Cravei os dentes. E não cravei sozinha. Como num círculo tribal em
que se reparte com fé o pão da vida, a primeira graviola do meu
quintal foi recebida com um prazer ritualístico. E dividida
irmanamente entre os que a viram madura e os que a desejaram.
Foram quase quatro longos anos de espera pela generosidade do
fruto, que na forma lembra a ata, a fruta-do-conde e mesmo o
araticum do cerrado. Mas o sabor... Esse, dos deuses! Que venham
os frutos depois de todos os plantios. Os meus dentes estão
sempre ávidos. Mas antes da comilança, a exuberante graviola deu
o ar da graça na fruteira, entre maracujás, laranjas e limões -
todos do meu quintal. Pausa para a fotografia, em todos os ângulos
possíveis e imagináveis. Por pouco o almoço de sábado não desanda
na maior queimação. Entretida com a produção fotográfica da
graviola esqueci por completo as panelas. Mas valeu a pena. E o
melhor de tudo: graviola de sobremesa. Que delícia! Dos deuses!
Cida,
à maneira de Adroaldo Bauer (claro, sem a competência dele, que agora até virou flor): do gosto senti saudades, do cheiro quase engravidei e da imagem cheia de vida, a graviola amei. Bjs.
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