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A Hospedaria do Diabo - III

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Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS
6/8/2007 · 103 · 10
 

Chego a uma terceira parte de Hospedaria do Diabo. Ainda sem saber se esgotar-se-á em um conto.
Parte I e Parte II estão também em Overmundo.
Convido à leitura e à crítica, as personagens principais já existem todas. À exceção de que o engenho crie algo maior adiante, ápós
aqui há mais dificuldade para reorientar ou desistir da história. Isso já me sucedeu em O dia do descanso de Deus, do que já falei aqui em Overmundo na entrevista a Juliaura.
Aguardo os comentários.

III
A intermitência da estrepitosa sirene de um carro de bombeiros acordou de supetão o Morro da Carlotinha Piá. Adultos e crianças correram às janelas e portões. As de colo e os bebês desataram em choro. Polvorosa era aquilo. As vielas estreitas e o barral não permitiam progresso rápido ao caminhão. Enfiados em improvisados abrigos contra a chuva, que iam de chambres a toalhas, passando por sacos de aniagem à moda de capotes, a multidão que se formou rápida abrandou ainda mais a velocidade da marcha. Formou-se procissão à entrada da pequena vila onde o chamado telefônico dizia estar acontecendo um incêndio.
A sirene ruidosa convocara mais que a urgência. Espicaçou a curiosidade do povo. A guarnição emperiquitada no carro parecia de santos em andor. Não faltaram sombrinhas, guarda-chuvas, até guarda-sóis de praia arremedando estandartes. O séqüito transmudou-se em fúnebre cortejo no minuto mesmo em que a sirena foi desligada. No cume do morro, a um canto de uns matos, uma casinhola isolada ardia em chamas mesmo sob a chuva, que já arrefecera do temporal que fora há menos de meia-hora.

Valafora escolhera a perua preta com faixas brancas para subir Ao Morro da Carlotinha, argumentando ao parceiro que o veículo maior emprestava mais autoridade à operação que o pequeno sedan. Na embarrada curva de acesso à via principal da vila, com a redução de marcha, a perua refugou o aclive e quase desanda morro a baixo, em ré. Cheguêva grudou-se ao freio-de-mão enquanto gritava para o colega engatar a primeira marcha que acavalara a transmissão.
- Aí doutor! Essa lomba dá trabalho até pra caminhão de gás. Toca de freio puxado que ajuda.
Cheguêva nem Valafora estranharam o cumprimento nem a orientação, que acabou ajudando. Venceram a lomba em curva em segundos que pareceram horas de aflição, mais pela expectativa do vexame que dariam em público do que pelo risco corrido. Não estranharam a quantidade de gente acompanhando a perua à frente e nas laterais por terem já ouvido há bem dois quilômetros dali o inconfundível sinal dos bombeiros.
- Então, colega, adiante: roda a manivela e faz soar a sirene e vê se afasta esse povo que não tá ligando pra autoridade do teu camburão. Valafora não respondeu, mas obedeceu. Ele mesmo improvisara a sirene manual desde que a de fábrica há muito pifara sem concerto. Pegou uma extensão de fios por debaixo do painel dianteiro do carro, ligou nos contatos e rodou com volúpia quase infantil a maquineta posta para fora pela janela.
Abriram alas muito lentamente na multidão e invadiram o pequeno sítio da funesta ocorrência. A guarnição dos bombeiros encerrava já os trabalhos. Pouco pudera fazer além de recolher os corpos carbonizados de uma mulher e duas crianças para um rabecão e isolar o acesso à casinhola em escombros, as toras de madeira do telhado arriado pelo fogo ainda esfumaçando do rescaldo ajudado pela chuvarada.
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informações

Autoria
Adroaldo Bauer
Ficha técnica
Em produção
Conto ou novela
Terceira parte (não necessariamente terceiro capítulo)
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crispinga
 

Querido Poeta,
Recebí o livro, agradecida e curiosa .....
Mais ainda com este seu postado...
Bjk
Segunda , me aguarde!
Cris

crispinga · Nova Friburgo, RJ 3/8/2007 22:38
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Ize
 

Demais o III. Vou dormir feliz, mas nem tanto que gosto do objeto livro em minha mãos qdo deito. É uma espécie de ritual. Não ligue não. Coisas de leitora chata. Não daria pra viver no tempo em que novelas e contos eram publicadas nos rodapés dos jornais. Sou curiosa além da conta. E gosto de mandar eu mesma no andamento da minha leitura. Isso de fazer o leitor parar de ler de repente é muita maldade rsrsrsrsrs.
Tudo isso pra dizer que estou AMANDO!!!!
Que venha o IV.
Abracinho

Ize · Rio de Janeiro, RJ 4/8/2007 00:48
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Saramar
 

Ai, que estou adorando essa novela.
Quando chega ao fim, fico meio boba, querendo mais.
Não demore, por favor.
Agora sei o que sentiam as pessoas lendo os romances em capítulos nos jornais.
É muito bom, principalmente sendo um enredo de suspense como este.

beijos
P.S> Os nomes dos policiais são sugestivos demais.

Saramar · Goiânia, GO 4/8/2007 18:13
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Adroaldo Bauer
 

Cris,
Já é quase segunda. Estou aguardando. Grato.

Ize,
É bom estar amando, em todos os mais puros sentidos.
Por exemplo, amei teu brinco.
Pra que servem os contadores de história se não para contar histórias, não é fato?
Agora, teu pitaco lá nas conversas do fórum, penso eu, rebentou as cercas daquele brete do nosso amigo Benny.
Não é só aquela indagação dele, é ela e mais a tua: o que é mesmo poesia, poema?

Saramar,
Os nomes são a pior dificuldade d'eu escriba para encontrar. Tenho tantas almas caridosas, generosas amigas minhas que fico cheio de dedos de achar um nome para uma personagem que, na arrancada, sequer sei vilão, herói, herói-patético,
então fico dando tratos à bola e saem essas pérolas.
---
Adoradoras de novelas, unam-se, nada tendes a perder senão a paciência de aguardar pelo escriba.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 5/8/2007 17:19
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Spírito Santo
 

Adro,
Excelente! Vai ser novela. Pronto. Já está aparecendo o risco de novela nesta terceira parte.
Pureza de estilo! De tão acertada, a mão parece quase que é a mão de Deus...tá, vá lá, do Diabo então.

(Na edição eu separaria os tais blocos - você já os fez prontos, é só separar os parágrafos - e punha os diálogos com a fonte inclinada, também separados, para ressaltar)

Amigo, deu aquela leitura num sopetão só e meus bagos doem, se é que me entendes.
Parabéns!
Abs,

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 6/8/2007 08:37
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BETHA
 

ADROALDO,
valeu pelo convite. Essa leitura em pedacinhos é estimulante, porque a história é boa, claro.
Abraços de Betha.

BETHA · Carnaíba, PE 6/8/2007 08:55
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Noelio Mello
 

Adroaldo.
esses teus belos textos encantam e enfeitiçam como os folhetins que eram publicados nos jornais da minha adolescência. Acredito que a Hospedaria do Diabo, poderia virar um livro fascinante. Pensa nisso, mestre.
Abraços
Noélio Mello

Noelio Mello · Belém, PA 6/8/2007 11:36
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Noelio Mello
 

Noelio Mello · Belém, PA 6/8/2007 11:36
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Adroaldo Bauer
 

A Hospedaria do Diabo - Parte IV já está no prelo.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 17/8/2007 13:59
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Adroaldo Bauer
 

A Parte VI já está em votação.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 10/9/2007 09:15
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