em preparação para a leitura de poesia de hoje a noite, Charles Bukowski está lá fora, vomitando no estacionamento. ele sempre vomita antes das leituras: multidões lhe dão náuseas. e hoje há uma grande multidão. mais de 400 estudantes barulhentos – muitos vindos diretamente do bar mais próximo – espremidos dentro de um auditório anti-séptico. Bukowski sempre atrai uma boa multidão por suas atitudes, bem como por sua poesia. da última vez aqui, ele descolou uma garrafa e secou até o último gole. bêbado demais para ler, ele decidiu entreter os estudantes trocando insultos com eles. o que se transformou num show e tanto.
muitas desses caras hoje no auditório estiveram aqui na última leitura. alguns ficaram desapontadas por sua embriaguês; sentiram-se ofendidos. mas outros ficaram totalmente satisfeitos por entrar em contato com o verdadeiro Bukowski – você sabe, o lendário arruaceiro, o velho pervertido, o bêbado que não dá a mínima e sai por aí procurando porrada. eles viram Bukowski em seu estado natural.
alguns minutos depois Bukowski da uma espiada dos bastidores, tendo terminado seu ritual de aquecimento no estacionamento. pálido e nervoso, ele diz. O.K. vamos acabar logo com isso pra eu pegar meu cheque e cair fora daqui. então ele surge no palco. enquanto o público aplaude, Bukowski pega uma cadeira ao lado de uma pequena mesa no palco. debruçando-se sobre o microfone ele anuncia, eu sou Charles Bukowski, e toma um longo trago da garrafa térmica cheia de vodka com suco de laranja, propondo um brinde a vários estudantes. sorri, meio cínico, meio tímido. eu só trouxe um pouco de vitamina C comigo pra minha saúde...bem, aqui estamos nós, na batalha poética de novo, escute, eu decidi ler todos os poemas sérios primeiro e deixar sair de qualquer jeito então poderemos nos divertir, certo?
a vodka está funcionando; o velho vai levando. Bukowski está em boa forma. ele lê jocosamente as frases bem humoradas, alongando certas sílabas para enfatizá-las com sua voz mortificante, e administrando o rítmo para conseguir as mesmas inflexões que consegue no papel. a despeito de sua professada antipatia por leituras, ele parece estar curtindo, e para fechar sua performance ele surpreende o público lendo um trecho de uma novela inacabada. com um inusitado relato de um encontro com uma gorda, sexualmente faminta de meia idade, ele leva o público à loucura com seu ultrajante exagero. ela pulou sobre mim, e eu me vi embaixo de 160 quilos de algo monstruoso. sua boca estava colada a minha. gotejava cuspe, tinha gosto de cebola e vinho barato, e o esperma de 400 homens. subitamente ela salivou, eu engasguei e empurrei-a... antes que eu pudesse fugir ela já estava novamente em cima. agarrou minhas bolas com as duas mãos. sua boca abriu, sua cabeça baixou, e ela engoliu. ela babou, chupou, sacudiu. e por mais que eu estivesse quase vomitando, meu pau não parava de crescer. então, dando um tremendo puxão nas minhas bolas, quase rasgando meu saco ao meio, ela me forçou a cair no chão. sons asquerosos de sucção ecoavam pelas paredes enquanto meu rádio tocava Mahler. meu saco ficou inchado, vermelho, e coberto de cuspe. se eu gozar, eu pensei, nunca irei me perdoar.
quando ele terminou, a maioria dos estudantes levantou para aplaudi-lo. ele tirou os óculos e deu a multidão um pequeno aceno. agora vamos todos sair daqui e nos embriagar. ele apanhou seus papeis para sair. os aplausos continuavam enquanto ele saía. subitamente ele voltou e foi até o microfone. e por um momento baixou a guarda, e disse. vocês estão cheios de amor rapaziada...
Eu simplesmente amo o velho Buck. É engraçado que só o descobri tardiamente, há um ano atrás e consomi quase tudo que via escrito por ele. Vc conhece "A mulher mais linda do mundo" (acho que é esse o nome)? É bárbaro. As poesias eu descobri ainda mais tarde. E incrível, encenações do texto me vêm à cabeça. É uma loucura.
Um abraço,
Andréa
Andréa,
"A mulher mais linda da cidade", sim é um conto excelente. Aliás como quase tudo do velho Buk. Que bom ver um comentário nesse texto depois de tanto tempo. Valeu pelo interesse...
Mesmo vc tendo ido um pouco além do Buck na pustulice, o texto tá bacana e fechou muito bem.
O tal Bukowski não era mole!
[ ]'s
Shasça
http://shasca.blogspot.com
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!