Meio tonto, meio louco,
Li há pouco e entristeci
- A poesia mais não anda por aqui
Morrera no milênio anterior, 1994
No pavoroso genocídio de Ruanda
Não morrera em hiroshima
Sequer em Nagasaki nem
E já falávamos de rosas torturadas
Elas já ensaguentadas, desnaturadas
Não morrera antes nos cárceres todos
Em que a mediocridade vencera
A desumanidade enclausurara
Ou escravizara quem perdera
Ou matara, sem poder explorar
Era até um dia sem sol, plúmbeo
Um frio de arrepiar as almas
Como chegasse a ceifa ao ouvido
E repetisse, sussurrosa, rancorosa
- Não te esqueço, não te olvido
Ela, que depende dos vivos!
E vem esse escrito dizer-me
Como em um poema, um grito
Que já apenas desde Ruanda,
A poesia por aqui não anda...
Bem... a poesia fala do amor
Fala à amada, fala das flores,
Das belezas e glórias,
Fala das mais reclamadas dores
Não esquece do horror
Das desditas sentidas,
Da desumanidade percebida
Das injustiças das lidas.
Então, a poesia está aqui,
mesmo a doloridas penas
presente, pressente-se.
É a poesia que nos fala da vida!
Viva a poesia !
Viva o poeta que habita em você e nunca irá morrer !
Abraço saudoso Adrô !
Fico feliz, com mais vida ainda, Pati. Tenho estado por aqui, vez por outra. É só chegar.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 28/7/2009 21:28
lindo o poema. lindo mesmo.
.....é a vida que nos toca, poeta......e faz com que
sensibilidade, feito a sua, a transforme em palavras
lirica_mente rica e eternizadas.
bom sentir a vida....pulsando em sua poesia....e vice e versa.
bjs♥;;
Cláudia,
Particularmente, tenho a poesia como promessa de vida no coração, projeção do intelecto para o amor e o bem, embora saiba que a dor e o horror permeiam a história da humanidade. Fico triste quando leio pessoas, jovens mesmo, dizer que não há valor na vida, que é o que para mim estão querendo dizer que não há valor na poesia.
O pulso ainda pulsa....
Agradecido.
Adroaldo,
a gente entende poesia como forma de decantar o belo,
mas é também uma forma de extravassar as dores, porque
a essência da vida esta em tudo e poesia é vida.
gostei .
bjs
Oi Adro,
olha que coincidência. Estava lendo um texto maravilhoso, escrito por uma amiga gaucha, em que ela cita Mikhail Bakhtin. Olha o que ele diz no texto "Arte e Responsabilidade"
"O poeta deve compreender que sua poesia tem culpa pela prosa trivial da vida, e é bom que o homem da vida saiba que a sua falta de exigência e a falta de seriedade de suas questões vitais respondem pela esterilidade da arte".
Não é impressionante a afinidade com o que vc diz nesse poema tão lindo?
Bj pra vc
Ize,
Disse já, e repetir é possível, que o fazer da escrita não é exatamente dizer novidades, mas denunciar, anunciar nos tempos quaiquer o que já foi ou ainda não é. Se tudo já foi dito, como dizem, os corações palpitam pelo que lhes emociona...
Tenho sempre um orgulho muito grande por receber tua presença em minhas nem tão bem traçadas e alinhavadas idéias. Ajudas, muito.
Doroni,
é que há a dor no mundo, desde o paraíso, que rcentemente li num conto de Eça de Querós (Adão e Eva no paraíso), não era edênico, nem idílico, mais que sofrido.
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