A lua, a brisa e a praia.
Já era madrugada, todos bebiam e conversavam ao som de músicas alternativas. Estava cansado, a conversa já não o interessava mais, a cerveja estava quente, a vontade de beber acabara. Resolveu se levantar da mesa, deixou a lata e caminhou até a beira da piscina. A brisa do mar estava gelada, o frio de 15 graus, deixava todos sonolentos. Olhou para as estrelas e viu a lua grande e brilhante no céu, que deixava reflexos no mar. A praia com a luz da lua e das estrelas, a areia gelada, o frio da madrugada, a brisa do mar. Depois voltou o olhar para a casa as três pessoas na mesa, gritavam que nem loucos, ao mesmo tempo em que viravam uma garrafa de colonial (cachaça). Virou o olhar um pouco pro lado e viu um amigo sentado no chão cabisbaixo, que, em seguida, vira a cabeça pro lado e vomita. Olhando pra dentro da casa, casais dormiam juntos nas redes, um esquentando o outro no frio da madrugada. Voltou o olhar pra praia, pro mar, logo resolveu ir até lá.
Estava descalço, a areia gelada, usava duas blusas, mas o frio era grande. Continuou andando rumo à beira do mar. A areia branca, a sua sombra negra aumentava cada vez mais, o som do mar era o único som que escutava agora. Parou a uns sete metros do mar, em um morro de areia. Sentou e ficou apreciando o mar, aquelas pequenas ondas que quebravam e deixavam o mar branco. Olhou para o lado e viu um pequeno vulto a uns 50 metros dalí, sentado, sozinho, olhando para o mar. Fixou o olhar pra tentar enxergar melhor, não via direito, só dava pra saber que era uma garota, por causa de seus longos cabelos. De repente, a lua sai de trás da nuvem e ilumina, daí nota-se a beleza da garota. Sentada olhando sozinha para o mar, com o cabelo batendo na face e a cabeça procurando se aquecer nos seus joelhos. Era aquela a garota, não sabia o porquê, mas ela chamava a sua atenção. Lembranças vinham à tona. Ele a reconhecia. Aquela de quem ele foi afim a tempos, mas que nunca teve a coragem de falar com ela, poderia ela nem saber que ele existia. Pensou... pensou, era uma oportunidade única. Fazia muito tempo que não a via. Olhou para o mar, olhou para a lua que se escondia de trás de uma nuvem, escurecendo a praia, olhou para a casa que estava logo atrás, voltou o olhar para a garota solitária, olhou para o mar, fechou os olhos por um instante e se levantou, logo em seguida. Caminhava agora em direção à garota, no caminho pensava no que poderia falar com ela, não sabia o que falar, estava perdido, 'seja o que deus quiser'. A lua sai de trás da nuvem. Ele olha para a garota e pára de andar, perplexo. A água do mar, morna, batia no seu pé descalço e voltava para dentro do mar. Um rapaz chega por trás da garota, senta ao lado dela e a abraça. A nuvem cobre a lua mais uma vez, escurecendo toda a praia. Estava para chover.
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