A promoção de Silvia D’lutrec

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Simone M. e Mendes · Maceió, AL
13/10/2011 · 0 · 0
 

Ares a denotar-lhe ser proveniente da aristocracia sueca; andar altivo e elegantemente compassado; olhar impávido a expressar disposição capaz de transpor os mais íngremes desafios; cabelos impecavelmente escovados e cuja cor lhe realça o alvo da cútis; trajes laboriosamente escolhidos a fim de que possa estar adequada para qualquer ensejo, costumeiramente realçados e valorizados com os adereços da moda; gestual condizente com a sua fidalguia. Eis a quase fiel descrição da convicta funcionária pública Silvia D’lutrec.
Chamam-na de jurássica em virtude de seu longo tempo de repartição. Ao cabo de longos anos acumulara vasta experiência em diferentes setores, até ser, merecidamente, promovida a um cargo de direção superior. Certamente, um desafio a mais na sua vida inquieta e ávida por novas emoções. Formar equipe que abraçasse os mesmos ideais de excelência com que gostaria de se desincumbir dos novos misteres não seria uma tarefa fácil. Para tanto, obteve o respaldo da amiga que lhe passara o bastão.
Os primeiros meses transcorreram à custa de muito desgaste físico e emocional para si e para sua fiel assessora, com quem dera os passos inaugurais da grande escalada. Esta se via igualmente responsável pelo sucesso do grupo e com aquela dividia os tormentosos receios de que algo saísse errado. Foram muitos os sábados trabalhados, muitas as horas além do expediente, muitas as noites insones sob a concorrência da preocupação de traçarem o melhor destino para o funcionamento eficiente e eficaz de todos os setores em prol da unidade e no escopo de deixar tudo na organização pretendida. Muitas vezes a alternativa era recorrerem ao Diazepan, colimando um mínimo de descanso noturno para o intenso labor do dia seguinte.
Inobstante as exigências naturais da rotina exaustiva de labor, a nova comandante permanece primando pela harmonia da equipe, pela manutenção de um ambiente leve, hígido. Portanto, não podem faltar as piadas, as brincadeiras e as boas sacadas de humor, de modo a fazer o dia-a-dia fluido, ameno. A animação é tanta que um dos membros da equipe teria até oportunidade de ser lotado na esquina de sua residência, mas prefere enfrentar duas horas de percurso a abdicar da convivência com esse grupo. Dia 1º de abril, que todos fiquem bem atentos, desconfiem de todas as mensagens e notícias para não serem vítimas de uma criativa “pegadinha”!
Nota-se que a aparência austera da capitã da nau está desmistificada. Todos tiveram sensibilidade suficiente para assimilar que seu objetivo era um trabalho bem desempenhado a fim de justificar a profissão de servidor público, o que não impede de
realizá-lo com alegria e bom-humor. Quem não se afina com o trabalho espontaneamente busca outros grupos para que não fique em dissonância com o ritmo da maratona a que todos estão condicionados. Sua interação com os membros da equipe permite brincadeiras recíprocas e a única jamais tolerada é que não se lhe ocultem o batom. Ah! Isso não! Praticá-lo pode inclusive ser motivo de imediata abertura de sindicância administrativa. Ficar sem batom equivale a estar nua! “Nunca se vira na história desse País” um ato de passar batom tão natural e desenvolto, nem mesmo entre as presidenciáveis Dilma Rouseff e Marina Silva, conquanto visassem à maximização do tempo despendido além da campanha eleitoral! Fá-lo como se estivesse a introduzir comida na boca, ou seja, sem errar o trajeto.
Contam “à boca miúda” que certo dia lhe puseram uma arma na nuca, quase a lhe quebrar o bico do beija-flor ali tatuado, pelo que ela, com as mãos ao alto, dissera, sem qualquer hesitação: levem tudo, mas deixem o meu batom!
Será mesmo isso possível?

Simone Moura e Mendes

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Simone Moura e Mendes
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www.simonemouramendes.com
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