A perda da fé
Aqui o barato sai caro.
Aqui a felicidade vive triste.
Tudo morre.
Ontem foi o amor.
Antes, a paz.
Agora já nem sei mais...
Por que eu queria ser aquele Ãndio branco?
Por que eu desmatei aquela floresta azul?
Eu, logo eu, eu que comia contigo...
Eu que vivia contigo...
Li o teu livro.
Bebi da tua fonte.
Fiquei embriagado com o teu vinho...
Porque pela janela que não tenho mais
Vi aquele olhar africano.
Aquelas pequenas costelinhas finas e secas.
Quase que dizendo: ‘acabe logo com isso’.
Vi, vi sim, os teus olhos caÃdos
E tua aparência franzina e curva.
Teus cabelos opacos.
Tuas unhas quebradiças.
Vi-te completamente nua e cansada.
Perdi a fé por um momento.
Quis mais do que o querer.
Fiz mais do que o fazer.
Ouvi, sem nada escutar.
Li, sem livro pra tocar.
Sorri, sem ninguém para olhar.
Minha poesia estava morta.
Como esse poema.
Que não será lido.
Que não será visto.
Que não será entendido.
Pois a ignorância te afeta...
Minha querida,
Minha amada
Vida...
FJ 2013
a procura do entendimento da verdadeira fé
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