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A minha vida o meu tempero

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Baiana do Palácio de Cristal · Petrópolis, RJ
4/2/2010 · 1 · 0
 

Cheguei em Petrópolis, no dia 3 de junho de 1989, acompanhada do meu marido Rubens, da minha filha Mariana e grávida de seis meses da minha filha Ana Maria.
E logo ao chegar, eu fiquei durante um tempo observando as pessoas como por encanto; “senti que tinha voltado ao lugar de outrora, num dia tão frio como agora, e a cada passo meu, a carícia do vento frio, suavizava lentamente o meu rosto. Onde eu sentiria a cada instante que voltei a reviver nas ruas, o passado só agora tão presente e não mais distante rodeada de gente bela e bem vestida”, para dar continuidade... Onde só depois da morte do meu afetuoso marido Rubens, eu descobri...
“A beleza esplêndida onde tantos não te encantam e nem sequer percebem o teu encanto...”
Como eu gostaria de ter nascido aqui para cada vez mais, me orgulhar de ser parte de ti: “mas tenha a certeza minha bela e querida Petrópolis, que na tua terra viverei para te amar e morrerei para não mais te deixar.”
E quando eu finquei o meu tabuleiro no Palácio de Cristal não foi tanto pelos cristais e sim pelos meus ancestrais que me passaram luz, amor e alegria.
Como uma dança de roda ou encontro de jograis. E é através da poesia que mostramos o verdadeiro sentimento da alma.
Nos meus cinco anos de tabuleiro de baiana sempre busquei não só comercializar os meus produtos artesanalmente manufaturados por mim, mas também somar com a cidade.
Informando à comunidade e turistas brasileiros a importância de preservamos a nossa cultura, onde todos os quitutes são pesquisados por mim e pelas minhas filhas Mariana e Ana Maria, mostramos para todos os visitantes a nossa riqueza histórica, não só os pontos turísticos tombados pelo patrimônio, mas todo o seu conjunto de casarões e mansões de ilustres personalidades que aqui residiram, reunidos lado a lado, tão presentes. Muitos desses casarões são esquecidos ou demolidos e com eles a nossa história.

Podemos trazer o futuro e o desenvolvimento da Cidade Imperial do Brasil sem alterar o seu conjunto histórico arquitetônico, urbanístico e principalmente a sua fauna e flora... Através da cultura étnica de Petrópolis; na gastronomia diversificada em Itaipava, na musicalidade graças à influência alemã e aos hábitos e costumes do município, promovendo festivais nos intervalos que antecedem a festa do colono alemão, até à exposição agropecuária. Criação de guias voluntários, através de cada vendedor da Rua Tereza, assim como a baiana do Palácio de Cristal, os historiadores pesquisadores e profissionais na área de turismo poderiam ser também voluntários, ajudando assim os guias móveis, profissionais liberais a trabalharem mais, com o apoio dos voluntários.
Porque em todo trabalho voluntário há dedicação e amor. Petrópolis é uma cidade bela e ricamente histórica, mas mal administrada na sua cultura e economia.
Quando eu elaborei o meu tabuleiro de baiana, pensei em uma baiana mais sofisticada e acima de tudo Imperial, com os temperos autênticos dos sabores da culinária baiana, para que os visitantes ao me ver, pudessem encontrar no meu tabuleiro, o sabor da Bahia em plena calçada do Palácio de Cristal; somando com harmonia e informação, continuarei a perfilhar, mesmo que no meu caminho ainda encontre pedras, porque só assim eu saberei que estou na trilha certa...

Artigo publicado pela Tribuna de Petrópolis 2003.

Sobre a obra

Artigo escrito por Máxima (Baiana do Palácio de Cristal).
Publicado pelo jornal Tribuna de Petrópolis-RJ em 2003. O meu trabalho na calçada lateral do Palácio de Cristal soma diretamente com os atrativos consolidados pela prefeitura onde pude perceber através da comunidade e turistas brasileiros e estrangeiros a importância do meu tabuleiro de Baiana de Acarajé, no resgate e valorização da cultura brasileira. De tudo que represento para o público geral, sobre a ignorância dos absolutos. Continuarei a perfilhar...

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Autoria
Máxima Cruz dos Santos
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