Chamam-te marginal
Marginalizado te chamo...
Ninguém nasce pobre
Ninguém se condena
Ninguém vive triste
Por própria vontade.
Ninguém vive a esmo
Ninguém colhe medo
Ninguém passa fome
Por própria vontade.
Ninguém fica impuro
Ninguém se aliena
Ninguém se anula
Por própria vontade.
Ninguém vive à toa
Ninguém vira bicho
Ninguém vive sujo
Por própria vontade.
Ninguém come resto
Ninguém cata lixo
Ninguém vive só
Por própria vontade.
Chamam-te marginal
Marginalizado te chamo...
Mas não me ouves
Tua mente flutua
No véu dos becos
Na nóia das esquinas
Para sempre
Perdido da vida...
Teu olhar brilhante
Em busca de outros céus
Que não haverá...
Nydia é comovente demais esse poema.
De fato, ninguém nasce para ser marginalizado. Asssim como ninguém escolhe ser excluído, ser infeliz, por própriaa vontade...
Bem reflexivo. A ilstração é perfeita!
Bjs
Marginal ou marginalizado?
Comovente, tão meninos, que destinos?
Show!
bju
Magnífico grito!
- São de poemas como este,
que a humanidade precisa se alimentar.
Canto verdadeiro,
que cata a alma e a coloca em bom lugar.
Brava! Minha admiração por sua poética só faz crescer...
Parabéns, Nydia.
Bjs.
Benny Franklin
Branca: Escreví este poema há tantos anos... e nada mudou. Isto é o que mais impressiona...
Beijos.
Cintia:
Também me comovo quando falo sobre estes meninos. Quando encontrei esta imagem então... Olha os olhos dele!
bjs
Benny
Carf deu como título a sua foto: "I exist".
Não parece mesmo isto que se lê no olhar deste menino, como uma última tentativa de pedido de ajuda?
bjs.
Querida, aqui em Sampa, aí em Campinas, o que mais se vê são esses meninos & meninas,
adultos antes do tempo, vítimas das esquinas,
não podemos ajudar a todos, às vezes pago um lanche, converso com eles, procuro trabalhar em cima do que ainda possuem: uma puta esperança de serem alguém algum dia. Muitos conseguem, outros não, meio frustrante, taxá-los de marginais, como teu texto enfatiza é mais rápido, cômodo e simplista, não compromete ( não é culpa minha), mas a gente sente, sofre, partilha de suas necessidades prementes...Talvez seja isso que nos torne especiais, como somos, eu, você e todo mundo que "tropeçar" nesta poesia, nem que não junte uma lágrima sequer em seus olhos, que pensar "é mesmo, não sabia que isso acontecia".
Amanhã, quando você ver um, nem precisa ser assim tão bonito, pode ser mais sujo, mais rasgado, mais esfomeado, pague um lanche pra ele...NÃO, não faça isso, troque uma idéia e coma um lanche junto dele, ele quer mais a tua companhia !
na quinta estrofe, cê esqueceu uma crase no à toa, belê ? Patrulha do conserto em ação !
Um beijo, me fez chorar, viu ?, Alcanu
Alcanu
Em cidades menores também eles estão... À espera de uma mão estendida que nem sempre vem... É preciso antes de tudo vê-los!
A maioria passa por eles como se não existissem... Triste.
A Patrulha do conserto é sempre bem vinda! Deveríamos fazer isto em todos os textos em que percebemos erros ortográficos ou de digitação, ou acentuação, etc... Nenhum texto deveria ir para o banco com erros deste tipo.
Obrigada
bjs.
Nydia, ninguem escolhe por própria vontade os dessabores e a humilhação, mas podemos sim reverter essa situação, com ações positivas e voluntariado, açoes de solidariedade e amizade, basta estendermos as mãos...
Adorei!
Brigitte
Creio também que podemos fazer muito... mas muita coisa depende de ações mais abrangentes, que escapam das nossas mãos.
bjs.
De braços cruzados é que não se pode ficar...
Abração.
É verdade. Como eu disse para Branca, escrevi este poema há muito tempo e infelizmente nada mudou. Pelo contrário, parece que a insensibilidade aumentou. A grande maioria das pessoas vivem centradas em sí mesmas e se esquecem dos outros. Passam por estes meninos e fingem que eles não existem...
É de cortar o coração, só de pensar que ali tem um universo em construção e mil possibilidades de talentos e assim destituidos do mínimo...
brigitte · Goiânia, GO 8/1/2008 00:08
Obrigada Branca!
Aprendeu direitinho... rss rss
bjos.
É Nydia, aprendi sim, e aqui estou para te dizer isso.
Obrigada!
Nydia,
Sempre que um se aproxima de mim me chamando de tio para pedir uma moeda, exclamo de imediato: Meu sobrinho!! Se vc me chamou de tio é pq vc deve ser o meu sobrinho!!
Sempre ganho um sorriso com esta brincadeira e pelos sorrisos, os meus sobrinhos sempre levam algum.
Há quem diga que não devemos dar dinheiro para essas crianças, mas quem diz isso, nunca precisou pedir.
Parabéns!!
Kais falou tudo.
Lembrei-me um dia num farol sem um recurso para dar, e como havia comprado rosas no mercado, dei uma ao garoto e ele me disse, "ninguém me deu uma flor, tia". Ficamos amigos nas passagens ...e quando o vejo, sinto que ele me protege...dá para entender?
Afinal quem é marginalizado? Todos nós de alguma forma. Na família, no trabalho, no desemprego,na raça, nos hospitais, no carro nem tanto da "hora",na idade, no par de tenis ou sandálias...Somos "barrados no baile" de alguma forma, todas vis...
Quem nunca ficou a pensar sobre o amanhã?
Quem diz que nunca perdeu, dê graças à Deus.
Mas Deus não marginaliza, pois Ele mesmo é boicotado ...
Voto.
bjus.
À MARGEM... Marginal e marginalizado...
Lindo e comovente o seu poema. Grande sensibilidade da poeta.
Beijo grande.
Kais, Cintia e Joana:
As pequenas atitudes individuais são tão importantes... Ajudam a amenizar a dor da exclusão em que vivem. Mas como eu disse à Brigitte, é preciso acabar com as injustiças e desigualdades. Utopia? O ser humano que vai ao espaço e manipula satélites, átomos e DNAs, etc..., não foi capaz de acabar com a miséria...
Nydia, foi bom você tocar no assunto dos consertos, pois tem gente que se magoa até, acha que a gente é arrogante, pretensioso, acha que sabe tudo, imagina, eu mesmo adoro qua ndo alguém "correge" algum erro meu nem que seja de concordância, só não permito que tentem mudar minha opinião, Rssssssss. Parabéns, votadão, iniciativa nota dez.
Beijão, querida !
Alcanu
Alcanu
Alguém deveria abrir um tópico no observatório falando sobre isto. Muitos textos estão sendo publicados com erros. Alguns quase imperceptíveis, outros, grosseiros. Também fico constrangida em corrigir alguém quando não tenho muita intimidade, mas é necessário. Eu agradeço quando encontram um erro meu e me avisam. Afinal, este é um site cultural e devemos primar pela qualidade. A grande maioria dos erros é por distração, digitação, etc. Então ninguém deve se sentir magoado por estar sendo corrigido, pelo contrário.
Obrigada por ter vindo.
beijão
Quem consegue transmitir emoções através de palavras é digno de aplausos. E você proporcionou um misto de revolta, tristeza e compaixão com este belo poema. Parabéns. Voto com prazer. Grande abraço de quem já te admira.
Eduardo de Oliveira · Teresina, PI 8/1/2008 11:39
Eduardo
Agradeço sua presença e suas palavras.
Será sempre bem-vindo.
Obrigada
Grande abraço.
Nydia, a distância entre SER marginalizado e SER marginal em nossa sociedade inexiste. Infelizmente a "pena de vida" - como canta Max Gonzaga - já é cumprida pelos meninos pobres do nosso Brasil.
Paulo Esdras · Brumado, BA 8/1/2008 14:04
Paulo
Infelizmente é assim... e eles cumprem a pesada e injusta "pena de vida"...
Abraço
Nydia, o mundo é um abacaxi que não se descasca. Tem seu lado doce, tem seu pedaço em azedume e potrefação. Só mesmo a boa vontade dos bons pode evitar que nele se cumpram infernos insuportáveis. As perdas já são reais, parte do leite já azedou...
No entanto, crer na possibilidade de um equilíbrio sustentável, só nos será viável, quando a sociedade perceber que os moleques não serão moleques por toda vida.
bjo.
Sérgio
Você usosu a palavra mágica: "boa vontade"... Eu creio que o equilíbrio ainda seja possivel, se houver "boa vontade" por parte de cada um individualmente e por parte da coletividade em geral. Eu creio!
bjo.
Oi, Nydia!
Aqui voltei, para depositar meu humilde voto.
Para que este canto/clamor se eternize no Over, e seja ânimo de ajuda no coração dos overmanos.
Mais uma vez: Parabéns!
Bjs. Benny Franklin
Nydia Bonetti · Campinas (SP) ·
Um texto e uma imagem fortíssimos.
É a realidade da vida.
Junta Guerra, Fome e exclusão como que, com Deus do Céu ali presente, assistindo nosso empenho, atitude e afinidade.
Seu Trabalho nos dá muito orgulho.
Somos um grupo de apaixonados poetas e no nosso meio sáo criados trabalhos desse nível táo elevado de Humanidade.
Isso é muito importante paratodos nós e parao Overmundo.
Obigado por vocé existir a a gente ser seus amigos.
Parabéns Amiga Nydia Bonetti.
Benny, Azuir e Victor:
Todo ser humano precisa de palavras de ânimo e de ajuda. Se púdéssemos estender pela vida afora este clima de cordialidade, fraternidade, empenho, afinidade e compreensão mútua que conseguimos estabelecer aqui, teríamos condições de fazer tanto pela comunidade, pela coletividade e numa escala maior, pelo planeta. Mas a vida real é tão complicada! Ou somos nós que complicamos além da conta... Precisamos exercitar a "boa vontade". Reaprender velhas lições que esquecemos, quando "evoluimos" para esta sociedade tão individualista e tão distante dos valores essenciais...
Obrigada
Abraços
Nydia, essa é a dura realidade marginalizados... É preciso muita boa vontade política para dar um jeito nessas desigualdades. Mas, enquanto essa utopia não vira realidade, temos o direito de nos indignar.
Grande grito!
Abraços.
Votei.
W@nder
É isso. Se não houver boa vontade política, todo esforço individial cai por terra...
Obrigada
Abraços
É TRISTE dizer que a Poesia é linda (e o é!), baseada em imagens como esta, de mais um "marginalizado", o Artista que cede sua obra para esses MASTODONTES da Internet, sem ter direito sequer a ver seu nome/Estado/país ao lado da obra.
TRISTE SINA a de tantos e tantas, anjos infantes, fadados a ser adultos muito antes do tempo... o pouco que fazemos não resolve (é o que dizem) mas o "pouco" de centenas ou milhares diminuiria muito essa miséria degradante e estúpida. Como bem o disse o KAIS "só não dá nada quem jamais precisou pedir!"
Nato
Sabe que eu pensei exatamente o mesmo quando encontrei esta foto. Mas você tem razão. O pouco de muitos ajuda e muito...
Abraços
Nydia,
confesso que li o teu poema, de alguns anos, (como disse voce mesma), de chofre. Num piscar de olhos. E desci lendo os comentarios, as colocações de todos. E me animo, em cada opinião, a continuar - como o beija-flor "apagando o incêndio na floresta" - fazendo minhas colocações. A colocação dos que nunca precisou pedir. Mas que recebeu. Como recebo aqui no Overmundo o empurrão do apoio, da compreensão, do estímulo.
E como dizes "nada mudou".
um abraço, andre.
André
Acho muito bonita e apropriada a imagem do "beija-flor apagando o incêndio na floresta"! E verdadeira... Absolutamente verdadeira.
Obrigada
Grande abraço.
Uma verdade que nos entristece a todos...
bj
Nydia, é de arrepiar a tua verdade.
E dói.
Quem dera pudéssemos fazer algo que resolvesse essa situação, mas somente com belos discursos nada se resolve, não é?
No Natal de 2003 alguns amigos que costumavam distribuir roupas e sopa em alguma comunidade bem carente da cidade me chamaram para colaborar, aceitei e surpresa ouvi de um anjo desses: -"Tia, eu não quero roupa nem comida não, eu quero é brinquedo". Fiquei muito sem jeito e a partir de então passamos a distribuir, também, brinquedos.
É o que podemos fazer, passamos o ano todo juntando o que pudermos e em Novembro nos cotizamos para a compra de brinquedos.
Creio que assim cumprimos, em parte, com a nossa responsabilidade social.
Um grande bj
Vanessa e Lígia
Não podemos mesmo é ficar de braços cruzados. Eu colaboro com os vicentinos aqui da minha cidade.
Guiados pelo espírito de caridade de São Vicente de Paulo, os vicentinos assistem os necessitados e famílias carentes, levando-lhes mantimentos e apoio espiritual.
Reúnem-se uma vez por semana durante duas horas para orações, coletas, entrega de contribuições e, principalmente, discutir os problemas das famílias necessitadas assistidas, na parte material, moral e espiritual (alimentos, remédios, roupas e orientações para a prática dos deveres sociais e religiosos se desejarem).
A Sociedade de São Vicente de Paulo leva sua ajuda a quantos dela precisem, independente de raça, cor, nacionalidade, credo político ou religioso e posição social.
Recebem também a atenção dos vicentinos as pessoas que, embora tendo algum recurso ou assistência, se sentem mais felizes com uma visita fraterna em suas próprias casas, nos hospitais, nos cárceres, nos orfanatos ou asilos onde estejam recolhidas ou confinadas (“... tive fome, e me deste de comer; tive sede, e me deste de beber; era estrangeiro, e me acolheste; estava nu, e me vestiste; doente, e me visitaste; no cárcere, e me vieste ver...” Mt 25, 34-40). O campo é vasto e muitas são as necessidades que reclamam um ato de amor ao próximo.
Abraços
Ligia
Escrevi tudo isto para dizer que no Natal, levam também brinquedos para as crianças, pois como vocês, também perceberam que "a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte / a gente não quer só comida,
a gente quer bebida, diversão, balé..."
E muito mais a que têm todo direito.
bjs.
olá amiga Nydia,
é muito triste esta realidade, é preciso que se faça alguma coisa por essas crianças abandonadas que a cada dia aumenta mais. O teu belíssimo poema é uma grande contribuição para que a população que assiste este terrivel quadro constantemente tome alguma iniciativa, quem Sabe! Meus sinceros aplausos e beijos.
Carlos Magno.
Amigo Carlos
Sempre bom refletir sobre nossas atitudes, e também sobre nossas omissões... Deveríamos fazer isto sempre, não é?
Obrigada
Beijos
Nossa! Perfeito a foto, o poema...Pena que é tão atual (como disse que já foi feito a tanto tempo e nada mudou!), pois é infelizmente é a realidade em que vivemos e que retratou tão bem. Adorei este poema, toca a alma. Maravilha de poema.
MaluFreitas · Salvador, BA 9/1/2008 00:46
Obrigada por ter vindo, Malu.
Infelizmente a realidade é esta. Mas eu creio firmemente que possa ser mudada, um dia... E que este dia não tarde.
beijos
Gosto de poesia engajada. Sua poesia e a imagem mostram uma realidade para a qual muitos fecham os olhos e por isso essa poesia se faz necessária: para abrir os olhos de que não quer ver. Parabéns pela coragem. votado!
Sérgio Filho · Brasília, DF 9/1/2008 07:49
Sérgio
Obrigada
Mas não é preciso tanta coragem... Apenas um pouco de boa vontade.
Abraços
Olá,
logo quando leio me vem o som da música do Chico BREJO DA CRUZ que a pouco tempo foi regravada pelo Lenine e pelo Marcelo D2.
Fico pensando que não é só a questão da tristeza, mas como secar esse pranto?
Beijos,
Sander
Já nem se lembram
Que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças
E que comiam luz.
Sander, como secar este pranto? É preciso buscar respostas...
Obrigada por ter vindo.
Abraços
Voto certo!
http://www.overmundo.com.br/banco/por-aqui
Passa por la´!
Huummm... VICENTINA é, querida? Em 2006 fui um dos vencedores de um concurso de Trovas em homenagem a São Vicente, figura que admiro desde os tempos de seminarista.
A partir daí passaram a me enviar a revista lá da cidade, em Minas, Sete Lagoas eu acho. O movimento vicentino lá é muito expressivo, boa parte das cidades empenhada em diminuir as necessidades dos mais pobres.
E "cidadãos" aí em cima esperando que o GOVERNO (?!) faça a parte dele... a parte dele/deles, Prefeitos inclusive, é gastar rios de dinheiro com propaganda do pouquíssimo que realizam.
verdade, Nydia, tanto dinheiro gasto em foguetes, armas, armas químicas! é uma vergonha monstruosa.
meus alunos - trabalho c crianças de rua - convivem com a morte, semanalmente, que eles chamam de "pei-pei", que é o som dos tiros que escutam nas ações dos grupos de extermínio, na comunidade onde vivem. abraços, rosa
Nato
O movimento Vicentino é maravilhoso. Eles, junto com a Pastoral da Criança, são exemplos de que a comunidade pode muito. Basta se organizar, cooperar, ter boa vontade. Voluntariado é a palavra que deveríamos decorar e nunca mais esquecer...
Rosa
Vergonha... Como crescerão estas crianças? Umas com medo traumatizadas, impotentes diante da vida. Outras violentas, repetindo a realidade que aprenderam... Mas sempre haverá uma chance de se tornarem dignas... Precisamos dar a elas esta chance...
abraços
Eles estão aí, do jeito que estão, porque muita dor ainda virá, para eles, para os (ir)responsáveis, para todos nós, enquanto terráqueos...
Mas você sentiu bem! Melhor: soube tornar concreta e legível sua denúncia... Cada um que se examine, enquanto é tempo!
Fátima
Não podemos apenas cruzar os braços.
As palavras são nossas armas...
Abrçs!
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