A QUEM FOI E SEMPRE SERÁ
(A quem “perdeu” um amor) (17/08/2006)
Ainda há pouco guardava suas fotos,
presentes
nossos sorrisos contentes
O impossível me sufocava
Continuava sua fiel devota
ainda que derrotada
Te velava
Me esvairava em prantos
quais não te libertava...
Ainda há pouco, meus sonhos invadia
e conversávamos, mansamente,
sobre assuntos que nunca havíamos falado.
E antes de despertar, arrepiada e contente,
O via ser levado, como uma folha que desliza
simples e lisa, por um abismo de remanso corrente.
Nesses momentos,
A luz tornava a irradiar meu quarto
meu ser quase esgotado
meu espectro
meu pensamento
Mas logo retornava à realidade do relógio exato
Do que é passado e não volta sequer por um momento
Da partida sem despedida
Da ida sem hora marcada
Da exatidão do sofrimento
Aos poucos,
Tão ou mais que a areia que vaza da ampulheta,
Numa lentidão necessária à digestão dos acontecimentos
Levantei a fronte, ergui a cabeça,
Passei a viver o presente sem amanhã
O amanhã sem ontem.
Sabendo que o ontem resta guardado
No canto mais recôndido e amado do meu eu,
de minh’alma.
No lugar onde, em meus sonhos, você próprio o escolheu.
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