Duas palavras definem para mim o Ano Novo, que no inconsciente coletivo, além das festividades e dos presentes, é visto em sua passagem como um marco que delimita os acontecimentos ruins dos bons auspícios que virão: redenção e permanência.
E explico porque sintetizo o vasto mundo das ações e aspirações de qualquer ser humano em duas frias palavras.
Quem passou o ano com o pé atolado na lama, levantando e dormindo com o pé esquerdo, vislumbra a partir do primeiro dia do novo ano a redenção. É como se uma varinha de condão o tocasse, vaticinando: “Vai, José, ser feliz!” Por algum tempo acreditará nisso, até que o ramerrão da vida, até que as engrenagens que o prendem a uma rotina imutável asseverem: “Não vai ser moleza, meu, sair dessa!”
Por conseguinte, quem viveu por todo o ano o outro lado da moeda, curtiu muitas vezes o gostinho doce e light da vitória, não vê porque mudança. Este deseja no mais fundo do íntimo, no mínimo, a permanência das muitas conquistas; se puder, olhando ao lado e vendo somente o competidor assaz feliz como ele, deseja a ampliação de seu sucesso, deixando transparecer uma ponta de inveja no incômodo que lhe produz o assédio do semelhante.
São apreensões que existem apenas – volto a dizer – no inconsciente coletivo. A passagem de ano não é um toque de Midas na vida das pessoas. Nada muda radicalmente da noite para o dia e nem se afirmará sem muita luta. Isso é ficção. Entra aqui outra palavrinha – que chato, novamente a fria palavra!: perseverança.
As boas coisas podem acontecer no Ano Novo, mudando a vida para melhor. Mas não se esqueça: é importante perseverar. Se a vida vai mal, nada dá certo, não desista, persevere, ela vai melhorar com certeza. Se a vida estiver um mar de rosas, cuidado!, não deite sobre os louros da vitória, persevere. Assim as boas coisas continuam.
Portanto, amigos, eu que não acredito em varinha de condão ou toque de Midas, desejo que todos perseverem, como eu faço. A perseverança trará para cada um de nós novos e bons dias. E não se esqueçam da abundância que advirá com ela, pois o ano tem 365 dias.
A vida não é molezza, JJ. Fácil é ser feliz, viver é duro. Mas é bom. Independentemente das convenções cientificistas de dividir o anor em meses definidos pelas fases lunares e com começo em 1º de janeiro, vale mesmo é ser intenso a apaixonado a cada dia. não somente apaixonado no ponto de vista amoroso-erótico, mas apaixonado pela própria vida e pelo que se faz nela e dela. Sejamos apaiconados, portanto, e tenhamos excelente 2009.
Marcos Pontes · Eunápolis, BA 31/12/2008 13:14
Salve, JJLeandro!
Coberto de razão te encontro.
E eu, entre as mais cruéis das dúvidas
após tanta mudança em nossa língua portuguesa,
lhe desejo um ano novo cheio de realizações...
Abraço Pantaneiro.
Amigos Marcos e Rangel, "rapadura é doce mas não é mole", a vida é assim tb.
A língua portuguesa é como as regras do jogo político: quando tudo vai bem, vem alguém querendo se oportunizar e muda tudo.
abcs
A perseverança na caminhada é tudo. A vida não é dos fracos, que se deixam abater por nada. "Viver é lutar, / A vida é combate / Que os fracos abate..."
Eu tinha lembrado justamente do provérbio que você citou: "rapadura é doce mas não é mole". Portanto, pra quem não é mole, a vida pode ser doce.
Salve!
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