Eu não mais suspeito porque tenho certeza
Sei a razão inteira das ausências tuas
É porque enfim te declarei meu amor
E desde então, para mim uma eternidade,
Queres não apenas meu coração, a paixão
Minha em ardor por ti. Anunciastes aos
Ventos, por tambores a ruflar e clarins
A soar alto, queres-me ajoelhado
Não humilhado, mas em genuflexão
Eterna a teus pés de minha rainha.
Eu não suspeito mais, sei que vais
A outras casas de outros e outras
E mostras toda a tua candura linda
Que é o rosto mais belo de todos
Os rostos belos que vi até hoje.
Não pela beleza cosmética, mas
Pelo belo que a serenidade dele
Traduz, que a mim sempre seduz
Embora uma visão atordoada
Pela paixão, pelo amor que cega.
Cegaste-me tu rainha minha,
e já não me visita mais e às casas
- quem sabe mesmo às camas? –
de tantas outras e outros vais,
que resta de decência a quem
Ama-te e não se importa que a
alma de qualquer pessoa outra
tu inflames, se a minha inflamas?
Resta, sei e em dor sou assaltado
Por sobressaltos, aos sussurros
Anunciados, acordar do devaneio
mesquinho em que não és mais
Não apenas só minha, nem minha
Também já não és, nem eu sou.
Nem eu era, porque alucinação.
Se fosse sentir ciúmes ou apreensão
Seria tal essa tamanha inquietação.
Adro,
Com inspiração em forma de paixão igual a essa,
merecerias toda ausência de morte!
Abçs. do amigo,
Benny.
Que maravilha Adroaldo. Graças a Deus que não estou sofrendo dessa paixão que vc descreve. Também com a musa da foto (que coisa mais sensual!), não podia dar noutra coisa: só mesmo genuflexão eterna.
Bj
Mestre Adroaldo.
O que os olhos do amor não veem, os olhos da alma escondem e o coração aceita. Suspeito seria desistir, o resto o tempo esconde.
Belo, grande amigo.
Abraços
Noélio
Que se faça então um tango! E tirarei uma bela dama para dançar..
Votado.
Adroaldo,
Creio que somente estes versos (que citarei abaixo) do teu envolvente poema, já justificam as 'alucinações' e elegíacas certezas contidas neste teu segredo revelado:
... candura linda
Que é o rosto mais belo de todos
Os rostos belos que vi até hoje.
Ah... Quem, de nós poetas, nunca vislumbrou candura assim!? Mas também... Paixão e ludismo. Iludição. Amor e solidão.
Um belo poema, Adroaldo! Parabéns.
Adroaldo:
Uma paixão louca e inquietante. Um poema maravilhoso!
Votadíssimo, como sempre.
Abraços e uma boa semana
Elizete arantes
Adroaldo, uma beleza estonteante para ler e aprender da fonte febril da paixão.
Perfeto!
Poema apaixonante e apaixonado!
Poema inteiro!
voto e abçs.
O ciúme lançou sua flecha preta...
Tango!
Abraços
A síntese perfeita do agora cometido já fora há muito feita por Lupícinio Rodrigues em "Nervos de aço":
- você sabe o que é ter um amor, meu senhor, ter loucuras por uma mulher...
Agradecido a todas vocês, pessoas generosas.
Adroaldo,
Poema interessante e muito bom. Que arremesse a primeira guitarra quem nunca quebrou uma por ciúmes, hehehe. Aliás, tema duma neurose que aprontei lá na edição. Quando puder espiar, será uma honra. Abraços.
Ai meu Deus de todos os céus em que a "tua" Rainha
desponta como alma minha:
Sedenta de amor e paixão
querendo ver aojelhado ao chão,
não por humilhação
mas por compreensão
de que o amor da "tua " Rainha
se expande em casas vizinhas,
em quartos queridos
e salas tardias...
Se Ela, a "tua" Rainha
não sente ciúmes,
é que o amor
além de todos os cumes
se expande em alucinações infindas
que não cabe apenas em teu coração,
então Ela sai a doar-se
para talvez, saber soar-se
em poesias, versos e canções
atingindo com o seu amor-paixão
muitos e tantos outros corações.
Poesia linda, eu espaçosa como sou
vou logo dizendo, queria eu que fosse minha.
Um abraço tão cheio de estardalhaço quanto um triplo de "Piás"
correndo soltos por todos os lados.
Mas é um abraço com muito, muito e muito repseito, e o triplo disso em carinho, D."Terrible!"
(Uma paulada, pela emoção causada.
Vim, li, e votei.
salve Adroaldo!
Tu sabes guri que nunca leio prosa - passei a vida lendo poesias - por isso escrevo prosa e não ouso a escrever poesias. Também leio o céu, araras e tucanos... Posso lhe dizer com toda a certeza do mundo, voce escreve poemas. Gostei muito tche! Acho que daria um tango sim.
saudações pantaneiras com chimarrão.
Adroaldo, poeta;
sê tu sol e a flora tua senhora
no suposto sentir outorgado
ao coração
- ora vazado de paixão qual fonte minando no chão -
por letras ora teu sangue e ele Poesia
encontra no espelhar de uma certa Dora,
arrefecimento da fome que sentia
e saciedade na nova poesia,
esse é um novo nascimento.
Voyeur sobre o muro da poesia alheia,
intégro-me, despudoradamente,
integrando-me aos sóis de vossas poesias
com a distância prudente
pra nesse fogo não me queimar.
=====================================
GRANDE abraço!!!
"Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
Ter loucura por uma mulher
E depois encontrar esse amor meu senhor
Nos braços de um outro qualquer"
Ouvi muito essa música num disco de cera de carnaúba de meu pai. Tempos...
...
A poesia nos faz até revelar segredos...
abcs amigo
Então tá, eu vou de Cartola, e não é tango, nem bolero, é samba-canção, bem suave. Lá vai:
"Esquece o nosso amor,
vê se esquece.
Porque tudo no mundo, acontece.
E acontece que eu já não sei mais, amar.
Vai chorar, vai sofrer,
e você não merece,
mas isso acontece...
Acontece que o meu coração,
ficou frio.
E o nosso ninho de amor,
está vazio.
Se eu ao menos
pudesse fingir que te amo,
ah, se eu pudesse.
Mas não posso,
não devo fazê-lo
isso não acontece."
Para ser mais exato, Leandro, vai aí todo o segredo:
Nervos de aço
(Lupicínio Rodrigues)
Int.: D
D D#° Em
Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
F° D
Ter loucura por uma mulher
F° Em
E depois encontrar esse amor, meu senhor
A7 D
Nos braços de um outro qualquer
D#° Em
Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
F#7 Bm B7
E por ele quase morrer
G F° D
E depois encontrá-lo em um braço
Bm E7 A7 D
Que nem um pedaço do seu pode ser
F#7 Bm F#7
Há pessoas de nervos de aço
B7 Em
Sem sangue nas veias e sem coração
F#7 Bm
Mas não sei se passando o que eu passo
C# F#7
Talvez não lhes venha qualquer reação
Bm F#7
Eu não sei se o que trago no peito
B7 Em
É ciúme, despeito, amizade ou horror
D
Eu só sei é que quando a vejo
C# F#7 Bm A D
Me dá um desejo de morte ou de dor
-----
André, querido poeta amigo, não me faças assim, que enrubesço, apesar da idade e da presença dos netos cá a minha volta.
Arlindo,
Um tango e os pulsos cortados a verter rubro o cabernet de ontem tornado sangue.
É cedo, é cedo, rapá.
Adoro-te Dora.
Douras nosso chão.
Se queres, então:
Também de Lupi, Cadeira Vazia
Entra, meu amor, fica à vontade
E diz com sinceridade o que desejas de mim
Entra, podes entrar, a casa é tua
Já que cansaste de viver na rua
E os teus sonhos chegaram ao fim
Eu sofri demais quando partiste
Passei tantas horas triste
Que nem quero lembrar esse dia
Mas de uma coisa podes ter certeza
O teu lugar aqui na minha mesa
Tua cadeira ainda está vazia
Tu és a filha pródiga que volta
Procurando em minha porta
O que o mundo não te deu
E faz de conta que sou teu paizinho
Que tanto tempo aqui ficou sozinho
A esperar por um carinho teu
Voltaste, estás bem, estou contente
Mas me encontraste muito diferente
Vou te falar de todo coração
Eu não te darei carinho nem afeto
Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto
Pra te alimentar, podes comer meu pão.
Letícia, grato pela presença.
Vou ler tua neurose tematizada.
D. Terrible!"
Arrasas-te meu coração!!!!!!!!!!!!!!!!!!
(E tome paulada na minha ilusão)
Meu pai cantava essa música em serestas lá em casa.
Deu até uma saudade doce dele.
Obrigada.
Adroaldo Guri!
Sabendo que vc gosta de música, te ofereço - quando puder ouvir - este tango. Está sem arranjos, mas imagino uma orquestra de cordas, com cellos duplos. Por aí.
http://www.overmundo.com.br/banco/preludio-para-um-tango-geraldo-espindolaabraços
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