Não sei ao certo quantas doses ele bebeu naquele dia. Só sei que foram muitas, estava completamente bêbado. Tagarelava loucuras de todos os tipos, se exibia, cantava todas as meninas. Estava alucinado. A mim, que dividia a mesa com ele, tecia elogios, me abraçava. Em seguida me chamava de "porco nazista", "conservador aloprado", "bebe... bebe mais uma... safado"
A situação estava tensa, as pessoas já olhavam de forma estranha em direção a nós. Pedi a ele que se acalmasse: "porra nenhuma... eu nem comecei a beber ainda", dizia em tom desafiador. Éramos amigos há séculos e já conhecia essas extaravagâncias dele que só terminariam depois de um bom sono.
Como era de costume depois de proferir todos os desatinos possíveis, pegou o velho violão: "escuta essa cara..." e cantou desafinado as canções que costumávamos tocar no início de nossa amizade.
Já era tarde... as pessoas começavam a deixar o boteco e, mas uma vez, ele teve uma mudança brusca de atitude e começou os xigamentos: "ei velha mercenária bota mais uma aqui... quero beber". Tentei acalmá-lo, me ameaçou jogar o violão. A senhora abandonou o balcão, tomou nas mãos uma faca e partiu em direção ao local que estávamos.
Levantei-me, no mesmo momento em que levantou outro cara de uma mesa vizinha e criamos uma espécie de barreira entre ele e a senhora. Trocaram todos os tipos de desaforos possíveis. Ele gaguejou algumas ofensas e partiu.
Paguei a conta e fui atrás dele. O horário alto e a escuridão das ruas podia não trazer consequências muito boas. ao sair do boteco vi seu vulto cambaleante dobrando a esquina rapidamente. Apressei o passo e, quando cheguei até a esquina, ele já ia um pouco longe.
Foi aí que algo estranho aconteceu. Ele cruzou um beco que entrecortava a rua. Um carinha nanico e vestido de policial saiu do beco e começou a seguí-lo. Senti um frio na espinha. Aquele carinha era muito estranho, carregava nas mãos um cassetete reluzente que chegava a cegar-me. Acabei buscando apoio em um poste.
Dali pude ver, em flashes, o assombro dele ao virar-se para o desgraçado nanico. sua feição chegou a causar-me pena. Parecia ter visto o próprio demônio. E não é que viu mesmo. O carinha de relance olhou para trás e pude ver que estava mascarado, uma máscara de diabo.
Meu amigo tentou correr para fugir da criatura quando, de repente, o desgraçado o acompanhou e o acertou em cheio a nuca. O infeliz caiu ali mesmo. O diabinho pegou o violão e sumiu correndo na penumbra.
Cheguei até o local e tentei acordá-lo. Estava totalmente desfalecido. De tanto tentar em vão cansei-me e acabei dormindo ali ao seu lado. Só senti depois alguém me acordando: "ei amigo acorda! já é manhã" Acordei com o sol a pino me ardendo o rosto. "obrigado" disse ao homem que me despertou.
Acordei meu parceiro em seguida e fomos para o ponto de ônibus. "diabos! diabos!" ele exclamava. "o que aconteceu?" perguntava endoidecido. Respondi que não tinha acontecido nada. Lembrei-me do nanico desgraçado... senti um frio na espinha.
Nossa. Imagina a ressaca dos diabos depois...risos. Parabéns e aguardo a votação...E o lance do cassetete neon? Olha o que a cachaça não faz...risos2. abços.
Cristiano Melo · Brasília, DF 3/6/2008 01:21
Cara, esse é mesmo de arrepiar.
Parabéns e um abraço.
Querido,Acácio,meu lindo amigo...Que aventura,diabólica...rsrsrs..gostei do mistério no finalzinho...inusitado....adorei!
Parabéns!
Votadíssimo!
Beijinhos azuis....
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk muito legal Acácio!
abraços
caro cristiano essa cachaçada foi da boa rsss ,com direito a cassetete de neon e tudo rsss,
abração
acácio
Ailuj e Sônia obrigado, também me arrepio quando lembro rss
um abraço,
acácio
Raiblue querida obrigado pela presença, que bom que gostou
abraço,
acácio
Publicado.!stou com o tempo curto hoje,mas aqui compareri para os votos.
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 6/6/2008 07:23Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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