I
Era uma princesa
Já órfã de mãe em pouca idade,
E que sempre vivera em cidade
De onde não se via o mar.
Mas ela,
- Vamos chamar-lhe de Isla –
Sonhava, em sua alma deserta.
Com o que seria o mar,
E para onde ela iria
Se pudesse o alcançar.
II
Um dia, Isla
De beleza tão singela
Quanto uma concha
Casa vazia ecoando o mar,
Inesperadamente
Teve que da sua cidade dura
Por conveniência pura
Viu-se indo embora
Para uma outra cidade
Que era banhada por mar.
Isla, noite e dia,
Sonhava, e se banhavas,
E assim em sonho banhada,
Sentia-se já ilha
Cercada de mar, mar, mar...
III
E chegou o dia
Em que com infantil euforia
Sem mais idade para tanto
Quando viu o mar
Isla banhou-se em pranto.
Pranto, para tantos,
Até de amedrontar.
Era dor?
Era medo?
O que Isla estava a prantear?
Isla calada,
Em pranto banhada,
Parada, mas não paralisada,
Abriu os braços
Num abraço fantasma,
E soluçava qual criança desesperada,
Num choro que só ela sabia,
Se o teor era de dor,
Ou de desatada alegria.
IV
O que ninguém,
Poderia adivinhar,
É que Isla, muito além,
Do que via além do mar,
Dentro daquelas ondas
Que cantavam na voz da sua mãe,
Que já não cantava mais.
Isla chorava,
E sentia que se entrasse,
Sua vida entregaria.
Porque o mar
Era a sua mãe perdida
Que a acalentava,
A abraçava,
E banhava,
Mas ela temia...
E ficou ali, abraçada
Com si mesma, a chorar,
Sentindo-se fraca,
Por temer tanto
Entrar no mar.
V
E do mar,
Em ondas desesperadas,
Uma voz materna acalentava,
Num som de doce marulhar:
“Isla, Isla...
Hei de sempre te banhar,
Te cercar do sal que cura,
Água que no ventre traz,
Crias lindas demais...
Minha menina fique em paz.
Mas ficas aí onde estás...
És Isla, ainda pequenina,
E o mar é feito de inconstâncias infindas,
Além de profundas águas abissais.”
VI
E Isla, assim acalentada,
perdeu o medo do mar.
e entrou, até onde os seus pés,
a sua limitação a lhe ancorar,
assim que resolveu entrar,
para se entregar,
ao seu primeiro banho de mar
Março de 2007.
(para uma menina que eu quis que fosse minha)
É como se Isla representasse uma ilha, ironicamente em inglês a palavra é muito parecida, sozinha, isolada, cercada de água por todos os lados !
Um beijo !
Alcanu !
Uma bela história contada em versos poéticos irretocáveis. Bjs
Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 21/4/2008 04:35
Lindo, Dora... todas as entregas são lindas...
ainda mais quando transformadas em versos...
Beijo.
Oi Gente Linda Pendão da Esperança,
poetas são os verdadeiros símbolos da Paz.
Desculpem, acordei toda quase nacionalista, apesar de nos ouvidos trazer a voz suave de uma indiana...
Desculpem também a pressa, a imperfeição me alcança a passos largos, e eu estou com o chão da minha senzala repleta de papéis e envelopes, pétalas de rosas, contas, vitrilhos, linhas, tesoura e colas... e as idéias espalhadas pelo chão vão formando imagens e letras, e palavras, e palavras, que carecem de serem unidas, para preencherem mundos vazios de folhas opressoramente brancas...
Beijos a todos, bom feriado de descoberta indevida das terras brasílis.
Recífelis continua suja, bonita, alegre, confusa, e suja.
Olinda tem um sítio histérico históricamente culturalizado e cheio de odores impregnantes, que vão desde os pés de oitis, até os ácidos mijos ressecados.
Dora, que lindo esso conto-poema!
A Isla que habita cada uma de nós estará a sorrir, abraçada com a mãe e com o mar...
Lindo!
beijos
Dora, a cada dia, seus poemas estão mais proundamente belos e musicais.
Linda história, em belos e musicais versos.
beijos
Querida Dora,um poema maravilhoso!
Me deixou fascinada sua Isla.Eu sei que ela alcançou o mar.Tb sei que daqui há duas horas estarei de volta.Um beijo em seu coração.
Ratificando meu comentário com voto. Sucesso! Bjs
Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 23/4/2008 05:23aum grandr abraço minha querida.Aqui compareço nesse feria do de S.Jorge.Votado.
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 23/4/2008 05:25
Bom dia Dora,
Fascinante seu conto poético. E assim em sonho banhada,
Sentia-se já ilha
Cercada de mar, mar, mar...Se sentir ilha de tanto mar é lindo e profundo. Lembro de algo que escrevi certa vez:(...meu coração é um mar profundo...)
O encanto e a magia do mar acalenta e acalma, maternalmente, sempre nossa 'Isla' interna. Beijos.
Votos e
Viva Olinda com todos os seus odores...rs
Dó, me ewxplica uma coisa que eu nunca, jamais consegui entender:
"-Como é que o Tiradentes morreu ( dia 21 ) antes do Pedro
Álvares Cabral descobrir ( dia 22 ) esta Terra maravilhosa ?"
I Don't understand
Um beijo, Alcanu !
PS:
Viva a bagunça, APOIO TOTAL, AMPLO & IRRESTRITO !
Eu troquei as datas, sempre troco. Aco mais bonito vinte e um de abril para descobrimento, e dia vinte e dois para mártir de araque.
Desculpem, é o que eu penso de Tiradentes!
Não sei como não botaram a homenagem para perto da semana santa, pra fazer parelha com Jesus. Cabelos grandes, barba, bigode, preocupado com a, liberdade e... Quase tudo a ver, não fosse a dívida de impostos que o dito cujo tinha com os cofres de Portugal.
Liberdade ainda que à tardinha, baby
Obrigada a todos, estou correndo, beijos, Valeu!!!
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