De
tua
última
piada
Ninguém riu.
Meu tio era uma pessoa sorriso dessas que contagiam qualquer ambiente. Não me recorda uma única vez em que o tenha visto de mal humor. Não me vem à lembrança uma única situação e que não provocasse em mim risos, gargalhadas. Tinha uma força de vida que irradiava e atingia a todos.
Sabia de seu estado de saúde. Todos sabíamos. Era uma viagem sem retorno. Entretanto, na ante-sala do centro cirúrgico, prestes a concluir sua caminhada, arrancou gargalhadas mesmo daqueles que a fizeram verter de sua mais profunda angústia. Foi ao centro cirúrgico e a vida perdeu complatamente a graça. Das gargalhadas de alguns instantes atrás, restaram uma imprecisa lembrança, como se tivessem ocorrido num tempo muito remoto. Realmente, não houve mais motivo para rir.
A poesia me veio neste exato momento. Essa piada que a vida contou não tem graça nenhuma.
Oi poeta jorge, antes de ler o teu depoimento eu me ri ao ler a tua piada mas logo em seguida no tei que a piada não era para sorrir. Mas mesmo assim achei-a, muito espirituosa. Parabéns, poeta.
Carlos Magno.
Obrigado, Carlos.
Um abraço.
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