escritores como você. Esse conto ou novela, é fantástico. Nessa hospedaria eu voto com prazer, mas quero ficar bem longe dela( rss)
Parabéns, mestre
Noélio Mello

Noelio Mello · Belém, PA 3/8/2007 18:29
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Spírito Santo
 

Adro,

Agora sim, percebo que o bicho te pegou de vez (o diabo, talvez). Não tem como dizer que comeu e não gostou (eu, no caso). Você não deixa barato para o leitor não.
Calma, homem. Respira fundo escreva aos sorvos, assim.
Sorvos, amigo. Trancos e barrancos.
Grande abraço, com gosto pelo que li e pelo que virá.

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 3/8/2007 22:39
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Andre Pessego
 

Professor, deixa lhe contar não terminei de ler o primeiro está emprestado, para a mulher do meu Mestre, estudante de letras fazer um trabalho de obras inéditas, me levaram no 5 capítulo acho, e esta legal, um abraço andre

Andre Pessego · São Paulo, SP 4/8/2007 11:05
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Spírito Santo
 

Adro,
Quantos capítulos já tens? me manda os links. Pensava que fossem só dois.

Abs,

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 4/8/2007 12:11
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crispinga
 

Fechando a votação, querido!
E aqueles olhos verdes a me chamar...
Beijos
Cris

crispinga · Nova Friburgo, RJ 4/8/2007 14:12
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Adroaldo Bauer
 

Agradecido a todas vocês, sempre almas muito generosas a falar de bem e para o bem, estimulando esse vosso escriba a se puxar pelos cabelos para tê-las atentas às letras que vão aí se enfileirando e, quem sabe, se enovelando, contando um conto.
Como já temos as três peças do jogo, disse aí em cima e na abertura da Parte III, são felizes vocês e torturado eu que devo encontrar de dar cabo do que reste, sem saber ainda para que o conjunto se preste.
Cris,
Tens já o teu exemplar de O dia do descanso de Deus, então há para ti um pouco mais de calma de mim.
Spirito,
Não sei ainda o que pode ter acontecido porque o linque para a terceira parte, não necessariamente terceiro capítulo, estava dando acesso direto, e agora, esse aí de cima, de aviso à pessoa interessada, no meu segundo comentário ao postado, não mais lá chega.
Então, posso dizer que está ainda em edição e que se deveria chegar a ele clicando aqui o que espero que aconteça porque com esse frio eu não gosto de andar de bug
(ou seria búgui).
Para todas as finalidades, pessoas amadas, se não der pelo linque para lá chegar, passem no perfil desse vosso amigo e acessem A Hospedaria do Diabo - Parte III, lá mesmo.

André,
tenho muitos relatos desse tipo (uma meia-dúzia no mínimo) de que marido tomou de mulher, mulher tomou de marido, mãe tomou de filha, filho tomou de mãe e, dizem todas as pessoas, não devolvem enquanto não encerram a leitura.
Isso me dá uma gratificação extra, que era inimaginável.
Pensei: é uma novela para as férias de julho, quem as têm.
Pra ler no ônibus, daqueles que se pega por duas horas para ir e voltar do trabalho e da escola, embora a letra seja miúda. Acabou sendo assim e mais, o que me deixa feliz.
Posso dizer, então, mestre: é da vida e a vida é dura, camarada.
Benny e Noelio, sabem vocês que sou agradecido ao que dizem sempre de meu texto aqui. Vou levando em conta com descontos à diplomacia e à etiqueta, mas creiam que estou acreditando. Só não posso ficar me achando, como diz a meninada, então sejam mais comedidos porque eu os levo muito a sério e fico enrubescido, encabulo até.
Não perco a oportunidade, entretanto, de lembrar-vos, aos dois, que nessa conversa que já vai longa aqui, sois ambos os únicos que ainda não têm ou não tiveram (ainda que por pouco, como André) O dia do descanso de Deus em mãos.
Aproveitem que ainda tem uns uns 380 exemplares, não sai feito água na praia, mas creio que vão durar mais uns
60,
59,
58,
57,
56,
55,
54,
53,
52
dias...
Penso em fazer, sim uma segunda edição - e por conta ainda, por isso não saberia dizer quando - , porque, vejam só o que são as letras pátrias, a novela não ganhou uma resenha ainda desde a publicação. Tenho muitos lindos e estimulantes comentários de leitores no Retorno Imperfeito, mas nenhuma resenha de qualquer profissional da área.
A minha não vale e eu resenho ou resumo, ou apresento uns cinco seis por mês na coluna que mantenho no Fala Brasil, um mensário aqui em Porto Alegre.
Não reclamo, só registro, porque venho vendendo a leitores, sim, a amigos, amigas, novos amigos, novas amigas e, até a pessoas que não conheço, alguns poucos exemplares, que já somam esses 620 aí (que incluem uns 80 doados a bibliotecas e colegas jornalistas).
Perdão pela aparência de desabafo, mas é assim que penso e, quase sempre, se posso, escrevo o que penso.
Abraço de amigo.

-----
Então Dona Ize, pensa que adiantou se sconder aí atrás do brinco bonito. Eu a reconhci de pronto, e agradeço seu entusiasmo e estímulo, que - confesso aqui - a terceira parte saiu assim tão de pronto muito em razão de vossos comentários, querida amiga e leitora. Apenas fico sem jeito de não saber lhe responder sobre como fazer para ter o objeto, suporte das letras. Nem ouso sugerir que mova seu pecê até próximo da cama e o ponha acesso no criado mudo, porque, assim o fazendo, ter-lhe-ia eu que oferecer a continuidade célere e o fim imediato dessa história recém-esboçada.
Posso prometer que ela um dia será concluída. Cumprir a promessa serão outros quitutes que espero poder realizar.

Té, gente.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 4/8/2007 14:53
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Frazao my brother
 

A vida como ela é, estilo Nelsinho. Muito bom.

Frazao my brother · Anastácio, MS 5/8/2007 08:07
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Lígia Saavedra
 

Ufa! Adroaldo, e eu achando que já conhecia bastante de suas obras.
Escreva muuuuuito, assim aprendemos mais.
Bjs

Lígia Saavedra · Ananindeua, PA 5/8/2007 15:51
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Adroaldo Bauer
 

Falas de Nelsinho Piquet, por certo, Frazão, com toda a certeza, penso eu.
Ele lá naquela escolinha de motoristas pra renovar a carteira de habilitação, eu aqui na lida da criação.

É já o suspense, ou só o cansaço que te afligiu, Lígia?
Escrevo mais porque aprendo com vocês.

Sabem que a terceira parte já está em votação, por certo?

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 5/8/2007 17:25
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Adroaldo Bauer
 

A Parte IV da Hospedaria do Diabo já está no prelo.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 17/8/2007 13:56
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Frazao my brother
 

O Nelson Piquet renova a habilitação para poder estacionar na garagem da Hospedaria do Diabo. Eu me referi a Nelson Rodrigues, o pernambucano, cujo estilo coloquial me faz lembrar sua bela trama.
abraços

Frazao my brother · Anastácio, MS 22/8/2007 12:46
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Adroaldo Bauer
 

Já em votação a Parte VI da Hospedaria do Diabo

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 10/9/2007 09:12
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soninha porto
 

Perfeito o teu conto amigo! Me pegou pelo cabresto a admirar tuas letras enfileiradas nos meus olhos e na minha alma, hehehehe, poebeijos.

soninha porto · Porto Alegre, RS 12/3/2008 08:16
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Adroaldo Bauer
 

Sabes, Soninha, que são oito capítulos já, ainda que tenha embatucado por uns tempos, devo avançar para terminá-lo em breve. Os demais capítulos estão aqui, clicando no linque chegas lá, se não já foste.
Mas bah, amigo Frazão, fiquei esse tempo todo, desde agosto do ano passado refletindo no que dissestes aí dos Nélsons. E conclui que é uma demasia tua, coisa de amigo dos bons para estimular o novo escriba. Agradecido. (Bela desculpa farrapa criei para explicar minha inexplicável falata de consideração com teu comentário. Perdoado espero ser, Frazão. Grato.)



Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 12/3/2008 12:51
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Adroaldo Bauer
 

Terminada ontem minha segunda novela "A Hospedaria do Diabo" (nome provisório), concluo a revisão editorial ainda em janeiro. Apronto pra gráfica em fevereiro. Saio de férias em março. Penso em lançar o novo livro até maio.

(não esqueçam que entre esse oitavo capítulo aqui e os que somaram 41 no total, fiz um enfarte no ine3dquecível abril de 2008, encontrei um amor novinho em folha no aprazível abril de 2009, intenso e eterno até setembro do longínquo 2009).
Após o lançamento, ou mesmo antes, penso em retormar o segundo episódio das minmha primeira novela O Dia do Descanso de Deus (disponível para dowload aqui).
Por certo, salvam-me os versos parcos, nos intervalos sem amor.
Terno abrço a todas as pessoas aqui.
Perdão pela demora involuntária.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 25/1/2010 14:02
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Spírito Santo
 

Tô ligado, parceirão.

De novo, depois de um mês, com PC em casa. Visita de médico que a caixa está pelas tampas.
Volto para os papos qualquer hora destas.

Grande abraço

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 12/2/2010 11:38
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