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A MÍSTICA DO AGOSTO

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raphaelreys · Montes Claros, MG
18/1/2011 · 1 · 9
 

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A MÍSTICA DO AGÔSTO

Pra nós montes-clarenses, filhos do bandeirante Gonçalves Figueira, o mês do ”gosto”. Das suculentas e fartas mesas de agosto, da aura e das cores da chapada guardadas na memória do montes-clarense, como um patrimônio. O “baticum” dos tambores, o pique e o repique das caixas, o ritmo marcado pelos passos dos dançantes, a ginga sincronizada e quase religiosa dos corpos em um “quantum”.
O badalar dos pêndulos no oco metálico e o dindon anunciando a iniciação, a benção do "Levantamento do Mastro”. As cantorias que juntam as nossas almas com a egrégora do Grande Sertão. Rezas, ladainhas, terços, as caminhadas em procissão de ponto a ponto. O Portal de Agosto, o Oráculos dos Catopés, Marujadas e Caboclinhos.
Outras almas que aqui já estiveram e já foram e agora estão conosco na romaria. Cantam, dançam como os vivos, como numa farândola de enfeitados diabretes de fitas e penas. Da sede dos catopés a igreja dos catopés.
Zanzam cores, cordas e tinidos junto ao frio da lâmina da espada do guerreiro cantante arcanjo/Miguel. Suores e os acordes da cantoria abafada (como um gramofone tocando em um acetato) e dengosa da viola dos caboclinhos, uns grandes outros tão pequeninos.
Vindo do fundo do inconsciente, adrenalina produzida pela visão inusitada, do medo das telas nas caras da marujada com suas faces venezianas e o seu sincronismo estático. Pontas incisivas de espadas e espadachins.
Do glamour do Automóvel Clube onde rainhas, reis, príncipes e princesas a passo letárgico e quase estático, trilham o caminho que, no final, santos Anjos e Serafim, alguns Querubins aguardam sentados em seus tronos (eles também estão vestidos de catopés com suas brilhantes fitas etéreas e o fulgor dos seus chacras humerais).
Preparando com palha o bom e meloso fumo sergipano, um pito sertanejo escondido nas “dobras” do Hiperespaço Cósmico. Silfos e Ondinas do Reino de Augustus espargem água benta do rio Aqueronte sob as cabeças dos passantes. Magotes de elfos e duendes, seres elementais vindos das chapadas cantam e dançam entre o povo enquanto se inebriam do “bodum” e do suor dos ébrios!
Logo, o ronronar dos sucos gástricos das nossas panças ativados pelo cheiro da carne de sol dois pelos, da farofa de farinha do Morro Alto, do beiju de coco, se misturam ao cheiro da fermentação das louras de cevada, o “oroma” dos licores de pequi, da boa cachaça Viriatinha, dos conhaques São João, do malte dos “scotch” eternos.
O tostão e o déreis para o batismo das fitas... Os filhos e netos com o sorriso dos avós pela mão e o baticum de agosto, mês do gosto e, para alguns, do desgosto. As câmeras digitais e as filmadoras portáteis desse mundo globalizado arrancando um pedaço das nossas almas no clique...

raphaelreysmoc@yahoo.com.br




Sobre a obra

Deus te salve casa santa,
onde Deus fez a morada,
Onde mora o cálix bento
E a hostía consagrada
E a hostía consagrada.

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Autoria
RAPHAELREYS
Ficha técnica
São Benedito como sua casa cheira É de cravo é de rosa é de fulô de laranjeira.
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raphaelreys
 

Chô meu sabiá
Chô meu sabelê
Toda madrugada eu sonho com você
Se você duvida eu vou sonhar pra você ver.

raphaelreys · Montes Claros, MG 18/1/2011 02:49
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Claudia Almeida
 

Entra na procissão querido reza forte para Nossa Senhora
ò Benção Sagrada!


Beijos

Claudia Almeida · Niterói, RJ 18/1/2011 11:39
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raphaelreys
 

Obrigado pela sintonia Claudinha! Um abração!

raphaelreys · Montes Claros, MG 19/1/2011 02:46
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raphaelreys
 

Vou colar aqui um comentário do jornalista Alberto Sena Batista, feito no facebook. Muito pertinente ao texto.

Alberto Sena Batista ‎;(Se o amigo permite, segue texto afim.

Por Alberto Sena - 23/5/2010 09:36:21

Viva o Divino; salve Chico Rei

Alberto Sena

Darcy Ribeiro, com toda verve libertária, de homem que nutria profundo amor ao ser humano, costumava dizer: “o meu sonho é ser Imperador do Brasil”. Quem o ouvia dizer isto achava no mínimo que Darcy estava sendo incoerente com tudo; toda a sua carreira de professor – ele era tudo, mas gostava de ser chamado de professor - antropólogo, indigenista, escritor, político etc. Dizia isto e sorria, para depois explicar: “meu sonho é ser Imperador do Brasil nas Festas do Divino, no mês de agosto, em Montes Claros”.
Mês de agosto em Montes Claros era diferente de mês de agosto em qualquer lugar do planeta. O Sol assumia cor avermelhada e dava a impressão de estar ao alcance da mão. Ficava como Lua Cheia, enorme bola solta no espaço.
Longe de nós 150 milhões de anos-luz, Sol com alguma semelhança ao de Montes Claros só se veem em Brasília, porque erigida no Cerrado; ou em Israel, no Oriente Médio, onde, diferentemente daqui, o Sol alaranjado, as águas do Mar Mediterrâneo o engolem não por acaso, a cada ocaso.
Os raios do Sol de agosto se misturavam com a bruma característica da estação de seca na região do Norte de Minas, e a bruma se confundia com a fumaça de queimadas, quando os agropecuaristas assim preparavam o terreno para lavorar e plantar capim.
E era então este um sinal de que havia chegado o tempo do desfile dos catopês. Enfim, as festas do Divino Espírito Santo.
O espetáculo de simplicidade dos catopês penetrava a menina dos olhos e ia direto ao fundo do mar onde moram os mais elevados sentimentos humanos, e de lá uma voz dizia: chegou o tempo de lembrar a gente caçada como bicho do mato, a gente aprisionada como fera, a gente trazida à força para o Brasil de antanho nos chamados navios negreiros.
Darcy sonhava ser Imperador do Divino. Este escriba, do alto da sua insignificância, tinha pretensões outras: ser catopé, ostentar a beleza das faixas coloridas da cabeça aos pés; os espelhos na testa a espalhar em todas as direções os reflexos do Sol escaldante de Montes Claros.
Queria suar como suavam os catopês a bailarem felicidade do momento; a reviverem as lembranças do passado – e a memória dos antepassados –; e a sonharem sonhos de um futuro alvissareiro.
Mas foi tarde – e antes tarde do que mais tarde – que se foram caindo os véus e se soube por meio de pesquisas nos alfarrábios, o porquê de gente simples o ano inteiro viver a expectativa de se sentir na pele de príncipes, de reis e de rainhas nas festas do Divino, em agosto.
Os experts em matéria de folclore, como Saul Martins, para citar um, contam que os catopês todo ano lembram Chico Rei.
E quem foi Chico Rei?
Um príncipe negro africano trazido à força para o Brasil só com a passagem de vinda em navio negreiro.
Aos poucos ele comprou a própria liberdade e fundou uma espécie de cooperativa para alforriar escravos. E assim, em torno dele os escravos alforriados formaram “um reinado”. Daí o costume. É preciso lembrar Chico Rei em meio às festas do Divino, em agosto.
A primeira notícia que se tem das Festas de Agosto é de 23 de maio de 1939, ocasião em que são homenageados o Divino Espírito Santo, Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.
Em que pese toda a seriedade dos festejos de agosto aqui evocada, não custa nada contar um episódio engraçado. E na sequência um acontecimento de final trágico, para dar mais substância ainda ao ambiente folclórico.
A cena se deu em plena Rua Dr. Santos. Os catopês vinham em cantoria. Bailavam. Na porta de uma casa em estilo colonial, pouco abaixo da Praça Coronel Ribeiro (salvemos a praça!) de calção e nu da cintura para cima, estava um jovem. Ele observava atentamente os catopês e suas fitas coloridas, esvoaçantes.
Sem que ao menos suspeitasse, por trás dele veio o irmão menor. Num gesto rápido, de criança sapeca, puxou para baixo o calção do jovem. Por eternos segundos, ele ficou peladão diante dos catopês e dos circunstantes. O riso foi geral. Num átimo, ao se vir pelado, o espantado jovem puxou o calção para cima e, chorando de vergonha, correu ao encalço do irmão.
O final fugiu do universo folclórico e caiu na realidade de alguns anos adiante. A lembrança escapou por uma fresta do baú. O jovem peladão morrera afogado numa piscina. Na ocasião, disseram, “ele estava praticando pequenos furtos e a mãe dele fez um pedido a Deus: “prefiro ver o meu filho morto a vê-lo preso como ladrão”.

raphaelreys · Montes Claros, MG 19/1/2011 02:49
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raphaelreys
 

TEXTO COPIADO DO ' DIGIFORUM':

MensagemEnviada: Qui Ago 23, 2007 8:24 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo
O ritual congadeiro, expressão da religiosidade negra que sobreviveu ao processo de imposição cultural, acontece em Minas Gerais durante os festejos de Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Divino Espírito Santo, mesclando tradições africanas com elementos de bailados e representações populares luso-espanholas e indígenas.

Montes Claros possui atualmente seis grupos de Congado, sendo um de Caboclinhos, dois de Marujos e três de Catopês que, entre os meses de maio e agosto, desfilam pelas ruas visitando casas e igrejas, devotando sua fé e suas crenças no poder divino.

Os Marujos usam vestimentas com as cores azul e vermelho – o azul representando os cristãos e o vermelho representando os mouros. O capitão do terno vem à frente, com sua espada, conduzindo o cortejo; os Marujos trazem expressa, em sua arte, a fusão de várias tradições portuguesas, encenando grandes feitos náuticos e a vitória do catolicismo sobre os muçulmanos. Na sua música, a alegria e a tristeza sempre estão lado a lado, dividindo os versos, acompanhados por pandeiros, comuns às guardas de Congado de Montes Claros, e por cavaquinhos, violões e violas de 12 cordas.
Os Caboclinhos retratam a figura do índio brasileiro, associado à Confraria de Nossa Senhora do Rosário. Seus trajes simbolizam as vestimentas indígenas, com enfeites de penas acopladas às roupas vermelhas.
Os Catopês apresentam variações em suas vestimentas, principalmente nas cores, que costumam estar relacionadas àquelas predominantes na bandeira do santo de devoção do terno. Em Montes Claros, os dois ternos de Nossa Senhora do Rosário utilizam camisas e calças brancas, e o terno de São Benedito utiliza, predominantemente, a cor rosa. Os integrantes dos três ternos usam na cabeça o que eles chamam “capacete”, adereço com fitas coloridas e/ou penas – variando de acordo com o terno. Os Catopês usam somente instrumentos de percussão: caixa, chama, tamborim, pandeiro e chocalho.

Enquanto Catopês, Marujos e Caboclinhos rendem cânticos de louvor aos santos de devoção, o Festival Folclórico, que acontece no mesmo período, promove shows musicais, exposições artísticas, oficinas culturais, palestras e debates, além de barraquinhas de comidas, bebidas e de artesanato que atraem curiosos, admiradores e turistas da cidade e de todo o Norte de Minas.

Porta-estandarte que segue à frente do grupo.
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Os grupos são formados por homens de todas as idades, tradição passada de pai para filho.
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Mestre João Pimenta dos Santos (Zanza), que completou 74 anos, participante desde os 04 anos de idade.

raphaelreys · Montes Claros, MG 19/1/2011 04:59
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raphaelreys
 

Texto copiado do História de Montes Claros:



1768 - Arraial das Formigas. Expedição Espinosa - Navarro, composta por 12 homens determinados, talvez espanhóis e portugueses, foi a primeira a pisar as vastas terras da Região do Norte de Minas, habitada pelos índios Anais e Tapuias. Mas era muito cedo ainda para fundar as cidades do sertão, longe do litoral. Bandeirantes partiram de São Paulo, procurando pedras preciosas, e embrenharam-se pelo sertão do Norte da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Fernão Dias Pais, Governador das Esmeraldas, organizou a mais célebre Bandeira, para conquistar "Esmeraldas", da "Serra Resplandecente".

Antônio Gonçalves Figueira, que pertencia à Bandeira de Fernão Dias, acompanhou-a até às margens do Rio Paraopeba, onde com Matias Cardoso, abandonou o chefe, regressando para São Paulo, chegando lá dois anos depois.
Seduzidos pela fertilidade do Sertão Mineiro e talvez, na esperança de conquistarem riquezas, Antônio Gonçalves Figueira e Matias Cardoso retornaram, tornando-se colonizadores caçando índios, construindo fazendas, cujas sedes se transformaram em cidades.

Formou três grandes fazendas: Jaiba, Olhos d'Água e Montes Claros, esta, situada nas cabeceiras do Rio Verde, pela margem esquerda, próxima a montes formados por Xistos Calcários, com pouca vegetação. Pelo alvará de abril de 1707, Antônio Gonçalves Figueira obteve a sesmaria de uma légua de largura por três comprimentos, que constituiu a Fazenda de Montes Claros. Formigas foi o segundo povoado da Fazenda Montes Claros. Gonçalves Figueira para alcançar mercado para o gado, construiu estradas para Tranqueiras na Bahia, e para o Rio São Francisco. Era grande o seu interesse de expansão do comércio de gados, e com isto, procurou ligar-se ao Rio das Velhas e também à Pitangui e Serro. A região foi se povoando e a Fazenda de Montes Claros transformou-se no maior Centro Comercial de Gado, no Norte de Minas Gerais.

O próspero Arraial de Formigas, depois Arraial de Nossa Senhora da Conceição e São José de Formigas, Vila de Montes Claros de Formigas e por fim cidade de Montes Claros. Iniciou-se assim, em local diferente da sede de Antônio Gonçalves Figueira, em torno da Capela erguida por José Lopes de Carvalho.


1831 - Vila de Montes Claros de Formigas

Cento e vinte quatro anos após obtenção da Sesmaria, por Antônio Gonçalves Figueira, dono e construtor da Fazenda de Montes Claros, já estava o Arraial de Nossa Senhora de Conceição e São José de Formigas, suficientemente desenvolvido para tornar-se independente, desmembrando-se de Serro-Frio. Pelo esforço dos líderes políticos o Arraial foi elevado a Vila pela Lei de 13 de outubro de 1831, recebendo o nome de "Vila de Montes Claros de Formigas".

Os vereadores, primeiros líderes construtores do progresso de Montes Claros, naquele tempo longínquo: José Pinheiro Neves (Presidente), Laurenço Vieira de Azevedo Coutinho, Luiz de Araújo Abreu, Antônio Xavier de Mendonça, Francisco Vaz Mourão e Joaquim José Marques, que substituiu José Fernandes Pereira Correia. A 22 de julho de 1834, toma posse o primeiro Juíz Municipal Dr. Jerônimo Máximo de Oliveira e Castro. Apareceram na Vila, os primeiros médicos e facultativos: Manoel Hipólito de Palma, com licença para exercer a profissão de Cirurgião.

Outros facultativos apareceram em 1835, e, em 1847, chega à Vila o primeiro médico formado: Dr. Carlos Versiani.
A Vila de Montes Claros de Formigas desenvolvia-se pelo esforço dos líderes, os costumes eram primitivos, em casa faziam-se comida, as quitandas, o sabão, as rendas de almofada, tecidos no tear, etc. Em 1817 já havia três sobrados: O do Cel. João Alves Maurício, o do Simeão e o Mirante. Outros foram construídos, tinham piso de assoalho, maior número de janelas e melhor acabamento.


1857 - A Vila de Montes Claros de Formigas passa a Cidade

Em 1857, a Vila Montes Claros de Formigas teria pouco mais de 2.000 habitantes, mas os políticos já pleiteavam a elevação à cidade, pois os melhoramentos existentes eram os mesmos de quase todos os municípios da Província.
Assim, pela Lei 802 de 03 julho de 1857, a Vila passou a cidade - Cidade de Montes Claros, sem formigas, que desagradava a todos os formiguenses. A partir dali seriam "montesclarenses".

A 12/07/1858 tomaram posse os novos vereadores. Por muito tempo, o aspecto da cidade permaneceu quase o mesmo. O desenvolvimento da cidade continuava lento, pois os meios de transporte permaneciam: Cavalos e liteira para as pessoas, carros de bois e tropas de burros que conduziam mercadorias, num comércio mútuo, suadas andanças pelas estradas estreitas e poeirentas, muitas delas abertas pelos bandeirantes.

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raphaelreys · Montes Claros, MG 19/1/2011 05:04
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Transcrito da Revista de Cultura do Catolicismo:

Festas de Agosto em Montes Claros (MG)

Há mais de um século, nos dias 17 a 21 de agosto são realizadas em Montes Claros (MG), festas religiosas em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e ao Divino Espírito Santo.

Além das celebrações genuinamente religiosas, como missas, bênçãos e levantamento de mastros, realizam-se ainda as "Marujadas", "Cabocladas" e "Catopês".

A "Marujada" é a teatralização de uma epopéia marítima, exaltando os feitos dos marinheiros portugueses e os princípios cristãos da Religião católica, com características regionais. A encenação conta com a participação de 18 a 24 "Marujos", com vestimentas enfeitadas com rendas e cetim, metade em azul e outra em vermelho.

Os "Marujos" saem dançando pelas ruas, entoando canções suaves, que agradam a todos. Em formação de colunas, com instrumentos musicais, dirigem-se em cortejo até a igreja de Nossa Senhora do Rosário, a fim de participar das festividades do mês de agosto.

As "Cabocladas" ou "Caboclinhos" constituem um divertimento de origem indígena. Seus figurantes são dez a quinze pares de crianças entre sete e dez anos, vestidas com saiotes vermelhos, enfeitados com plumas. Usam também capacetes de penas e carregam arcos e flechas.

Além desses "Caboclinhos", o grupo é completado por uma figura infantil, o "Caciquinho", por seis figuras adultas, dois porta-bandeiras e os músicos. Os adultos envergam roupas enfeitadas de penas e muitos balangandãs, sem qualquer semelhança com trajes indígenas. Todos os componentes desse conjunto assistem à Missa e acompanham silenciosos os festejos.

Os "Catopês" ou "Dançantes" correspondem aos "Zumbis" ou às "Congadas" de outros lugares, mas com adaptações regionais. Os participantes agrupam-se em "temos", contendo cada um deles cerca de vinte pessoas, entre adultos e crianças, todos homens. Com vestimentas simples, os "Catopês" nos dias das festas saem pelas ruas cantando ao ritmo de tambores, e formam um cortejo com o rei, a rainha, membros das famílias dos festeiros, o povo da cidade e a banda de música, que acompanham o séqüito até a igreja de Nossa Senhora do Rosário.

São Pio X, fundador e Padroeiro da Diocese de Montes Claros

Em 10 de dezembro de 1910, o Papa São Pio X instituiu a Diocese de Montes Claros, nomeando Dom João Antonio Pimenta como seu primeiro Bispo. Canonizado pela Igreja, aquele grande Pontífice foi escolhido como Padroeiro da Diocese, encontrando-se sua imagem no altar-mor da Catedral.

As Festas de Agosto p.p., em honra do Divino Espírito Santo, de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito, foram aproveitadas por senhoras católicas de Montes Claros - assinantes de Catolicismo - como excelente ocasião para prestar uma homenagem inédita ao padroeiro da Diocese.

Com o cordial consentimento dos organizadores das festividades, um conjunto de crianças desfilou pela primeira vez, juntamente com os "Reinados", os "Marujos", os "Caboclinhos" e os "Catopês". Além do Papa São Pio X, tais crianças representaram a Hierarquia da Igreja Católica, bem como as Ordens Religiosas masculinas e femininas. Cardeais, Arcebispos, Bispos, Sacerdotes, Monges, Freiras e até coroinhas participaram do cortejo com seus trajes tradicionais.

Para realçar a figura do Papa, foi confeccionada uma réplica da Sedes Gestatoria - espécie de trono no qual o Papa era conduzido nas grandes solenidades. Os portadores deste eram figurantes envergando os vistosos uniformes da Guarda Nobre Pontifícia, de acordo com a tradição histórica. O figurante do Sumo Pontífice usava a tiara, que consta de três coroas sobrepostas, simbolizando o tríplice poder que tem o Papa: o de Bispo, de Sumo Pontífice e de Rei.

Meninas vestidas de anjos - costume tradicional nas coroações de Nossa Senhora durante o mês de maio - abriam o cortejo.

Esse conjunto de crianças, que desfilou em honra do Padroeiro São Pio X, nas Festas de Agosto, provocou grande impacto e despertou viva simpatia por parte do povo em geral. Calorosos aplausos acolheram o referido grupo, nos três dias em que se apresentou ao público.

raphaelreys · Montes Claros, MG 19/1/2011 05:09
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CHARLES   SCHUAB
 

MUITA INFORMAÇÃO..GOSTARIA DE DIZER QUE SOU DO ESP.SANTO.ESTOU EM LINHARES.AQUI PERTO NA CIDADE DE ITAUNAS TEMOS A FESTA QUE RELATA A HISTORIA DA LUTA ENTRE MOUROS E CRISTÃOS.DURA QUATRO DIAS ,COM LUTAS PELAS RUAS COM ESPADAS DE VERDADE ABAULADAS NAS PONTAS.AINDA ASSIM MUITAS FERIDAS ACONTECEM..É MARAVILHOSA A FESTA QUE DURA UMA SEMANA.AS TROPAS CAMINHAM PELA CIDADE E DE REPENTE SE ENCONTRAM EM QUALQUER ESQUINA E ENTÃO COMEÇAM A BATALHA...VALE A PENA CONFERIR...ABRAÇO!

CHARLES SCHUAB · Linhares, ES 22/1/2011 22:31
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raphaelreys
 

Charles! Por aqui também tem a tradoção. O tempo demanchpu as cavalhadas e o combate sumylado. A cidade cresceu, se industrializou e ficou só as festas de agosto!

raphaelreys · Montes Claros, MG 23/1/2011 01:17
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