I
Interações visuais, depois sonoras,
faces desconhecidas, e, após na latrina,
regavam sotaques,
uniam lugares,
iniciavam sentidos, olhares, sensos;
provocavam confiança desconfiada,
e quando asseados,
trilhando o caminho em retorno
ao comunitário do sono,
conversando, conhecendo, concebendo;
concorrendo dermes e epidermes, entre ela;
II
Corria-me por dentro o sangue
com tal rapidez que as carnes
fervilhavam de êxtase, e, assim,
passamos a entender o que ocorria,
na verdade.
III
No silêncio ela dizia:
– Vão-te!
Então, apenas a lua fitava a situação,
somente aqueles pernilongos insanos,
num período hermético,
belo tom discreto de violoncelo,
comprido e rápido;
completo e partido; e logo,
novamente, voltando àquele local
onde ela sonhava,
partiam para um sentir unido
no plano coberto.
IV
Carícias: um quase coito maduro
e inocente e visual, somente,
ao mesmo tempo – presumido;
e nós, dispostos ali até depois,
o tempo ia-se casualmente
e mais um momento raiava.
V
Viam-se em parceria constante;
convenciam-se de que era adequado,
e desde a alvorada até o fim do crepúsculo
não lhes passava nada no leito das idéias
que não fosse o brioso encontro.
VI
Fui levemente domado contigo,
talvez por decência,
talvez por exaustão,
talvez, ou de certo, ainda,
que fosse porque teu sonho e teu sorriso
foram capazes de paralisar-me
e consumir-me aos poucos;
e nesse consumo
(consumação verdadeira dos fogos),
nossas carnes ardiam num atrito
que iniciava pelos lábios.
VII
Cortavam-se com transeuntes doentes,
tentando conhecer o que maldizem,
mas logo, voltavam à consumação
que só o que fazia era ascender;
o tato rastejava,
as mãos sussurravam por entre as vestes;
VIII
Os olhos projetavam cenas eróticas de amor:
um escafandro pessoal que apenas nós,
sendo um, naquele instante,
veríamos numa versão virginal.
Não suportando a força de tanta emoção contida,
transportamo-nos para o único lugar previsto nosso,
durante aquela ferveção de almas
altas e tortas e loucas e tontas,
e que só pôde conter as vestes por segundos;
IX
Lá, defronte a obstáculos humanos,
dispersos em leitos suspeitos de alçarem-se,
o encontro progredia numa clausura
não-cárcere, não-reclusão;
um ponto guardado apenas para eles
e seus desejos doentes
por legítima vontade e disposição.
X
Roçamos os lábios, fervemos o sangue,
cantamos os punhos e as bocas reciprocamente,
e, felizes, sorrimos;
depois, transformamo-nos num emocionante
jogo de encanto e encaixe,
levantando, suando, abaixando, molhando, soando,
elevando aos ares toda essa interação bucólica.
XI
Eram instrumento vivo da excitação,
escravos da dor boa,
convencidos a perpetuar até o fim:
a antiga e fogosa arte orgástica
resultante da atração e repulsão de corpos
quentes e úmidos.
XII
Nesse instante de pino,
entrelaçavam-se os abraços,
as bocas sussurravam palavras
e beijos amantes,
na intenção de guardá-los
no reflexo de seus olhos.
Caxias-MA, 14-04-2009
É a história de um romance nascido do acaso, e que nem pelo acaso se escondeu. Que relembra instantes raros e belos, chegando a todos os estágios de uma paixão ardente (e inocente).
Junior Magrafil · Caxias (MA
A latrina, a lua e o escafandro
) Muito bom Amigo.
Poesia Graciosa e transbordando de amor.
Poesia tem de ter paixão e ser ardente, com sua dose de inocente.
Esta Cumpriu bem a sua missão que é de encantar.
...Fui levemente domado contigo,
talvez por decência,
talvez por exaustão,
talvez, ou de certo, ainda,
que fosse porque teu sonho e teu sorriso
foram capazes de paralisar-me
e consumir-me aos poucos;
e nesse consumo
(consumação verdadeira dos fogos),
nossas carnes ardiam num atrito
que iniciava pelos lábios...
Parabéns pelo trabalho que tem merecimento.
Abração Amigo
Magrafil: fiquei pensando na tamanha inquietude que os teus versos sugerem. Você escreve tão bem e descreve de forma tão marcante que é difícil sintetizar as idéias acerca dessa grande matéria amorosa. Parabens pelo transbordante exercicio poético que se transforma em convite para que nos debrucemos sobre os sentidos dessa ferveção de almas altas e tortas e loucas e tontas. Parabens. Bjos, Grauninha
graça grauna · Recife, PE 25/4/2009 00:17Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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