A QUE EU QUERO
Tira de mim o que quiseres:
A água o pão, as gotas contadas.
Tira-me outras coisas
Com que me alivio, os emplastros
E elas me entram desproporcionais
Mas não priva os meus olhos,
Coitados por serem parte
Da avidez do meu corpo
Interligado ao meu coração sonhador,
A visão bela de ti.
A imagem mais bela,
Que desses fragmentos caídos, celestiais
Formou-se em mim
Como único remédio e alívio
Para a minha alma tão dilacerada.
Deixa-me cruzar os vales espinhentos
Deslizar nos alagadiços mais traiçoeiros,
E que, no limiar disso,
Avistem-te os meus sentidos
Tão amaciados por tuas passagens
Entrando e saindo, constantemente de mim.
Deixa-me débil envolto em um cárcere fortificado,
Com direito a uma réstia
Que só de manhã presumo entrar,
Pois que meus olhos pra tanta coisa
Ficaram turvos irreversivelmente.
Mas que tua trêmula aparição
Nunca me falte
E que a toda hora eu possa te contar.
E peço-te também:
Não deixa desvanecer-me do cônscio sonho
Como vivo agora, quando estou dizendo.
Naeno, maravilhoso poema!!!!
Meu voto com louvor!!!
Obrigado Rangel, é disso que precisamos, do incentivo de vocês. Precisamos dar um impulso na cultura brasileira. Claro que os grandes poetas de sempre deverão serem sempre lembrados e estudados e seguidos por nós. Mas o nosso papel também é fazer emergir uma gama nova de tantos artistas bons que estão por aí, necessitando de um espaço como o OVERMUNDO para mostrarem ao que vieram a este mundo contrário, paradoxo, quese sempre contra ao que pretendemos.
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