A moça acenando à janela - conto

A moça acenando à janela.
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Daniel Duende · Brasília, DF
3/2/2007 · 122 · 25
 

"Não conseguia parar de chorar, mesmo quando seu taxi parou em frente ao aeroporto. Suas costas ainda tinham os arranhões apaixonados deixados pelo último sexo antes da horrível briga. Seu coração ainda dilacerado pelo adeus torto, farpado, que disseram. Tinha os cabelos caídos sobre o rosto, para não olhar nos olhos de ninguém. Estava despencando do céu carioca onde vivera nos últimos tempos. Estavam, pensava. Ou talvez não houvesse mais um plural. Eram aves perdidas agora. Seu vôo fora interrompido. Foram do céu ao chão seco, como um avião em queda desastrosa, em um amanhecer trágico. E agora, para seu desespero, se via indo embora da cidade que fora palco da sua paixão por Ela. As mãos trêmulas se confundiam com as alças das bolsas enquanto ela estendia as três notas para o motorista. Sentia-se perdida num trânsito confuso entre o paraíso o vazio. E, em meio a tudo isso, agora ela teria que pegar o avião, e ir embora. Respirou fundo, quase engasgou-se com a tristeza e saiu do taxi..."
(para ler o conto na íntegra, baixe o arquivo em PDF clicando no botão azul de DOWNLOAD)


A moça acenando à janela é um conto bem antigo, escrito de um só fôlego, em uma noite de janeiro de 2003. Foi incluído e cortado de meu livro de contos (aquele que por vezes parece que nunca verá a luz do dia) mais de 5 vezes. Agora publico-o aqui, com pouquíssimas modificações em relação ao conto escrito na época -- modificações cosméticas, em sua maioria -- como uma decisão final de que não fará parte do livro.

É um testemunho de um olhar e de um momento, e é fácil para mim achá-lo pueril e mal escrito. Mas sei bem que sou por vezes crítico demais daquilo que escrevo e, assim sendo, acabo por engavetar coisas que poderiam ser boas. É por isso que estou agora "engavetando publicamente" este conto. Espero que tenham ao menos alguma afeição por ele. Foi importante para mim quando o escreví... ao que parece ter sido um milênio atrás.

A foto que ilustra este post foi graciosamente cedida por minha amiga Júlia, e embora tenha sido batida antes mesmo que ela tenha conhecido o conto, parece ter sido feita especialmente para ele.


A vida é bela, embora por vezes tenha uma beleza triste. Temos que ter os olhos abertos para todas as belezas (mesmo as menores, mais tolas, mais estranhas ou tristes), para assim não perder de vista a maravilhosa tapeçaria de momentos que é a experiência do viver.

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informações

Autoria
Daniel Duende, ou alguém que foi Daniel Duende a 4 anos atrás.
Ficha técnica
Conto por Daniel Duende/2003.
Foto cedida por Júlia/2003.
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Daniel Duende
 

... e enquanto estava tratando esta foto para o conto, lembrei-me de uma conversa que surgiu no 1o encontro de colaboradores do Rio:

"qual é o limite do erotismo visual aceitável no Overmundo?"

Acho que isso dá um bom papo no Fórum, né?
Pois vamos para lá.

Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 31/1/2007 18:39
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Daniel Duende
 

Para quem se interessar no papo proposto acima, joguei a conversa aqui:
http://www.overmundo.com.br/forum/topico.php?topico=209

Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 31/1/2007 19:58
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Renan Barbosa
 

Sensível e intenso!

Renan Barbosa · São Paulo, SP 31/1/2007 20:13
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Daniel Duende
 

Obrigado, meu caro cara! :D

Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 31/1/2007 20:21
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Jotaoliveiraa
 

Beleza de conto Duende. Escrava sempre. Parabéns!

Jotaoliveiraa · Brasília, DF 1/2/2007 10:05
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Daniel Duende
 

Que bom que também gostou, amigo Jota. :D

Tenho uma relação de amor e ódio com este,
mas sei que no fundo ele é um bom garoto. :D


Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 1/2/2007 13:06
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Sebastião Firmiano
 

O Sr. tem um problema.
Não consigo baixar arquivos PDF.
E como ja li parte do seu conto. Fiquei tarado.
Então, por favor meu caro. Socorra-me por E-MAIL.
forluz@hotmail.com
Obrigado,

Sebastião Firmiano · São Paulo, SP 1/2/2007 22:22
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Daniel Duende
 

Puxa Sebastião... desculpe.
Vou evitar os PDFs daqui para frente.

Vou te enviar o texto em formato .doc por email.

Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 1/2/2007 22:36
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Sebastião Firmiano
 

O amor e a arte são andróginos
olhamos no espelho e vemos outra pessoa.
Fazer arte, é fazer amor consigo mesmo.
toda história são duas ou (várias).

Você retrata tudo (é um fotógrafo de palavras)..
Ainda estou sobrê efeito do seu conto,
e esse feitiço me impossibilita um comentário mais claro.
Obrigado.

Sebastião Firmiano · São Paulo, SP 2/2/2007 12:58
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Daniel Duende
 

Sentir nos aproxima, nos iguala, ao resto da humanidade.
Por mais distinção e isolamento que busque,
o homem se torna igual a todos os outros quando sente.
O pranto do rei e do plebeu, o sorriso da criança e do velho, a paixão do homem ou da mulher... são todos humanos, são todos iguais, são todos nós...

Abraços do Verde.
(E que bom que você apreciou o conto, meu velho!)

Daniel Duende · Brasília, DF 2/2/2007 13:11
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Osvaldo
 

Daniel, você é realmente muito critico com o seu trabalho. O texto é uma beleza. Parabéns!!!!

Osvaldo · Olinda, PE 2/2/2007 18:43
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Daniel Duende
 

Hey! Muito obrigado mesmo, Osvaldo!
Obrigado pelo elogio ao texto, e por reafirmar que minha crítica ao meu trabalho é grande o bastante.
Talvez ela seja mesmo exagerada, mas é porque eu sei que posso fazer bem melhor do que geralmente faço...

Vou publicar hoje ou amanhã um conto novo, do qual gosto, para dar uma noção de algo que minha auto-crítica aceita como bom. Além disso, o "Reflexões sobre o fio de uma faca" (publicado aqui) passa com louvor em meu crivo. Há quem ache, contudo, que eu tenho mau gosto e que meus contos prediletos não são aqueles que são mais bem escritos...

Gosto é gosto... que bom que há paladares para todos os sabores.

De qualquer forma, que bom que você gostou deste conto. Fico feliz.

Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 2/2/2007 18:50
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Camafunga
 

O texto é ótimo.

Camafunga · Pelotas, RS 5/2/2007 15:04
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Daniel Duende
 

Muito obrigado, caríssimo! :D
Fico muito feliz que tenhas gostado.

Há um conto mais novo, de minha nova fase, publicado aqui também. Chama-se Trangressão.

Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 5/2/2007 15:06
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Camafunga
 

Vou ver, tem um meu publicado hoje também, a vontade.

Camafunga · Pelotas, RS 5/2/2007 15:20
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Daniel Duende
 

Vou dar uma olhada agora, meu caro. :)

Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 5/2/2007 15:27
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Ana Cullen
 

"Todo mundo já chorou nesta vida, pensava ela, mas mesmo assim alguns parecem ainda se assustar com isso."
As pessoas se assustam porque choram mas depois esquecem, para poder seguir em frente de cabeça erguida e quando vem alguém jogar-lhes o fingimento na cara, elas se assustam...
Dani, muito, muito, muito, muito bom!!! Desculpe a demora em ler, acho que é o melhor texto seu que eu já lí... fiquei arrepiada!
Abraços!

Ana Cullen · Brasília, DF 15/2/2007 13:22
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Daniel Duende
 

Heeeeey! Que bom que gostou tanto, Aninha!

É verdade. As pessoas choram, as pessoas saem da casca, mas as pessoas se esquecem. São todos farsas, apontando uns para os outros horrorizados quando se enxergam secretamente espelhandos em alguém que despe a fantasia...

Eu imaginei que você fosse gostar deste conto. Ele é bem do jeito que você gosta, e eu fico feliz que tenha se agradado e se empatizado dele.

Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 15/2/2007 13:29
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Ana Cullen
 

:o)
Ei! Não falei que empatizei... hehehehehe
Abraços!

Ana Cullen · Brasília, DF 15/2/2007 13:50
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Daniel Duende
 

Ah não? Então tá bom. :D

Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 15/2/2007 13:54
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JuNiN
 

muito legal daniel bacana msm ... abrçs

JuNiN · Ribeirão Preto, SP 6/4/2007 11:24
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Daniel Duende
 

Valeu, Junim :D

abraços do verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 8/5/2007 22:43
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ThiagoIsaac
 

Sua "mulher acenando na janela" é um conto belo. Qualquer erotismo é apenas panode fundo para a estória. A queda, a dor,a morte e o reerguimento à vida pulam das palavras e atingem nosso coração em qualquer esperança que tenhamos: seja de que a pessoa amada ligue ou que o mundo se torne um lugar melhor. Acima de tudo isso: seu conto faz dele um lugar mais cheio de beleza. E isso já é muito

ThiagoIsaac · João Pessoa, PB 21/6/2007 09:15
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Daniel Duende
 

Muito obrigado pelos elogios, Thiago. Fico muito feliz que tenha sido tocado pela história, e que ela tenha te dado um sentimento de beleza e lirismo...

Abração do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 21/6/2007 10:54
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Dora Nascimento
 

Olá Duende Daniel,

Tuas histórias de amor são sempre lindas e tristes, e eu nunca sei se estas duas palavras são inerentes entre si, ou se nascem gêmeas-siamesas fecundadas dentro de cada um dos teus personagens e suas tão lindas tristezas - ou tristezas tão lindas... Vês...?
Me deixas pensar que o amor (em ti) te pesa, e tu transpões este peso para os teus contos e fábulas - até onde eu ti li, sei que não li outros dos teus Duendes.
Mas tudo em mim suporta essa força que tu tens, quando me trsnpões com este peso em contos tão tristemente emocionantes, e tão emocionalmente, lindos.
E apesar de ainda entristecida, te abraço em verde-forte.
Estou, aliás, de Feitiçeira Entristecida ali na fila de edição, esperando a tua generosa atenção.

Dora Nascimento · Olinda, PE 29/6/2007 14:38
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