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A magia da poesia
José Carlos Brandão · Bauru (SP) · 31/7/2008 23:40 · 135 votos · 20 comentários ·  
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overponto
O ninho do graveteiro é o seu poema.
O ninho do graveteiro é o seu poema.
A MAGIA DA POESIA

“A poesia não é magia. A transcendência da poesia, como de qualquer outra arte, acha-se na sua capacidade em dizer a verdade, para desencantar e desintoxicar” – disse W. H. Auden, que é um dos maiores poetas do século 20, sabe o que diz, e portanto merece ser ouvido. Mas a frase, aparentemente bela, contundente, com termos fortes que nos chamam a atenção, como “magia”, “transcendência” e “verdade”, parece que não funciona bem, que foi feita mais para impressionar.

Senão, veja só. Se poesia não é magia, é o quê? Qual é o elemento que torna um texto poesia, senão justamente a magia? As palavras se unem e, num passe de mágica... Não, estou me repetindo. De propósito, a repetição é um dos melhores recursos para se escrever. O escritor vai-se repetindo, e repetindo, e, por acaso ou bem por querer, chega lá – conduz o leitor até lá onde ele queria. O leitor diz: É óbvio! Estava na cara, era o que eu queria dizer! A grande arte do escritor é se apagar de tal forma, que o leitor pense estar descobrindo a verdade, a transcendência – para me ater aos termos de que Auden se vale.

Mas vou sem pressa. Eu falava da magia. Não num passe de mágica, mas num trabalho consciente do poeta, na medida do possível consciente, as palavras se encontram, se estranham ou se beijam, copulam, sim, como se fosse um ato carnal, e acontece a mágica: nasce o filho – a imagem, o inusitado, o milagre, a epifania, a revelação, uma faísca, um relâmpago... Você não chamaria a esse processo de mágica? Auden não fala na transcendência da poesia? Quer maior transcendência do que a magia? O mágico não é um iluminado, um emissário do transcendental, mas um operário, um artista da prestidigitação, especialista em enganar, em fingir (“O poeta é um fingidor...”, eu não queria citar Fernando Pessoa, já tão citado – mas tinha que falar em fingir!).

O próprio Auden não admite o transcendental? Oras, a poesia é uma iluminação. A palavra se transfigura, torna-se imagem, não tem mais o sentido banal, mas potencializa-se, num salto no escuro, para uma outra realidade. Toda arte é surrealista: transcende a realidade. O verbo de Deus cria o mundo. O verbo do poeta cria a realidade. Não aquela do pão-pão, pedra-pedra, nem a em que o pão deixa de ser pão e a pedra deixa de ser pedra, embora isso possa acontecer. Mas a do pão que é mais do que o pão, da pedra que é mais do que a pedra. A palavra não é a pedra ou o pão, é mais do que isso: é o absoluto.

A palavra é a imagem que o poema cria (Frost) e que cria o poema. Por que não chamar de magia a esse processo, se o chamou de transcendental?

Posto isso, vou ao fato mais grave. Onde está esse transcendental? Em criar a imagem, em iluminar, na revelação súbita de um dado do inconsciente, do real mais forte do que o real, ou de um outro real, ou apenas, basicamente, dar a ver o real? Não, o transcendental está em dizer a verdade. Certo que até um René Char disse que poesia e verdade são sinônimos. Mas René Char era um poeta alado, e sabia disso, não vale. René Char era um cavalo, pastava o sonho ou o capim da verdade, tanto faz. O difícil é ouvir um poeta como Auden dizer que a obrigação da poesia é dizer a verdade. O que é a verdade? A emoção do poema deve ser autêntica, os dados que são lançados ao acaso ou estruturados com o labor do artífice, esses dados, como acabei de dizer, foram manipulados pelo acaso ou pelo artista. Sempre achei o acaso um deus muito pobre, muito pouco deus, então fico com o artista, pobre, mas, enquanto artista, senão criador como Deus, ao menos bom manipulador.

Por fim, estranha a função do poema segundo Auden? Desencantar e desintoxicar. Perfeito. Aqui dou a mão à palmatória, embora preferisse o termo “encantar”. A poesia é um encantamento, ah, uma magia, voltei ao início. Mas pense em se desencantar e desintoxicar da burocracia, do mundo mecânico, artificial, das idéias feitas, etc. Perfeito. Uma bela função para a poesia, e já não mais tão estranha.
sobre a obra
Bato sobre a mesma tecla? O poeta só conhece as teclas da poesia.
Acontece que o texto anterior suscitou (boas) reflexões, e me lembrei de vários outros que tratam do mesmo assunto. Este foi escrito em 15 de janeiro deste ano. Diz quase a mesma coisa que o outro.
Diz o que o título diz: que a poesia é magia. Costumo advogar uma poesia mais racional; cansado de ver poemas lançados fora de um jato com a confiança incondicional na inspiração, quero uma poesia que tenha lógica, trabalhada, construída pedra a pedra, com boa argamassa jungindo essas pedras, ou então as pedras tão bem cortadas, tão bem escolhidas, que se encaixem com perfeição sem precisar de nenhuma liga artificial. Contra as palavras soltas na página. O poema tem que parecer natural, simples, racional, embora tenha a sua mágica que escapa a qualquer racionalidade.
João Cabral diz que não: tem que ser racional, e ponto.
Esta crônica brinca com o caráter mágico da racionalidade.
Pensando na mágica, sorriam.


tags: Bauru SP textos-nao-ficcao
 
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Autoria   José Carlos Brandão
Data   31/7/2008
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Estou lendo com atençaõ e carinho.Muita magia ou transendència.
Volto.
clara arruda · Rio de Janeiro (RJ) · 29/7/2008 13:28 
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josé carlos...meu amigo...
acho que nossas verdades mais íntimas...são combustível para a criação da poesia...
nela...somos o que escrevemos...não dá para mentir ao criar uma poesia...

acredito também que a magia é o que torna a poesia...poesia...

um abraço meu caro amigo.
belo trabalho.

samuel


Samuel Luciano Assunção · Angra dos Reis (RJ) · 29/7/2008 15:49 
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Opa, como ja enviei uma mensagem p vc, continuo dizendo que te respeito, mesmo nao concordando com sua tese. Mas olha, a maneira q vc escreve, a estrutura do seu texto e acima de tudo sua sinceridade. Nao importa q nossos pensamentos nao batam, importam nossas emocoes e a maneira de ver as coisas. Parabens e bravo!
Nic NIlson · Campinas (SP) · 29/7/2008 19:23 
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Muito bom. Texto que nos conduz a bons e interessantes questionamentos.
Mas pergunto: Afinal existe na vida algo que não seja mágico. Algo que se apresente por inteiro no primeiro contato? E então?
Sei não... E viva a Poesia!
Grato por sua visita. Abraços. jbconrado.
ayruman · Chapada dos Guimarães (MT) · 29/7/2008 19:28 
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Hoje mais do que nunca me sinto impotente para um comentário.deixo meu carinho e votos.
clara arruda · Rio de Janeiro (RJ) · 31/7/2008 13:13 
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A magia da poesia. A magia da Vida.
****
Votando.
ayruman · Chapada dos Guimarães (MT) · 31/7/2008 13:43 
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Belissimo texto belissima imagem!

Meus votos com louvor!

beijo no coração!
celina vasques · Manaus (AM) · 31/7/2008 18:28 
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Olá,Zeca!!

Mais um grande texto para profundas reflexões...Deixo um poema do Drummond que eu amo e que diz tudo que eu gstaria de dizer sobre
essa arte nossa de cada dia:

PROCURA DA POESIA

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro
são indiferentes.
Não me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo...

***********************************
com carinho
Blue
Raiblue · Salvador (BA) · 31/7/2008 19:43 
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Continuo batendo na tecla do equilíbrio entre transpiração/inspiração....,pois ,por exemplo,eu passo
alguns momentos de 'hiatos' profundos,onde, por mais que eu domine a técnica e saiba explorar a palavra o máximo possível, falta-me o principal: inspiração..., e então não consigo escrever uma linha sequer...,rasgo um caderno inteiro...rsrsrsrsss(brincadeirinha...só umas 20 folhinhas de rascunho...rsrs)...
Já em outras fases, qualquer coisinha é motivo para 'poetar'...até tomando banho a poesia vem e tenho que sair correndo para registrá-la antes que escape-me...

É algo muito mágico mesmo....o verdadeiro poeta, na minha humilde opinião, é esse que ultrapassa a técnica e se expande em magia...

com carinho e um beijo azulzen...
Blue
Raiblue · Salvador (BA) · 31/7/2008 19:52 
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maravilhoso texto,votei e gostei muito.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca (SP) · 31/7/2008 21:22 
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João Cabral diz que não: tem que ser racional, e ponto

João Cabral tão mal aclamado por alguns foi a razão da minha saída do jardim da infância poético (quase) até então eu literalmente achava que os poetas escreviam num quase “transe” (só eu mesmo) induzido pela dor, alegria, paixão, saudade ou até mesmo por uma lança que lhe fincaram no coração. Escrever nas minhas ingênuas impressões era tão somente um ato divino concedido a somente alguns. Um louco com atestado de sanidade. Um insano aplaudido e bem quisto isso era pra mim o poeta. Doce ilusão. O ato de escrever requer muito mais de mim do que o esforço que faço pra viajar para o “mundo da lua”. A meu ver a boa poesia não pode ser apenas uma expressão de sentimentos gerados no ventre da emoção. Ela deve também ter um forte compromisso com a linguagem. E ainda cabe a educação do verbo dentro da escolha do estilo. Eu posso sim transpirar poesia, mas gosto de destilar meus licores.
Mágica? E transformar a mágica emoção em refinadas letras ou refinadas letras em pura e mágica emoção não se chama alquimia, transmutação!
Lembrei-me agora do saudoso Waly Salomão. Quando eu o via com aquele jeito impulsivo de versejar, como que “cuspindo” o bom verbo eu gostava de pensar.
__Esse aí deve ser um renascente dos que em transe começam a versejar!...Ahahaha.. até que um belo dia o assisti dando entrevista e quando perguntado sobre sua maneira assim tão improvisada de rasgar o verbo ele muito danadinho , retirou do bolso e mostrou um pequeno dicionário.
Danado!
Que saudade deu agora do Waly Salomão...

Parabéns pela voz meu querido José Carlos!
beijos

Cherry Blossom · Dracena (SP) · 31/7/2008 23:40 
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josé carlos...meu amigo...
votando para publicar...
abraços.

samuel
Samuel Luciano Assunção · Angra dos Reis (RJ) · 31/7/2008 23:59 
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Cherry, como você, eu me tornei poeta depois de descobrir João Cabral. Já era formado em letras, já tinha escritos muitos “poemas”. Tive que rever toda minha leitura de poesia e minha construção de poemas – só então descobri o que era “construção de poemas”.
João Cabral é o nosso mais importante poeta, é quem ensinou o espírito crítico à poesia brasileira. Por isso dediquei meu terceiro livro de poesia a ele. Era feito de poemas em dois blocos de versos como “A educação pela pedra”, dele. Tinha unidade temática: todos os poemas eram telúricos. É isso tudo nele que lembra João Cabral, além do respeito pela forma.
Disseram de mim, elogiando-me, que sou da linha de João Cabral, que me assemelho a ele, que tenho muitos pontos de contato. Esses pontos de contato estão explicados aí acima. Com a ressalva de que a terra de que falo é a terra vermelha do interior de São Paulo, o oposto da terra seca de João Cabral. Meus temas não têm o materialismo dele, aproximam-se mais de Murilo Mendes ou Cecília Meireles. O próprio João Cabral disse que aprendeu poesia – uma poesia substantiva – com Murilo e Drummond; eu também.
João Cabral diz que não existe inspiração, mas trabalho, técnica do poema. Vamos fazer alguma concessão: a “inspiração” nasce no ato de escrever. O próprio jogo de uma palavra com a outra, de uma imagem com a outra, faz nascer o poema – “inspira” o poema.
João Cabral diz que Fernando Pessoa fez muito mal à poesia: deu a impressão de que fazer poesia é fácil, é algo como um desabafo. Mas João Cabral talvez tenha feito também muito mal: os poetas não aprenderam com ele que basta a técnica? Não surgiu toda uma onda de poesia cerebral? Não surgiu uma poesia intelectualizada dura de ler, sem nenhuma musicalidade, com um ritmo artificial? Por isso eu faço alguma concessão: cada poeta com o seu poema. Mas que tenha imagens, que essas imagens se unam umas às outras, com lógica. É pedir muito?
Você entende do que eu estou falando.
Beijos.
Brandão.
José Carlos Brandão · Bauru (SP) · 1/8/2008 03:19 
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O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
Fernando Pessoa

Toda obra, criação é surreal aos olhos do leitor, pois real a quem escreve ou da mesma maneira,real ao leitor, que transforma em riso ou dor, os sentidos tantos, a alegria e a tristeza, mas as palavras caem como alento ou como lamento, como chuva matutina que orvalha ou como tempestade que amedronta e gera o medo da própria existência...
Teu texto é admirável e vem como água para abrir flor a quem ainda tem a dúvida e diz que a poesia é banal e de loucos...mas sem ela não conseguiríamos ver o sol como brilho para a carne e a lua como luz para os ossos....bjbj


Cintia Thome · São Paulo (SP) · 1/8/2008 07:18 
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Eu entendi muito bem meu querido! Entendi sim. Sabe já li diversas entrevistas onde o entrevistado não escapa da terrível pergunta: __Você segue a linha dos inspirados ou dos construtores? Fazer poesia dá muito trabalho isso sim é o que eu sei! Tenho muitos escritos que não passam pelo meu novo conceber do que é a poesia. Há ainda o que laborar...
Foi bom também conhecer um pouco mais da sua “lida” dentro do universo das letras, bom saber um pouco mais de você!
Mais uma vez parabéns, essa tua voz aqui é luz e alimento nesse querido Overmundo.

Beijos!

Cherry Blossom · Dracena (SP) · 1/8/2008 11:31 
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Stéphane Mallarmé:
Poesia não se faz com idéias, poesia se faz com palavras.
Picasso
Inspiração até existe, mas ela tem que te pegar trabalhando.

faço as citações de cabeça, portanto é provável que as palavras não sejam exatamente essas, mas o conceito é.
claro que existe inspiração... que existe idéia... mas se não for acompanhada de um trabalho árduo, não tem arte.

é errado também pensar em magia como algo feito sem esforço. tanto a magia como a prestidigitação exigem preparação e muito trabalho - assim como a poesia. Nenhum prestidigitador entra no palco sem antes investir um tempo muito maior do que os momentos de sua apresentação preparando alçapões, espelhos e aratacas que possibilitam a ilusão que o encantará público.

Também o mago precisa preparar seu ritual e escolher o momento cósmico propício para lançar seus encantamentos.

O poeta - na verdade o artista em geral - escolhe seus instrumentos, pesa, dosa, mede, para assegurar a sensação de simplicidade e o encantamento quando a obra acontecer no íntimo daquele que a frui.
Renato de Mattos Motta · Porto Alegre (RS) · 2/8/2008 13:10 
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Oi José Carlos
Que texto
complexo? Não! Só poesia
eis a minha

Receita de poesia

Pegue...
Um punhado de encanto
um bom tanto de magia
uma boa parte de sonho
e o resto e fantasia
misture tudo muito bem
com letrinhas de alegria.

Fuja portanto
de toda a realidade
da egoísmo e da maldade
porque das injustiças do mundo
e das tristezas da vida
não se faz poesia.

Eu penso que poesia concreta, tristezas e injustiças, ficariam melhor em prosa, muito embora eu dê minhas mancadas.

EDMUND BURK, < poesia é a arte de materializar sombras, o que faz do poeta um iluminado, uma espécie de alquinista das palavras.>

VOLTAIRE, também proclama o primado da poesia sobre a prosa, porque consegue dizer mais em poucas palavras .

Este poema foi editado em "Poetas Ocultos" Antologia de poetas Amazonenses.- 2.002 Manaus- Am
Doroni Hilgenberg · Manaus (AM) · 2/8/2008 21:02 
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Caro José Carlos,primeiro de tudo,prazer e obrigada pela visita.Vou me aboletando por aqui onde deixo minha passagem escrita,e em uma palavra,você é raçudo!! Alías ,ninguém passa impunemente por João Cabral,não é? O que talvez nos falte hoje,poetas ou diletantes é o aprofundamento intelectual.Mas o que se espera de uma escola onde não se aprende o pensar? Somos cada vez mais cordeiros,carnes de abate,sim senhor,não senhor...Não nos ensinam a argumentação,temos uma profunda e arcaica rejeição à nossa cultura popular,aos traços físicos do nosso povo.Catalogamos os que são diferentes,menores,castas inferiores e como tal o enquadramos em um cercado de limitações.Um país de um racismo velado,veja só,pardos,cafuzos,índios,mulatos,negros,meio branquinhos esse é o nosso contigente.Essa é a nossa beleza,nossa terra seca,vermelha...Nossa fome,nossos filhos desamparados,a morte de cada dia.A brisa do Bandeira, paixão vermelha do Vinícius,A acidez do Lima Barreto,o osso duro de todos nós...e ainda fazemos poesia.Ou tentamos.Moça boba que ainda sou.Mas faço para respirar,furar minha casca.Desculpe por uma mensagem que acabou caindo no desvão do confessionário( e como bem dizia João Cabral,ninguém é tão interessante para se falar de si o tempo todo...).Cadê os pregos? Pode dar a primeira martelada...Com propriedade seu texto,Brandão.Propriedade.Um beijo.
Luciana Nabuco · Rio de Janeiro (RJ) · 4/8/2008 17:35 
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Denise A Souza Viajei no se texto muito lindo! A poesia transcende, liberta! Bjs. Dê
Denise A Souza · Guaratinguetá (SP) · 5/8/2008 22:02 
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Coluna do Domingos Votado
Coluna do Domingos · Aurora (CE) · 10/10/2008 12:45 
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