A MARAVILHOSA VIDA DO CRONISTA.
“a tinta apaga a tristeza” – Kipling
O cronista vive nas nuvens. Ele é como uma montaria, que ousa carregar na garupa e ao mesmo tempo, Sancho Pança e Dom Quixote. E no falar do grande Machado de Assis: faz a sua obra de pequenos nadas, tanto nos amores, como nos chinelos.
Relata Pirandelo: “sou tantos quantos são os que me vêem.” Uma clara alusão aos que lêem, justificando, assim, o trabalho e objetivo dos cronistas. Mestres de uma lauda.
Rubem Braga afirma que: O grande mistério do cronista é a simplicidade - Davi Arrigucci, diz: O cronista é um indivíduo recluso na solidão da metrópole e que se nutre de curiosidade por tudo aquilo que não é o Eu.
O bem da verdade ele é um lírico, que insiste em observar o instante, a mudança, o acaso. Esse ser contemplativo é o personagem principal das suas histórias. A crônica é como sua imagem, um pedaço tirado da alma.
A sua criação é extraída do espírito da matéria; são gestos momentâneos, que se dissolvem na perspectiva da ação. Alguém chegou a dizer que na crônica, assim como no conto, as três primeiras palavras valem tanto quanto ás últimas, o mundo da crônica é, portanto, finito e fechado, quando começa, começa a terminar.
O cronista narra o que vê e foge na justeza do tempo; é um arquivista de memórias do insólito. Vê a poesia na tragédia, assim como o engodo na comédia; o seu alter ego é uma máscara: ele, o cronista, traz o leitor para dentro do inusitado, recolhe corações desprevenidos, com o inesperado das suas narrativas.
Segundo Felippe Prates, “o cronista é o repórter das amenidades”.
Age como pano de fundo, para que a cena fique visível ao leitor; é como um bobo de alforje da Idade Média, cheio de potencialidades, mas de um vagar incerto, fugidio, humilde. E como o fluxo das águas do Euripo, ora vem, ora vai...
É um viajante que atravessa um campo encharcado pelas águas de alguma tempestade, buscando ver um clarão momentâneo! Espera sempre encontrar o inesperado! Ao ler a sua obra já publicada, sente que perdeu a paternidade, o poder sobre a mesma. Publicada, ela se torna universal e o autor descansa dela, até a esquece.
É um caminheiro errante, que se apraz com o medo, com a excitação fugaz, com o súbito dos acontecimentos. É um ejaculador precoce, pronto a expelir involuntariamente, desde que seja surpreendido pelo flagrante. É um ser passional e trágico! Que se inebria com a toxidez do cotidiano.
Um “voyeur”, a contemplar os seres, as coisas, os lugares, os fatos, a fantasia da imaginação... Os sonhos.
A crônica é um relato efêmero. Não deve passar de 50 linhas, pois o cronista pinça do cotidiano uma potencialidade sintetizada. Expressa-se de forma insólita, inusitada. Tem como agulhão prender os seus leitores.
O cronista na verdade escreve para si mesmo, para seu uso. É um solitário. Vive cercado de medos e os expele escrevendo uma folha. O seu composto, entretanto, o faz universal ao ser apreciado.
Quando impressa no jornal, a crônica poderá servir para forrar a grama do jardim, onde um casal de namorados faz juras de amor. Ao ar livre ou em algum bosque, atrás de uma moita servirá para enxugar o suor, os humores e os ardores dos amantes.
Pode estar embrulhando uma barra de sabão, comprada na venda da esquina. Enrolando uma garrafa de cachaça Viriatinha ou forrando o fundo de uma gaiola de algum bicudo cantador. Mesmo de um criador de canário ou de sofrê. Talvez, um magnífico galo de campina do Piauí...
Ocultando uma pistola automática nas mãos de um marido traído, que parte em busca do pé de pano para abatê-lo. Se ler a crônica poderá mesmo desistir do seu intento. É visto mesmo enrolando um “pacuru” de dinheiro ilícito, no bolso de algum político distraído ou mesmo desavisado.
Daí a importância da crônica, pela diversificação de seu uso, pelo prazer de quem busca o inesperado, o insólito, o flagrante!
Forrará mesmo um banco de jardim, ou servirá de cobertor para algum novo miserável, vitima das opressões, das políticas sujas, de romance acabado, da fubuia desdobrada.
Soube de um leitor que usou a página onde estava impressa a minha crônica para esconder um gravador e dar um possível flagrante em alguém.
Houve mesmo um pequeno comerciante local (herdeiro de mãe rica) que levou a minha crônica para o pai ler, afiançando que o leão citado no meu postado, não existia.
Imagine você o que pode provocar uma crônica publicada!
Outro leitor levou o escrito para a ex-amada. Era um poema de amor que compus para uma musa. A “ex” do leitor tocou-se, chorou e reatou o romance com o infeliz da hora, que já pensava até em deixar este mundo das manifestações sublimes. Imagine só!
E pode existir finalidade mais nobre, mais maravilhosa, para uma crônica: reaproximar os namorados, tocando os corações dos que amam!
O narrador é um “compreendedor” de almas, um andante, sempre na fronteira do Bem e do Mal. Um esquife rompido! Move-se solitário buscando encontrar o caminho de volta, a sua casa; sabe que jamais a encontrará, pois a mesma é fruto exclusivo dos seus sonhos, muitas vezes trabalhando com hora marcada para entregar o seu trabalho, de olho no relógio, misturando inspiração e emoção com obrigação.
Este manipulador de emoções, sutilmente finge acreditar na sua obra, pois escreve para o seu próprio Eu; entretanto, com a sua crônica, desperta a usina de sonhos do leitor, recordações, reminiscências do profundo inconsciente, promove a paz entre os que amam, tornando a vida mais bela e a alma mais leve, buscando no maior de todos os sentimentos, o amor, não apenasmente um instrumento de trabalho, mas objetivo e fim em si mesmo.
Imagina, na sua solidão, o que a sua obra será capaz de provocar em quem a leu...
O cronista é um repórter de amenidades. Retrata momentos de rara beleza, nos traz o elemento surpresa, nos arrepia, com a sua força insólita, fugaz, arredia! Escreve sobre tragédias e comédias, mas vive sempre o lado belo da vida. Nada como estar entre três lindas blondes.
Grande Rapha! Parabéns pelo belo trabalho!
O cronista é realmente um amigo do tempo...Registra tudo, é bem verdade que a sua maneira. Muitas vezes, também omite a verdade dos fatos, dando um outro caminho a história. A mentira também faz parte dos registros históricos...afinal ele também é um ser humano!
Abraços e lembranças aquele pessoal que labuta perto da casa da Roxa!
é, eu sei o que uma cronica pode provocar em alguem.
sei na pele. Vc a tocou... milhas e milhas distante e tao perto.
O bacana é ler um texto assim, primoroso, perfeito!
ah como aprendo de ti, meu caro Rey´s!
bjsssssss e vinho ou quem sabe um licor de pequi?!
Victor! A Roxa já foi para o mundo superior! Deu ao mundo uma miríade de orgasmos! O cronista não mente. Tangencia os fatos!
Cláudia Campello! Para você um bom vinho italiano! Dois beijos!
Raphael amigo, que aula... Uma bibliografia sensacional, um texto maravilhoso como sempre. Como fã que sou há muito tempo, fico feliz em ler um postado tão eloquente, falado de forma, como cronista, envolvendo o leitor. A D O R E I !!!
Beijos da amiga de sempre Mirtes Carvalho
Mirtis Carvalho! Obrigado pela presença e pelos beijos! Estava carente!
raphaelreys · Montes Claros, MG 2/8/2010 19:22
Aprendo e aprendo bastante cada vez que o leio. Agradeço sempre essa permissão, pois é o minimo que posso fazer, deliciando-me em cada linha e em cada imagem.
Obrigado Amigo.
O cronista vive nas nuvens...é um reporter...nos arrepia!!!!
marilia carboni · Londrina, PR 2/8/2010 20:25
Amigo Raphael
De fato uma origem, um início de palavras define num todo o conteúdo do meio e do fim.
Como narraste as primeiras abrem a idéias e as ultimas completam o sentido
Sim Raphael, um cronista é um analista, detalhistas dos momentos do dia a dia. Um experiente de vida e um narrador perfeito em condensar em poucas linhas, prendendo a atenção do leitor.
Eu sinceramente gosto de crônicas e nos muitos que já passaram e outros que aqui se apresentam deixam em seus escritos uma verdade que nos atingem.
Pequenos trechos em jornais como falaste e usando em outras utilidades às vezes nos fazem parar e ler e resolver o que a muito queríamos.
Eu ao ler jornais impressos sempre recorto as crônicas para ler após calmamente.
É real que quem escreve não o faz para si e ao reler seu conteúdo acha que não foi ele que assim o fez.
Parece que algo espiritual toma conta de si e de sua mão nessa narrativa
E lê de novo na publicação e quem sabe aprende o que escreveu para si mesmo.
Amigo Raphael tem o dom da narração o que muito nos agrada
Um abraço
Kfarias! Obrigado pelo seu sempre incentivo! Um grande abraço do seu adimirador!
Marília Carboni! Sou eu quem fica arrepiado ao comtemplar a beleza dos seus olhos!
Mochiaro! Como bem relatas: Algo de espiritual rtoma conta do cronista!
Rapahel
Bem feito o texto
Cronista relata fatos e atos, se imortaliza no tempo e no espaço.
bjs
Doroni! Beleza a sua passagem no postado!
raphaelreys · Montes Claros, MG 3/8/2010 15:43
Caros Overmanos!
Colo aqui uma mensagem da poetisa Doris Araujo sobre esse postado. Foi enviada por e-mal!
Olá, Raphael!
Li sua crônica vagarosamente, para melhor degustar cada palavra. Você derramou lirismo e ao mesmo tempo foi contundente. O cronista é mesmo um ser além do tempo, além do espaço, etéreo com o vento e impactante como um soco no estômago. O cronista é um mago das palavras. Conhecedor do poder que desperta, faz malabarismos com as nossas emoções, depois, num átimo, nos larga no espaço branco da folha, insaciados, desejando mais...
Continue fazendo malabarismo com as palavras. Continue nos encantando com suas mágicas.
Grande abraço, Dóris Araujo
Valeu Raphael! Você é um desses cronistas que a beleza a trsieza com muita perfeição.Falta escrever sobre a turma do cajueiro.Abraços..
raphaelreys · Montes Claros, MG
A MARAVILHOSA VIDA DO CRONISTA
O Cronista é o Ancestral de toda Poesia.
Esta nas origens de todas escrituras dando vida, dando sentido e encaminhamento para as tomadas de decisões em todas as áreas da atuação humana.
O Cronista é um Poeta cidadão que participa de tudo que é Humano, exprimindo de modo claro pra todo mundo tomar conhecimento das coisas da vida e dar opinião.
Cada um de nós é um Cronista, precisamos escrever mais para iluminarmos o mundo das idéias contribuirmos com o que cada um pode de humanidade.
Parabéns pelo Belo Trabalho que faz nos orgulhar pelo pouco que cada um de nós tem de Cronista.
Compromisso de caprichar para merecer o seu Trabalho tão expressivo e valoroso.
Abração Amigo para todos.
Orisvaldo! Bem lembrado. Fui assíduo lá por 14 anos. Tem causos do arco da velha meu caro!
Azuir Filho! Tava sumido meu caro mestre das homenagens! Sua presença é sempre desejada! Um abraço!
A definiçao que o cronista é O REPORTER DAS AMENIDADES está perfeita,concordo plenamente
Invejo a capacidade que maioria tem de fazer com que um caso as vezes por mais horríev que seja ficar mais leve pra se ler
Rhafael,parabéns por mais esse maravilhosos texto
Beijos ou xeros como se diz no nordesre
Ailuj! Obrigado pelo seu carinho"! Xeros!
raphaelreys · Montes Claros, MG 9/8/2010 08:02Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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