A letra e o espírito

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Circus do Suannes · São Paulo, SP
10/3/2009 · 137 · 38
 

O Papa, com sua autoridade de representante de Deus na Terra, afirma: todos os Papas são representantes de Deus na Terra.
( Do Livro das Sínteses )

Fui criado num lar cristão, mas jamais me foi imposto aderir a este ou àquele ramo do Cristianismo. Na minha juventude, quando ainda não se dizia que a única religião digna de tal nome era o catolicismo, sendo as demais meras seitas, travei contato com autores sérios, como Jacques Maritain, que me mostraram não haver incompatibilidade entre fé e inteligência. Impressionei-me com a santidade modelar de Albert Schweitzer, não reconhecida mais por motivos políticos do que teológicos. A honestidade do padre Paul-Eugène Charbonneau, ao reconhecer que eles padres haviam tantas vezes metido os pés pelas mãos, desgraçando a vida de muitas pessoas que se deixaram levar por alguns de seus descabidos conselhos, encantou-me. Em seu “Moral Conjugal no Século XX” ele não deixa por menos: “Quisemos fazer cristãos onde ainda não havia homens. O fato é que hoje não temos nem homens nem cristãos”. Li Alceu Amoroso Lima e me deixei tocar por sua visão humanista da fé, a mesma visão que havia levado o advogado Sobral Pinto, católico de missa diária, a defender comunistas, jamais por serem comunistas e sempre por serem seus irmãos em Cristo. Entre o estilo duro do Tristão de Ataíde e a leitura aprazível de um “Lições de Abismo”, do Gustavo Corção, eu creio que sabia distinguir entre fundo e forma. Li tanto as obras de Helder Câmara como as de João Mohana. A leitura do “Catecismo Holandês” convenceu-me de que era possível declarar-me católico e partir para leituras que meu despreparo e falta de atrevimento até ali não me haviam permitido.

Um movimento de cristianização de lideranças, nascido na Espanha, onde era considerado “de direita”, deu com os costados no Brasil e, por força da influência da Teologia da Libertação, passou a ser considerado de “esquerda”, simplesmente porque falava em “direitos fundamentais do ser humano”. Arrebatado pelos “Cursilhos da Cristandade”, procurei acelerar meus conhecimentos da teologia católica, valendo-me do pouco tempo que minhas atividades profissionais me permitiam. Tornei-me “rollista” e passei a divulgar, juntamente com outros leigos e sacerdotes, os preceitos evangélicos nas trabalhosas e cansativas sessões de fim de semana, para “cristianizarmos os ambientes”, como se dizia. Conservou-se no Brasil o termo “rollo” para designar cada um dos cinco sermões diários com os quais procurávamos incutir nos candidatos a “líderes cristãos” aqueles preceitos. Dentre tantas figuras conhecidas, ali estava o Eugênio Soares, cujo nome artístico já era sinônimo de inteligência e sensibilidade. Tornou-se, graças aos Cursilhos, “ministro extraordinário da eucaristia”, mister que desempenhava nas missas dominicais das dez horas na Igreja de S. Gabriel, no Itaim Bibi. O fato de a fila de fiéis que preferiam receber a hóstia das mãos do Jô Soares enquanto o sacerdote ficava segurando a hóstia à espera de quem quisesse recebê-la de suas mãos era apenas um pormenor folclórico.

João XIII dizia que deveríamos estar despertos para a movimentação dos ventos. E os novos ventos trouxeram para o Vaticano o polonês Woytila, figura carismática que sabia utilizar em sua atuação de Papa a inegável vocação para o teatro. Muito embora batalhasse com afinco para mudar o regime político de sua Polônia, proibiu os católicos da América latina de misturar religião e política, algo que estava na base dos Cursilhos. Nosso líder Leonardo Boff pagou com um primeiro “silêncio obsequioso”, imposto por um bispo de formação teutônica, sua insistência em tentar identificar “cidade de Deus” com “cidade dos homens”. Quando o mesmo cardeal Ratzinger tentou ir mais adiante em sua blitzkrieg contra a Teologia da Libertação, Boff preferiu falar de águias e galinhas e concentrar-se na salvação do planeta. Ironicamente, ninguém menos do que o mesmo Ratzinger é escolhido pelo Espírito Santo para guiar o atônito rebanho, que vê os templos católicos, em todo o mundo, transformarem-se em locais de peregrinação meramente turística, ao mesmo tempo em que as “igrejas eletrônicas” proliferam por toda parte, à custa da exploração de ingênuos e da passividade das autoridades públicas civis.

Minha ignorância não é tanta que eu desconheça a história da Igreja Católica e de seus principais Papas, dentre os quais o insuperável Rodrigo Gil de Borja i Borja, convertido, em inexplicável descuido do Espírito Santo, em Alexandre VI, pai de Cesar Bórgia e Lucrécia Bórgia, três nomes que dispensam apresentação.

Aprendi com Agostinho de Hipona que a fé nos testa a todo o tempo, o que ele expressou numa frase paradoxal: “Pai, que eu creia!” Com S. Juán de la Cruz identifiquei-me na descoberta de que entre a fé que tenho hoje e aquela que talvez eu volte a ter amanhã ou depois podem medear noches oscuras, o que até me levou a desabafar:

Se tudo fosse como um faz de conta,
cabeça tonta que girasse ao vento
e o pensamento nos levasse longe
e a voz de um monge, de serena face,
nos ensinasse coisas do viver?

Talvez não ter com que preocupar-se;
melhor calar-se que dizer tolice.
E quem nos diz se tudo isso é mentira?

E o mundo gira, qual um carrossel,
eu num corcel, saído do meu sonho,
onde inda ponho toda essa esperança.

Quem hoje dança? Que é da alegria?
Houvera um dia onde todos rimos;
depois saímos nós da juventude.

E quem se ilude quando há só velhice?
Quem foi que disse que há outra vida?
Gente iludida. A morte é que conta
e desaponta. Acabou-se o doce.


Tivesse eu o talento inspirado do grande santo espanhol expressaria minha impaciência com coisas belas como:

“¡Sácame de aquesta muerte,
mi Dios, y dame la vida;
no me tengas impedida
en este lazo tan fuerte;
mira que peno por verte,
y mi mal es tan entero,
que muero porque no muero!

Lloraré mi muerte ya
y lamentaré mi vida,
en tanto que detenida
por mis pecados está.

¡Oh, mi Dios! ¿Cuándo será
cuando yo diga de vero:
vivo ya porque no muero?”


Assim é a vida. O dia-a-dia testando-nos em nossas convicções mais profundas. Quando, em nome da lei, submeteram a adúltera a julgamento, quem atirou a primeira pedra? Você atiraria, cumprindo ao pé da letra a lei de Deus? Aquele que os católicos dizem ser o Filho de Deus limitou-se a dizer “Vai-te e não tornes a pecar” (João, 8,11), dando mais valor ao espírito do que à letra da lei. Como diria Saulo de Tarso, “a letra mata, o espírito vivifica”.

Que faria aquele mesmo Jesus se uma aflita mãe lhe pedisse que salvasse a vida da filha, uma menina de míseros 9 anos de idade, grávida (de gêmeos!) por força de um estupro contínuo praticado por quem deveria dar a ela exemplos de vida? Será que exigiria que aquela gravidez de altíssimo risco chegasse a termo, talvez com a morte das três crianças? Exigiria que aquela criança, caso chegássemos ao inesperável parto, visse pelo resto de seus dias aquela lembrança viva da violência animalesca a que foi submetida por quem traiu seus deveres mínimos de pai? Qual seria o valor maior a ser preservado?

Não será descabido recordar que esse apego à letra da lei era uma característica dos fariseus, que o mesmo Jesus de Nazaré chamou de “sepulcros caiados”, pois eram, segundo ele, “brancos por fora e podres por dentro” (Mateus 23,27).

Sobre a obra

Entendo que o silêncio diante de determinados temas é conivência. Eu não poderia abordá-lo sem as considerações prévias do texto. Não estou condenando nem julgando ninguém. Quis apenas trazer aos leitores minha enorme perplexidade.

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Ivan Cezar
 

Suannes:

O que preocupa é que a ideia que predomina internamente na Igreja (em silêncio) é aquela permeada no pensamento de Jose María Escrivá ...outros líderes católicos mais abertos ao debate ganham mais espaço na mídia, mas muito pouco dentro da própria Igreja.
Seu postado trata de um tema tão delicado que é "ruim" até de postar uma opinião, porque impossível fugir da polêmica ... mas o certo é que muito provavelmente estejamos próximos a um novo enfrentamento religioso a nível mundial . Há sinais claros - muito visíveis - disso ...
Um abraço !!!

Ivan Cezar · São Sepé, RS 7/3/2009 20:44
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graça grauna
 

melhor calar-se que dizer tolice.

Meu poetamigo Suannes: agradeço a Ñanderu ter você por perto e poder neste momento aprender a discenir os bons e maus momentos com a sua sabedoria. Que Ñanderu te conserve sempre assim. Bjos de luz, Grauninha

graça grauna · Recife, PE 7/3/2009 20:52
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graça grauna
 

...concordo com o nosso amigo Ivan: é difícil mesmo fugur da polêmica. Bjos.

graça grauna · Recife, PE 7/3/2009 20:56
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raphaelreys
 

O maior perigo na jornada é a letra morta dos textos e a fala neurótiza dos pretensos evangelisadores. Sócrtaes, o mestre dos mestres implantou a maiêutica, ao invés de doutrinas compulsivas. Cda alma trás no seu imo o conhecimento de outras eras e de outras experiências. Somos filhos das estrelas e o importante em qualquer jornada é a missão em apoio ao que estão desesperados ou na busca. Evangelizar não é pregar é sugerir e deixar que a individualidade do ouvionte tome o seu caminho atravéz do seu arbítrio!

raphaelreys · Montes Claros, MG 7/3/2009 20:59
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victorvapf
 

A Igreja e' sempre questionada...
Quanto ao aborto faço uma simples pergunta

Se fosse a gente que estivesse em gestação...apoiariamos o aborto

victorvapf · Belo Horizonte, MG 7/3/2009 21:37
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
joe_brazuca
 

Antes de qq coisa, o Ivan "falou e disse" : mais um tema polêmico aqui se instaura, sem "preconceito"...
É por essa e por outras tantas, como pedofilia e pederastia entre muitos "servos da igreja de roma", que absurdamente AINDA não podem se casar e contituir família, ao cruel e completamente desnecessário celibato ( essa é outra questão pra la de pomêmica...ja pensou a igreja católica ter quem pagar pensão às possiveis "esposas" separadas de padres ?...rsrs) ,que este mesmo "cristo" de roma vem perdendo ( acho que desde Lutero, se não me falha a memória...rs) para o "cristo-eletro-facista" dos templos do "Capitalismo dos Ùlimos dias", dos "self-made Dollar's Bishops"...
Suannes , como não poderia ser difetente vindo voce, foi fundo com erudiçao e conhecimento, mas me permita ir direto na ferida : este "padreco" ( se me permite a ênfase "negativa") não só tomou os pés pelas mãos no sentido religioso, como tropeçou feio na legitimidade dos fatos...Me perdoe a "direta no queixo", mas não passa de mais um imbecil "abatinado", que infelizmente, e é claro isso, não teve a aportunidade de desenvolvimento nem mental, nem social e muito menos "religioso"...
Uma coisa te digo : sinto muito os que discordarem, mas o "deus" dele não é o meu Deus.
O pior de tudo, pelo silêncio que ora se faz na "organização vaticana", com a anuência papal, por "supesto"...
Vale lembrar que é fácílimo benzer em nome "do Senhor", paramentado de ouro, com todas as cúrias à sua proteção, quando não se tem família, filhos, coisa e tal, escomungar a todos "como se fosse adiantar algo de prático e pragmatico...
Deus certamente ( neste caso, pois tb não somos adeptos do aborto à "qualquer preço...) salvará aos que decidiram por salvar a pobre menina de um futuro desastroso...
E o padreco que se cuide na hora do juizo final......rs

joe_brazuca · São Paulo, SP 7/3/2009 22:32
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danlima
 

suannes, um texto lúcido e oportuno sobre a intolerância e a falta de humanismo, na aplicação de principios que se julgam tão rígidos mas que não pdoem nortear o comporrtamneto dos homens, assim, como se fossem verdades absolutas. Sou católico, desde cirança, frequento a igreja, faço parte de movimentos na paróquia, mas não comungo todos os preceitos da igreja, tal como esse, que em nome de Deus quer deixar acontecer um fato aimapensável... Deus, como vc. colocou aqui, perdou a adúltera, a criminosos, a ladrões, Deus é o amor maior e este amor tem que perdoar sempre, Ele quer a vida e quer seus filhos em alegria e em paz...Seu texto espelha maravilhosamente a atolerância e o humanismo, com referências ricas e imprtantes, que deveriam nortear todos aquels que tomam decisões. aBRAÇOS. dANILO

danlima · Brasília, DF 8/3/2009 12:44
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peninha
 

Agradeço ao caro amigo pelo convite para conhecer e avaliar(pretensão) seu post.
Fiz Dload dele para ler com a devida e necessária aplicação.
Volto mais tarde.

peninha · Butão , WW 8/3/2009 16:45
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Edson Bueno de Camargo
 

O advogado da Arquidiocese de Olinda ao pedir que a mãe da menina estuprada pelo padrasto seja indiciada por aborto ao permitir a retirada dos fetos, é no mínimo homicida, uma vez que a condição da gravidez fatalmente levaria a criança à morte.

Aliás a Igreja católica matou milhões de pessoas em sua história, por acreditar que coisas são injustificáveis perante á igreja. Gostaria de saber o que a Igreja Católica Apostólica Romana tem contra ás mulheres, suas vítimas em potencial, quer seja no fato de terem prazer quando fazem sexo, e não são só máquinas de ter filhos. Já que não podem matar pessoas em massa como nos tempos dos Santos Ofícios, resolveram agir a granel. Crianças de nove anos nem deveriam estar grávidas, quanto mais levar a termo uma gravidez que poderá matá-la, e ainda mais por cima do fruto de uma violência inominável.

Acredito que se o padrasto estuprador se confessar ao padre será absolvido do pecado de ter abusado da enteada, mas a menina será condenada ao inferno por terem tirado de seu ventre o resultado nefasto de uma violência sem tamanho.

Graças a Deus, a mesma Constituição que o advogado do Diabo da Santa Sé, diz se basear para tamanha imbecilidade, também nos garante direito de não ter de ser submetidos a qualquer religião. O estado no Brasil é laico, e o aborto deveria ser um direito à muito tempo. Como já disse um ministro da saúde uma vez, se os homens é que parissem o aborto já seria legal no Brasil.

Edson Bueno de Camargo · Mauá, SP 8/3/2009 17:12
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Edson Bueno de Camargo
 

Em tempo, se eu estivesse em gestação e meu nascimento significasse o sacrifício de minha mãe, doaria minha vida sem questionamento.

Edson Bueno de Camargo · Mauá, SP 8/3/2009 17:15
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Doroni Hilgenberg
 

Grande texto Adauto,
Esse causo nos deixou perplexos, afinal, a menina é uma criança ainda, e submeter seu fragil corpinho à violência de um parto nessas circunstâncias, seria um crime maior ainda. N ão podemos ser coniventes com essa arbitrariedade, só porque a lei diz que aborto é crime.
A Lei tem um peso e duas medidas que tende sempre a prejudicar o lado mais fraco.
Se aborto fosse crime...Nossa!!!! Quantas dondocas por ai estariam a ver o sol nascer quadrado.
Não aprovo o aborto, mas não condeno em determinadas circunstâncias.
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 8/3/2009 20:45
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Circus do Suannes
 

Deixemos bem claro o seguinte: segundo a nossa legislação, o aborto é permitido quando a gravidez é resultado de estupro. É o que diz o art. 128, II, do Código Penal. Cuidando-se de uma criança, como no caso, a violência é legalmente presumida e cabe a seu representante legal dar o necessário consentimento.

Circus do Suannes · São Paulo, SP 8/3/2009 22:14
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Doroni Hilgenberg
 

É isso ai!!!
No caso a representante legal ( a mãe) deu o consentimento
e foi excomungada juntamente com médicos e etc.
É por essas e por outras que eu ainda prefiro trazer Deus no coração e não venerá-lo pela letra.
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 8/3/2009 22:50
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joe_brazuca
 

Edson Bueno de Camargo !...pois é , amigo ! ...exatas e verdadeiras, as suas palavras e analise dos fatos !...só não enxerga quem é cego ou turrão, como "os algozes" em questão, né mesmo ?
abraço

joe_brazuca · São Paulo, SP 9/3/2009 01:12
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Onivaldo Paiva
 

NOCHES OSCURAS... São os tempos que vivemos, Suannes. “Noches oscuras” é o tempo que o autor parece estar vivendo agora.
É, Suannes, o Bispo de Hipona tinha razão: “a fé nos testa a todo o tempo”
Quanto à menina violentada e engravidada aos nove anos: o que esperar duma raça que, a crer na Bíblia, já na primeira geração praticou incesto? Ora, com quem Caim e Abel tiveram filhos? E como não duvidar de uma religião, uma vez ou outra, em que um papa, Alexandre VI, um Bórgia, dizem, praticou incesto?

Mas e a FÉ?
“...sem deuses não sabemos viver”. (Gustavo Corção. “Dois Amores, Duas Cidades)
“Sem o abrigo da fé é intolerável suportar o absurdo da existência.” (Frase meio adaptada de Erich Fromm).

Caro Souannes,
Respeito sua erudição, como também respeito este seu “A LETRA E O ESPÍRITO” que não chega a ser uma “Confissões” como a do Bispo de Hipona, mas não lhe fica muito a dever. Você nos traz um tema provocante e perigoso por que polêmico. Mas há que haver polêmica! Em uma época em que a “polêmica” que mais atrai é saber quem irá sair dum BBB, você, corajosamente, enfia a mão na massa (pra não dizer na m----) ao mencionar as “igrejas eletrônicas” que proliferam por toda parte, à custa da exploração de ingênuos, e ao expor as divisões na Igreja, com o caso do Leonardo Boff.
Ouso dizer-lhe que há semelhanças “técnicas” entre os Cursilhos e as ladainhas dos pregadores, sejam evangélicos ou dos que cantam Canções Novas, em que somos levados pela emoção e não pela razão.

Sou de opinião de que as religiões mais dividem que aproximam. E aquele Grande Mandamento: “Amar o próximo como a ti mesmo” é espezinhado principalmente por aqueles que se intitulam Profetas Dele.
Não é a Igreja Católica que é criminosa, pois que tanto fez o Bem como praticou o Mal, são as religiões que surgem com a oferta de amenizar a Dor do Homem, perdido no Universo, e acabam trazendo divisões, cada um com sua fé, cada um com seu deus melhor que o outro. E a religião que divide: Meu Deus versus o seu deus. O orar do evangélico versus o rezar do católico. O salvar pela fé versus salvar pela obra. (Efésios, 2, 8-9 x Tiago 2, 17-18)
Em algo concordam: Há que pagar o dízimo!
É o Cristo Vendido a toda hora por trinta dinheiros!

“E quem nos diz se tudo isso é mentira?”, disse Circus do Suannes em seu belo poema.

“A soberba gera divisão. A caridade, a comunhão.” ensinou Agostinho que disse tantas verdades. Embora eu, do Bispo de Hipona aprecio mais aquela: “Senhor fazei-me santo, mas não agora!” Ou seu dito teria sido este: “Senhor dai-me virtudes, mas não mas dai agora”? (cito de memória, porém o sentido é este).

A religião da qual você nos fala é a profunda, é a questionadora, é a plantadora de obras, não esta de templos arrecadadores de dízimos em cada esquina. É um padre Paul-Eugène Charbonneau, assombrado, nos alertando: “Quisemos fazer cristãos onde ainda não havia homens.” É a religião daquele Cristo que pouco foi aos templos, e quando foi, entrou de chicote, expulsando os “vendedores” de Deus.

Caro Suannes, você começou com religião e terminou com o estupro. Num, perplexidade e dúvidas, noutro, indignação. Também perplexo, me pergunto: Onde estaria Ele naquela hora em que a menina foi violentada? Onde estaria Ele naquela hora em que a menina engravidou? Quem sabe de Seus Desígnios?
Quanto ao aborto: Que se quebrem as tábuas da lei e se salve a menina.
Talvez eu não devesse ter vindo aqui, dizer minhas tolices, pois é “...melhor calar-se que dizer tolice.
E quem nos diz se tudo isso é mentira?”

Mas afinal “Inter urinas et faeces nascimur"

Onivaldo Paiva · Uberlândia, MG 9/3/2009 01:38
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Cláudia Campello
 

Isso é uma aula de teologia-politica- arte.

gostei mtooooo, meu caro Suannes !

bjssss;)

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 9/3/2009 15:01
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joe_brazuca
 

joe_brazuca · São Paulo, SP 9/3/2009 20:43
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azuirfilho
 

Circus do Suannes · São Paulo (SP)
A letra e o espírito
Parabéns Professor .
Um Trabalho bem feito.
Abrangendo um Universo Importantíssimo
Um Texto de Mestre. Uma Aula para descortinar um Saber relifgioso que normalmente nem acostumamos a acessar legal.
Parabéns Por fazer o Trabalho com o Conteudo já mastigadinho pra gente usufruir.
Abracáo Amigo

azuirfilho · Campinas, SP 10/3/2009 01:10
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raphaelreys
 

Voto lembrando a todos que o Vaticano é contra o uso de pílulas para impedir a gravidez desde que os seus laboratórios perderam a concorrência para fabricar as mesmas ditas pílulas anteconcepcionais. Uma organização perneada em inverdades, crimes de todas as naturezas, guerra psicológica e subliminar! São verdadeiramente " OS HOMENS DE NEGRO'.

raphaelreys · Montes Claros, MG 10/3/2009 06:04
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graça grauna
 

Meu bom amigo Suannes. Bjos, abraços e votos.

graça grauna · Recife, PE 10/3/2009 09:57
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Cláudia Campello
 

Deixo-te um carinho
e

bjsssssssss;)

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 10/3/2009 09:59
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Ivan Cezar
 

VOTANDO NESTE BELO DEBATE ESTABELECIDO PELA BELA INICIATIVA DESSE BELO OVERMANO ...

Ivan Cezar · São Sepé, RS 10/3/2009 11:09
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Doroni Hilgenberg
 

voltando
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 10/3/2009 11:15
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Eldo Meira
 

Texto de fudamento enobrecido com versos de gênio. O tema é palpitante, com introdução de mestre aborda um trágico, repugnante e horrivel fato. Gostaria de ter fé, mas muita fé mesmo, para crer que isso que está sendo divulgado não passe de uma farsa, de uma grande mentira.

Eldo Meira · Carazinho, RS 10/3/2009 16:50
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Cintia Thome
 

Isso que dá não ter Leis mais rígidas
Sou a favor da pena de morte e fim...e fim
Fim aos comedores de criancinhas..asco!

Cintia Thome · São Paulo, SP 11/3/2009 14:10
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Lila Su
 

Que me perdoem os demais, porém, depois das palavras do Brazuca e do Edson Bueno de Camargo, nada a acrescentar sobre "Heródes revival".Lila Su

Lila Su · São Paulo, SP 11/3/2009 15:37
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Ailuj
 

Um texto deveras forte e e como não sou hipócrita concordo com a Cìntia Tomé,
Nesses crimes,comprovados e hediondos devia existir a pena de morte sim pra travar os próximos que pensassaem em cometer tamanhas atrocidades.
Fazem e qdo vão[se vão]presos,ficam la sendo sustentados por nós e ainda reivindicanado boa alimentaçao,depois de um tempo sai por boa conduta ...e mais vítimas
Muito oportuno também o comentário de Rhafael que é um profundo conhecedor de tudo..
Abraços amigo e parabéns pela coragem de abordar um tema tão polêmico

Ailuj · Niterói, RJ 11/3/2009 18:11
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Erasmo Nascimento
 

Extraordinariamente interessante. Parabéns.

Erasmo Nascimento · Ariquemes, RO 11/3/2009 20:51
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Brida
 

Circus, sou católica, com Curso Superior de Religião pelos beneditinos (RJ), estudiosa da história e da teoria de religiões de modo geral.
Seu approach a tema tão polêmico é de grande lucidez.
Particularmente, no que toca ao Catolicismo, creio que a igreja temporal possui os erros próprios à imperfeição humana. Naturalmente que a religião catíolica em si não tem a ver com tais resvaladas.
Nós, católicos, somos membros do Corpo Místico de Cristo, esse sistema de vasos intercomunicantes por onde circula o sangue (leia-se essa metáfora com cuidado...) do Redentor. O triângulo Pai, Filho, Esapírito Santo, em suas relações intrínsecas e extrínsecas nos incluem como testemunhas ativas de uma messe em perigo a cada tempo diferente. O de agora é particularmente nefasto.
No passado (vide a Inquisição), erros inomináveis já foram cometidos graças à imperfeição humana e à aquiescência à corruptibilidade própria à nossa natureza tributária. Agpra, estamos vivendo mais um grande equívoco de visão do homem e de esquecimento da essência do Cristianismo.
Sou prudente nos assuntos tangentes ao Vaticano, por ser católica praticante. Sou mais prudente ainda nos julgamentos precipitados. MAS HÁ-QUE SE PENSAR NOS FARISEUS. E fazer a nossa parte.
Parabéns.
Estou em edição, se quiser me dar o prazer de sua visita:

www.overmundo.com.br/banco/rosa-rosae

Brida · Salvador, BA 12/3/2009 09:34
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Sandra Santos
 

Sou contra a pena de morte. Primeiro, porque a ninguém é dado o direito de tirar vidas; já dizia Gandhi : "olho por olho e todos estaremos cegos"; em segundo; porque pessoas que praticam crimes devem ficar vivas, a morte seria um prêmio.
Sofrimento maior que perder a vida é ficar sem liberdade (ainda mais com o nosso sistema prisional) e não há vida sem liberdade. Não tenho religião, apesar de , como a maioria dos brasileiros, ter formação católica. Não aceito a doutrina da referida Igreja. Os mais ortodoxos pregam o preconceito, são homofóbicos; contra o uso de preservativos; são homicidas, tendo em vista a famigerada epidemia de SIDA.
Quanto às outras religiões, necessidade do "homem" crer em alguma coisa. É muito mais fácil acreditar, do que deparar com a escuridão, mesmo que nela haja LUZ. Beijos.

Sandra Santos · Santos, SP 12/3/2009 10:24
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Onivaldo Paiva
 

RELENDO A SANDRA SANTOS:
"Sou contra a pena de morte. Primeiro, porque a ninguém é dado o direito de tirar vidas; já dizia Gandhi : "olho por olho e todos estaremos cegos"; em segundo; porque pessoas que praticam crimes devem ficar vivas, a morte seria um prêmio.
Sofrimento maior que perder a vida é ficar sem liberdade (ainda mais com o nosso sistema prisional) e não há vida sem liberdade. Não tenho religião, apesar de, como a maioria dos brasileiros, ter formação católica."

Uma lição de discernimento e tolerância digna de um Gandhi ou de um Lincoln.
"Quando pratico o bem, sinto-me bem; quando pratico o mal, sinto-me mal. Eis a minha religião." [Abraham Lincoln]

Onivaldo Paiva · Uberlândia, MG 12/3/2009 11:19
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Zé Preá
 

Como cheguei atrasado, só vou falar um pouco da decisão do arcepisbo de Olinda e Recife: surpresa pra mim seria se D. José não fizesse o que fez.

É a autoridade da ICAR que mais entende de Direito Canônico no Brasil e sabemos que existe cânone condenando o aborto, mas não o estupro.

Nesse ponto a ICAR se aproxima muito do Maluf: "estupra, mas não mata!"

A repercussão do ato do bispo foi a pior possível. No meio dos cordelistas a coisa desceu ao mais baixo nível em função da revolta dos poetas.

Selecionei apenas dois versos do poeta Torquemada (nome bastante significante) para falar da "sensibilidade" de D. José:

"Fazer uma pobre criança
Cultivar negra semente?
Só esse bispo demente
É capaz de tal lambança.
É arrancar-lhe a esperança
Da vida que Deus lhe deu,
E ao monstro que lhe ofendeu
Prestar apoio e conforto.
Tem que ser contra o aborto
Um aborto que nasceu".

E glosando um mote:

"Eu agora vou dizer com consciência,
Se o inferno existir, tenho certeza,
Esse bispo vai arder na profundeza.
Não respeita o ser humano e a ciência,
Ignora da criança a inocência,
Maltratada e estuprada sem perdão.
Seu destino vai ser morar com o Cão,
Se juntando, finalmente, à sua laia;
Toda vez que Dom Dedé levanta a saia
Vem porrada, castigo e excomunhão".

Diante de tanta contundência eu preferi me calar. Dizer mais o quê?

Desculpe, amigo, ter sido o último!

Zé Preá · Recife, PE 12/3/2009 19:07
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Zé Preá
 

Onde se lê "significante", leia-se significativo.

Ah, votado!

Zé Preá · Recife, PE 12/3/2009 19:15
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Lineu
 

Caro Adauto: se "nossa" igreja resolver excomungar a VOCÊ também, seu herege, venha para a "MINHA" igreja que o meu deus o perdoará. Mas passe, ANTES, pelo caixa, por favor.
Abraços.

Lineu · Valinhos, SP 13/3/2009 12:11
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Ana Neri Andrade
 

Cheguei atrasada@!!
Mas gostei!!!

Ana Neri Andrade · Porto Alegre, RS 16/3/2009 01:28
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camuccelli
 

Estava pensando justamente nisto hoje.Agora leio.Antigamente a igreja ESCOMUNGAVA os fieis infieis,e o coitado padeicia por crer naquilo.Hoje em dia,esse ato vira comédia e não há validade para a praga.Será que evuímos,ou a praga nunca existiu.Vivemos daquilço que cremos.Hoje não se compra mais fé em pó.

camuccelli · Rio de Janeiro, RJ 16/3/2009 16:28
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Renato de Mattos Motta
 

Adauto, amigo
obrigado por este texto extremamente pertinente!
admiro Cristo, mas não sóu católico, estudo a Bíblia e, assim como todos os demais Livros Sagrados que me caem em mãos, do Bhagvad Gîta ao Livro dos Mortos Egípcio.
Tenho certeza que a esses padres e bispos que ameaçam (e cumprem) com excomunhão a médicos que cumprem seu dever, Cristo diria: "como ousas falar do argueiro no olho do teu irmão se não vês a trave no teu próprio?" ou talvez ainda "aquele dentre vós que não está em pecado, que atire a primeira pedra!
Parabéns !
Claro que já tens meu voto!

Renato de Mattos Motta · Porto Alegre, RS 17/3/2009 03:10
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Selma Santos
 

Li. Reli. Entendi. Lembrei-me ...
Excelente e prá poucos...
Selma

Selma Santos · Socorro, SP 2/4/2009 00:27
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