Cheguei em Petrópolis, no dia 3 de junho de 1989, acompanhada do meu marido Rubens, da minha filha Mariana e grávida de seis meses da minha filha Ana Maria.
E logo ao chegar, eu fiquei durante um tempo observando as pessoas como por encanto; “senti que tinha voltado ao lugar de outrora, num dia tão frio como agora, e a cada passo meu, a carícia do vento frio, suavizava lentamente o meu rosto. Onde eu sentiria a cada instante que voltei a reviver nas ruas, o passado só agora tão presente e não mais distante rodeada de gente bela e bem vestida”, para dar continuidade... Onde só depois da morte do meu afetuoso marido Rubens, eu descobri...
“A beleza esplêndida onde tantos não te encantam e nem sequer percebem o teu encanto...”
Como eu gostaria de ter nascido aqui para cada vez mais, me orgulhar de ser parte de ti: “mas tenha a certeza minha bela e querida Petrópolis, que na tua terra viverei para te amar e morrerei para não mais te deixar.”
E quando eu finquei o meu tabuleiro no Palácio de Cristal não foi tanto pelos cristais e sim pelos meus ancestrais que me passaram luz, amor e alegria.
Como uma dança de roda ou encontro de jograis. E é através da poesia que mostramos o verdadeiro sentimento da alma.
Nos meus cinco anos de tabuleiro de baiana sempre busquei não só comercializar os meus produtos artesanalmente manufaturados por mim, mas também somar com a cidade.
Informando à comunidade e turistas brasileiros a importância de preservamos a nossa cultura, onde todos os quitutes são pesquisados por mim e pelas minhas filhas Mariana e Ana Maria, mostramos para todos os visitantes a nossa riqueza histórica, não só os pontos turísticos tombados pelo patrimônio, mas todo o seu conjunto de casarões e mansões de ilustres personalidades que aqui residiram, reunidos lado a lado, tão presentes. Muitos desses casarões são esquecidos ou demolidos e com eles a nossa história.
Podemos trazer o futuro e o desenvolvimento da Cidade Imperial do Brasil sem alterar o seu conjunto histórico arquitetônico, urbanístico e principalmente a sua fauna e flora... Através da cultura étnica de Petrópolis; na gastronomia diversificada em Itaipava, na musicalidade graças à influência alemã e aos hábitos e costumes do município, promovendo festivais nos intervalos que antecedem a festa do colono alemão, até à exposição agropecuária. Criação de guias voluntários, através de cada vendedor da Rua Tereza, assim como a baiana do Palácio de Cristal, os historiadores pesquisadores e profissionais na área de turismo poderiam ser também voluntários, ajudando assim os guias móveis, profissionais liberais a trabalharem mais, com o apoio dos voluntários.
Porque em todo trabalho voluntário há dedicação e amor. Petrópolis é uma cidade bela e ricamente histórica, mas mal administrada na sua cultura e economia.
Quando eu elaborei o meu tabuleiro de baiana, pensei em uma baiana mais sofisticada e acima de tudo Imperial, com os temperos autênticos dos sabores da culinária baiana, para que os visitantes ao me ver, pudessem encontrar no meu tabuleiro, o sabor da Bahia em plena calçada do Palácio de Cristal; somando com harmonia e informação, continuarei a perfilhar, mesmo que no meu caminho ainda encontre pedras, porque só assim eu saberei que estou na trilha certa...
Artigo publicado pela Tribuna de Petrópolis 2003.
Artigo escrito por Máxima (Baiana do Palácio de Cristal).
Publicado pelo jornal Tribuna de Petrópolis-RJ em 2003. O meu trabalho na calçada lateral do Palácio de Cristal soma diretamente com os atrativos consolidados pela prefeitura onde pude perceber através da comunidade e turistas brasileiros e estrangeiros a importância do meu tabuleiro de Baiana de Acarajé, no resgate e valorização da cultura brasileira. De tudo que represento para o público geral, sobre a ignorância dos absolutos. Continuarei a perfilhar...
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