Uma paixão sem medidas, desalinhavada
faz mais sofrer a amada do que lhe dá prazer
E por que é assim?
Por que assim tem de ser?
Se razão há para domar inquietude e embaraços.
Os dramas pequenos, o gesto mesquinho de eu
pensar só em mim e querê-la sempre pertinho,
Que é isso? Que não é amor!
É delírio, descaso, menosprezo, menoscabo?
É não! Só e pura sandice... tão só paixão!
E a vida não é feita para apaixonados.
Vida é remada nas circunstâncias,
Atropelada pela rotina, o amor suporta.
O que comanda a existência é a carência
Não a aflição, não o amor, não a querência
Muitíssimo menos, senhoras e senhores, a paixão.
Inda assim, se alguém duvida, pode escrever
Em vermelho com sangue, no bronze, em ouro.
Eu tenho paixão por um amor que me é dado
sem que esperado fosse, embora sonhado
E mais gosto de amar do que sofro por dela gostar.
E, se soubesse, de fato e de modo tal, lhe faria
um bonito verso de rimar flores, amores, desejaria
felicidades, prazer, manhãs de sol e sonhos bons.
Porque não sei como dizer, te mando linda flor
E um beijo apaixonado, de todo o coração, amor
Apaixonado
se me deparo assim,
sim, sim, me declaro!
se apaixonado fico
Tanto tempo passado
Recordo que sonhava
colorido um tanto atrevido,
nada tenho guardado
...
Então, é mais nítido,
evidente, ardente é
que o amor existe!
É o que penso, o restante é
de como se o percebeu,
viveu ou perdeu.
Tudo será então só amor.
Mesmo no princípio era,
o verbo amar na gênese,
no gen, no DNA.
Há!
Não?
Vão dizer de outro modo
de ser e maneira de viver.
Venham então me provar.
Amor ido, amor outro
Por razão de querer
continuar a viver
e curar-se de amor ido
com mais amor outro,
esperado,
vem o poema
e talvez poesia sem dor,
com as flores e a amada,
ambas perfumadas.
Letra de música
(de alma lavada, sucesso na certa)
Eu nada te direi.
Disso nada sei.
Amei, desamei
e agora te amo
não sei se é o ano,
se é a minha idade
não sei se é coração
Só sei que também amo.
E te digo todo dia,
não deixo branca uma linha
são todas rubras de mim,
carmins, lírios, rosas.
É amor! Certo que é. É, sim!
E as ninfas, musas, deusas que
se dêem o trabalho de ajudar
Mais ninguém pode além de mim.
Céus!
Que se mereçam elas,
gostem-se as bocas
aladas esvoacem as almas
os amores cresçam aos
Céus!
Fantasmas meus
Muito pouco sei a respeito,
nem se acredito.
Os meus fantasmas
sempre estão aqui,
bem perto de mim.
Penso que têm medo,
só pode ser, se é,
de algo vivo a lhes espantar.
Qualquer semelhança entre as personagens é mera e feliz coicindência, que até permite que se dance.
Tu me acostumbraste, a todas esas cosas
Y tu me enseñaste, que son maravillosas
Sutil llegaste a mi como una tentación
Llenando de inquietud mi corazón
yo no concebia como se quería
En tu mundo raro y por ti aprendí
Por eso me pregunto al ver que me olvidaste
Pero por que no me enseñaste cómo se vive sin ti?
(Composição Frank Dominguez - Cuba, 1955)
Tu me acostumaste a todas essas coisas
E tu me ensinaste que são maravilhosas
Sutil, chegaste a mim como uma tentação
Enchendo de inquietude meu coração
Eu não concebia como me querias
Em teu mundo estranho e por ti aprendi
Por isso, me pergunto, ao ver que me esqueceste,
Porém, por que não me ensinaste, como viver sem ti?
(Versão Adroaldo Bauer, Brasil 2008)
Céus meu amigo! Que coisa linda de se ler nessa ela manhã.
Parabéns.
Caríssimo Adroaldo, que beleza de texto!
Que bom (sempre) ler você aqui no Overmundo!
Abraços.
Ai Adro, vc anda tão inspirado...De todos o que mais gostei foi o primeiro. Pressinto que o poeta que encarnas fez sua amada sofrer. Mas sabe do que mais? Se foi pelo que dizes aí, certamente o poeta será perdoado. Pra acalmar sua alma (ou melhor a dele) vai aí uma letra do Vinicius que apazigua qualquer tormenta de amor rsrsrsrsrrsrsrrs
Amor em Paz
Eu amei, e amei ai de mim muito mais do que devia amar
E chorei ao sentir que iria sofrer, e me desesperar
Foi então, que da minha infinita tristeza aconteceu você
Encontrei em você a razão de viver e de amar em paz
E não sofrer mais, nunca mais
Porque o amor, é a coisa mais triste, quando se desfaz
Bjs da
Ize
Ave, Mestre!
Os que vão lagrimar te saúdam!
Boa, Adro.
Sempre é um prazer desmedido ler teus poemas...
Forte abraço.
Obrigada por me permitir ler.Um grande abraço.
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 28/6/2008 09:40
Agradeço eu, Clara. Também pela presença, retorno e abraço.
Ave, Benny. É recíproco o prazer sem medidas, embora esteja eu em falta com algumas publicações tuas, fruto dos achaques desse meu abatido coração. Grato.
É um pressentimento razoável, Ize. Também penso que o poeta possa ser desculpado dos arroubos da paixão e comedido pela razão, ainda que não se dê ao poema essa função, as pessoas aprendem. Vinícius, por ti, assim, é um bálsamo e uma companhia nessa solidão em que a poesia se-me enfiou. Muito agradecido fico.
Poeta Jorge, agradeço. Sou feliz com tua presença.
Clara e Jorge, o que vocês comentaram aumentou de tamanho, talvez prenhe de outras nuances dos devaneios e paixões, talvez apenas por mais razão, mas aumentaram, sim. Não sei se a merecer os mesmos comentários. Seria bom saber, para que não fique eu fruindo de loas pelo indevido.
A todas vocês, almas generosas, agradecido.
Adro, tri parceiro, quanta paixão. E o bolero, então! E a Ize lembra Vinícius e eu Drummond, em o Mito: "Sequer conheço Fulana, vejo Fulana tão curto, Fulana jamais me vê, mas como eu amo Fulana. Amarei mesmo Fulana? ou é ilusão de sexo? (...) Fulana diz mistérios, diz marxiismo. rimmel, gás. Fulana me bombardeia, no entanto sequer me vê;. (...) E digo Fulana: Amiga, afinal nos compreendemos. Já não sofro, já não brilhas, mas somos a mesma coisa. (Uma coisa tão diversa da que pensava que fôssemos). rdrsrs
Ai, Adro, hoje eu estou muito Intrometida.
Amigo.te envio aquela encomenda ok
se tiver fax me manda.
Nem posso comentar seu ímpar trabalho.
Sou uma besta sim.................................................................
Apaixonada por poesias e por vcs meus amigos.
Adroaldo querido,
Tudo será então só amor.
Mesmo no princípio era,
o verbo amar na gênese,
no gen, no DNA.
Há!
Não?
Vão dizer de outro modo
de ser e maneira de viver.
...é tudo tão lindo que me emociona ler e nem consigo comentar.
Apenas beijos e Parabéns!
Alice
Pensei, em princípio, que melhor não poderia ficar, mas ficou! Embora não seja para mim nenhuma surpresa. Novas nuances a coroarem o já perfeito!
Parabéns, Adroaldo.
Um abraço.
Gratíssímo, Celina, outro beijo.
Gracias, Alice,
Sem fax, Clara. Que fazer? Grato.
Cedê, gosto imenso de tua intromossão. Espero ter-me explicado melhor em tua postagem lá.
Gente,. adiorarioa faklar um pioucio maios ciom voicês., mas vejam ciomio está io meu teckladio,. nãio seio aionda se é víorus,. que ios priogramas nãio iodentiofiocam,. iou se é mecânoicio,. quaandeio fuçandio nio teckladio para reparar quandio derrameio café nekle,. acionteceu,. amanhã viou ciomprar um teckladio niovoi para testar,. depioios eu vejio se é víorus e depioios cionversio maios,. de miodio decente,. ciom viocês,. kliondas aklmas,. tudoi se as deusas e fadas permiotiorem,.
beiojios,.
Perdão!
Bom dia Adro, seu teclado tá falando uma língua muitio engraçada, mas dá pra entender tiodinhio rsrsrsrsrrsrs. A imagem do casal dançando combinou com Tu me acostumbraste. Enfim, que pazes feitas, desintendidos resolvidos, que o poeta possa bailar com sua amada.
Bom domingo querido!
És tão ciompreensiva e amiga, Ize.
Eu nãio klerioa uma frase daquioklio que fiociou escriotio daquekle miodio aklio em cioma,. Tenhio pacioêncioa,. nãio,. É grave,. iossio?
Te amo, guria!
Já que que é pra chorar, vamos lá...
Não Tem Solução
Nana Caymmi
Composição: Dorival Caymmi
Aconteceu um novo amor
Que não podia acontecer
Não era hora de amar
Agora o que vou fazer
Não tem solução
Esse novo amor
Um amor a mais
Me tirou a paz
Eu que esperava nunca mais amar
Não sei o que faço
Com esse amor demais...
Como é bom ler teus poema, Adroaldo. Passam tanta verdade, que comovem de verdade.
bjo.
Se era para não ser assim, Nydia, não o faria. Creia!
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 29/6/2008 15:43
Adroaldo, o "amor que é dado, sem que esperado fosse, embora sonhado" me parece um desses presentes que deuses colocam à nossa porta, como flores, chocolates ou beijos.
Mesmo quenuvens, por momentos, o turvem, sempre passarão, diante do amor tanto.
Como todos já disseram, a beleza do poema, que não poderia ser maior, clareou-se com este bolero arrasador de tão bonito.
beijos
O amor suporta porque releva sandices da paixão...
Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 30/6/2008 11:01
Apaixonar-se é caminhar para o amor...
Voto certo.Um bj
Sílvia
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