A SURPRESA DO PAI
Eu freqüentava o terceiro ano do Grupo, mamãe morrera no outono, começo do catecismo, e era um dia de frio.
Ainda bem que ia ser mais tarde, perto das dez. Não ia nem ter aula; mas a gente estava obrigados a se encontrar às nove em frente à igrejinha.
Pelas sete fiquei alegre, ao virar para o canto com a chance de dormir um pouco mais. Acabara de ouvir Dedê, minha irmãzinha do coração, saindo para o Ginásio das freiras, e pensei de imediato na mais velha, Déda, que nunca teve cabeça para os livros, e por certo me faria levantar assim que acordasse – sempre foi metida a besta, e com a morte de mamãe passou a ter cartão verde do pai.
Era o primeiro ano que eu ia para a escola, sozinho, sem a minha mana Dedê; e confesso que estava sendo difícil me acostumar com o fato de ela ter me abandonado para estudar no Ginásio.
Desde que mamãe me matriculou no Grupo, Dedê, que já ia pela metade do curso, sempre me fez companhia.
Nunca esqueço que no primeiro dia eu estava com tanta vergonha que ela teve de me acompanhar até no banheiro, onde tinha meninos de todas as turmas, e aí a envergonhada foi ela.
Mas nada a impediria de me dar a proteção e o carinho que eu gozava em casa, como o menino-homem da mamãe – até os puxões de orelha eram os mesmos.
Agora, não bastasse a ausência permanente de mamãe, o maldito Ginásio das freiras me rouba Dedê por mais da metade do dia a semana toda.
Em compensação, Déda, se me pega ainda na cama...
Felizmente, pelo silêncio reinante, parecia que ela nem tão cedo viria me encher a paciência. Devia estar naqueles dias de nervoso, sonolência e resmungos – coitada! Diz o pai que esse nervoso é coisa de moça; depois que casa passa.
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O tempo ia passando, e eu pensando em me espreguiçar para acordar dos pensamentos.
Na beirada da cama uma cueca, um pé de meia e o pijama do pai enroscavam-se nas cobertas.
Enquanto eu rolava no canto, com meus sonhos, pensamentos, lembranças, ele já estava na luta como sempre – desde cinco da manhã.
Em seu relójão sobre a cômoda, mais de oito e meia.
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Com muito esforço eu abrira os olhos; mas o sono era maior do que um possível castigo – desisti.
Depois de um inverno inteiro de catecismo e palmatória, sem mamãe, Dedê no Ginásio, o pai na labuta e Déda sonada, eis que o Vandin cometeria o pecado de perder a Primeira Comunhão com a turminha da escola.
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À noite nem o escândalo de Déda faria o pai me bater; ele parecia feliz, e trazia novidades – íamos ter uma madrasta.
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Wancisco Franco
Outro breve conto de Vandin
Oi Wancisco. Aqui apreciando conto gostoso de se ler...
Abraços. jbconrado
Nossa, Wancisco. Adorei o teu conto, muito bom mesmo. Ele nos prende a atenção e nos remete à época vivenciada. Parabéns.
Priscila Silva · Vila Velha, ES 4/3/2009 11:35
Conto muito envolvente.E a nova madrasta foi o pior castigo?
Parabéns poeta.
Uma viagem à infância sofrida ( ? ) de Vandin...
Um beijo !
Ai Vandin voce !
Textos que falam de amor a familia...de cumplicidade...
tolerancia e problemas cotidianos...tudo com base em respeito e em arte de amar. É isso que falta na educão de nossos filhos, em seus livros didaticos... e tambem em nossas vidas.
Por isso to amando Vndin em VC !
(mais um pra Amanda levar pra turma do colegio, rs)
bjssssssssssssssssssssssssssssssssss;)
As relações familiares e seus conflitos, superações e surpresas...
Como o Vandin receberá sua madrasta??...do jeito que ele apronta hein...aiaiai...vamos ver...merece continuação....
Adoro suas narrativas,Wan, são simples, divertidas e profundas,caracterizando bem o ambiente e os personagens...
Mais uma vez,parabéns,querido!
Um beijinho azul carinhoso
Blue
Franco,
não tenho pretenção eu de discorrer sobre a tua escrita, mas sobretudo de compreender essa realidade de Vandin que tanto me cativou. Tua escrita é gostosa e simples como chupar manga e se lambuzar inteiro.
Abraços
Que venham outros, breves ou não, contos do Vandin!
Que facilidade, que capacidade para descrever os sentimentos, o ambiente e tudo mais!
Facilidade? Como se fosse fácil, hem, Vandin? Isto é talento!
Nem sei se é ''viva a madrasta''como diz Rhafa,acho que as ''chineladas vão dobrar,,rs
Beijos e com prazer abro a votação desejando sucesso
Parabéns, gostoso de ler, uma viagem de volta a infância, me arremeteu a lembranças do colégio das freiras onde também estudei.
abçs
Gosto de acompanhar Vandim... Êta menino interessante. Acho uma arte entrar assim na alma infantil e de uma criança sofrida. Me emociona Wancisco. Me sinto nele.
Abraços... dei um tempo só nas postagens mas não na leitura dos amigos.
Abraços
Bom de ler!
Parabéns!!
Uma curiosidade: Quanto tem da sua experiência de vida pessoal?
Abrs,
Amigo Wancisco Franco, adoro as peripécias do Vadim.
Você é Ótimo e sua narrativa prende até o anjo de guarda.
Parabéns e bjs de Mirtes Carvalho
wancisco franco · São Paulo (SP)
A SURPRESA DO PAI
Bela descricáo da Luta da vida de um menino.
Vocé já estava muito consciente e preparado para leva-la em frente , mesmo aprontando algumas gazetas.
parabéns pela memória. Aproveita e resgata todas que puder.
principalmente da Mamáe e dos Ancestrais.
Parabéns pelo Dom que Deus lhe deu.
Abracáo Amigo
um ótimo texto, adorei ler seu novo trabalho.votado com gosto amigo.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 6/3/2009 10:25
O personagem, que desde os contos da infância mete medo, a "madrasta" ...
Votado !!
Votos dados com louvor.
Parabéns, Wancisco!!!
já vem você me lembrando coisas que eu não quero esquecer...
grande texto, companheiro wan,
votadíssimo!...
Legais essas lembranças, apesar de algumas bem tristes. Conto que prende a atenção da gente. gostei !
bjokas
Nao estou conseguindo ver muitas alegrias envolvendo o pobre Vandim; creio que vou unir-me a Dede para protege-lo.
Alias, tenho uma filha do coracao que se chama Dede; como melhor amiga de minha filha cacula, foi criada dentro de minha casa.
Recentimente a mae dela faleceu, e seu pai tomou a mesma decisao do pai do Vandim; vai casar-se e deixou-a sozinha!
Tomei-a para mim, e em cumprimento a uma promessa que fiz a sua mae antes de morrer, morara comigo e cuidarei dela como filha!!!
Espero sinceramente que Vandim tenha um destino igual a minha Dede!
Bjosss...votado!
Wan,
Dizem que viúva é quem morre, dai o papai ter ido a luta.
Abraços
Qual sera o destino de Vandin ? ! ? Sera ele uma vitima ou um heroi que espanta os males com suas pericpecias ?
Que ele continue a aprontando mtooooooo por aqui !
ahhhhh espero o dia em que ele se apaixone e escreva qualquer linha de amor, rs
bjssssssssssss;)
Ótimo trabalho amigo! Votado com entusiasmo!
Chico Piancó · Fortaleza, CE 6/3/2009 16:37
Aqui apreciando conto gostoso de se ler...
Abraços. jbconrado
>>> Confirmando!!!
Bom demais mesmo, o menino é forte e vai tudo superar ! Estamos torcendo por ele ! Votado.
André Calazans · Rio de Janeiro, RJ 6/3/2009 20:34
Estou aqui imaginando o que o Vandim vai aprontar para a madrasta. No aguardo.
Votado. Ivette G M
Amigo gostei imensamente... Por isso voto, voto e voto sempre. valeu
José Cycero · Aurora, CE 6/3/2009 22:18Beleza de conto.Faz bem. descarrega a cabeça. ela fica leve...Parabens
victorvapf · Belo Horizonte, MG 7/3/2009 07:29
Anderson,
bem bolado,
Madrasta?
Vamos ter continuação...
bjs
Desculpe...
Wancisco!
me enganei com o nome
Bjs
Wan, bem contado, bem narrado, bem lembrado.
Nestes tempos de masdratas, não raro mais de uma.
abraço
andre
palmatoria lembranças nada agradavel, muito bom texto.
arnaldo cavalle · Jaboatão dos Guararapes, PE 8/3/2009 19:47
Seu conto é muito interessante e muito votado.
Isabel Furini · Curitiba, PR 8/3/2009 23:57Hum.... tem gosto dos contos de minha mãe, dos "causos" de antigamante. Virei fã!
Shel Almeida · Bragança Paulista, SP 9/3/2009 16:03Ain meu pai, Wancisco!! Até quando as madrastas e sogras serão amaldiçoadas, né? Hihihi!! Eu pensaria cm escreveu no texto. Minha sogra não é lá essas coisas, sabe? Ainda bem que escapei de ter madrasta! Amo minha mãe!! XDD E seu texto está uma maravilha!! Viajei em suas palavras!
N.Lym · Fortaleza, CE 11/3/2009 14:13
Me identifiquei com a parte em que Vandin lembra dos seus primeiros tempos de escola, pois minha irmã também me ajudou muito nos meus tempos de estudante até o colegial - pra ficar nessa nomenclatura tão boa que foi aposentada.
Muito boa mais esta história do Vandin, relatando mais um capitulo do seu tempo de infãncia.
Parabéns.
Votado.
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