O capim e as heras tomam conta do exíguo quintal e das paredes de adobe. Algum animal derrubara a porta, ou foi mesmo o peso do tempo? De noite: os grilos pirilampos gatos, uma , outra coruja, ah! e os morcegos muitos, na noite nos cantos lúgubres inertes de dar medo os morcegos, de dia a realidade do barraco, só.
O casal ele ela adolescentes, passantes? estradeiros? de perto? curiosos. A cidade lá embaixo nem longe nem perto, esquecida. Os olhos saltam dos olhos à porta a moça lívida mão à boca em concha chama mostra aponta o tétrico o medo,o rapaz. O braço sobre o ombro a calma, os dois.
Dentro os ossos aqui ali mais acolá, a caveira miúda carcomida morta morta, sem tempo. Espalhados os ossos. Uns trapos trapos, perguntosa a moça aponta – o quê é?!
enrolado um troço trapos, o rapaz- parece um chocalho! desembrulha mostra –um chocalho.
A mochila carrega descarrega o costume o vício, a marvada. O moço a moça à sombra do Abacateiro. Um passa outro passa aspira prende, o sonho o novo, a síntese a desgraça.
Amor? amor não mata mata?! o beijo o frio do corpo o coito o gozo, premeditados? o crime antes premeditado? o rapaz olha os olhos da moça frios mortos, vagos. Os nacos da carne o sangue os membros separados, postos arrumados dispostos sobre o chão.
Click click de vários ângulos o corpo as fotos as fotos antigas: beijos risos poses poses hoje ontem, presos na mochila.
Sobre o Abacateiro em galhos a fumaça o moço o não sei contar, o medo o medo? o mergulho.
No chão da tapera uma sombra...
Carlos,
Teu conto tétrico e envolto em mistério nos confunde,
tanto quanto o casal de adolescentes que guarda, os sonhos, o tempo e o medo dentro da mochila.
"Amor? amor não mata mata? e se for premeditado?
você vai longe menino...
bjss
MINHA VERSÃO
O texto de Carlos Mota como sempre um eterno enigma a ser desvendado.
Minha versão.
Um casal de adolescentes viciados em drogas, drogas pesadas, vivem se escondendo de si o do mundo, vício maldito, prazer que destrói e mata. Na ansiedade de saciar este desejo, de uma juventude delinquente, enchem a cara e o cérebro destas toxinas e entregue ao desvario e a nova dimensão do caos absoluto da mente, sem nenhum controle sobre o mundo racional e na torpe do delirio solvem o veneno da modernidade, ao tempo em que na banalização da existência solvem também suas vidas, ficando a tapera a como uma armadilha aramada para consumir mais jovens que inexperientemente entraram neste mundo sem volta. Porém quero registar que este comentário é apenas uma versão do que li, pois o Carlos Mota consegue construir inúmeros livro com o mesmo tema, porém com enfoques diferentes, espero, que desta vez tenha chegado mais próximo do projetar pensamental deste grande pensador, intelectual poeta e questionadaor do convivo interativo social.
Versão Extraida de A tapera Carlos Mota Goiania(GO) Edição Overmundo, Novembro,2008.
John Houston faria um filme...Certamente seria sucesso...
Espetacular cena e conto...
Muito Bom !...
abraço
Infelizmente a vida imita a arte e ta´cheio de gente por aí fazendo no real o que deveria ser só arte. tenho medo dessas histórias escritas assim....
Angélica T. Almstadter · Campinas, SP 11/11/2008 12:09Como os contos de Kipling. Arrepios e defluxos às carradas! Exelente texto meu caro. Talento puro!
raphaelreys · Montes Claros, MG 12/11/2008 06:43
Ele matou ela??? :O
Caramba, quanta mardade...
Seu estilo é muito massa... mto louco. Carregado de ansiedade, praticidade, suspense.
Ótima estrutura, Carlos.
Corridão, meio apressado... Ótimo texto
Parabéns! Com certeza eu volto pra votar!
Puxa vida.
Uma leitura que prende
aspira e prende e solta
aspira e prende e solta
o que importa a sombra e a porta?
Um abraço
Grande texto em todos os asepectos que e queira ventilar. Demais da conta, grande amigo. Pética pura, pura poética. Volto.
José Cycero · Aurora, CE 12/11/2008 10:25Grande texto em todos os aspectos que e queira ventilar. Demais da conta, grande amigo. Pética pura, pura poética. Volto.
José Cycero · Aurora, CE 12/11/2008 10:25
Hitchokant mesmo!!!
de espantar as damas...
bjs
"No chão da tapera uma sombra..."
Mistérios, mistérios.
Viu a diversidade de opiniões, Carlos?
"A tapera" é um caminho.
Na tapera, o casal. E sob o Abacateiro quem sabe seu parceiro solitário, nesse itinerário da leveza pelo ar? Refazendo, refazenda, refazendo a vida sob a morte.
Gostei do conto e lembrei da minha adolescência, passa, aspira, prende ;)) teve morte tb, teve susto, amor. Tudo. Beleza, Carlos
Que conto,Carlosss!
Uma cena que nos prende...tensiona...uma narrativa de estrutura diferente que nos envolve em seu ritmo praticular...
Muito bom!!
Parabéns!
beijinhos bluecarinhosos
Blue
CORRIGINDO:
Que conto,Carlosss!
Uma cena que nos prende...tensiona...uma narrativa de estrutura diferente que nos envolve em seu ritmo particular...
Muito bom!!
Parabéns!
beijinhos bluecarinhosos
Blue
Muito tenso, muito louco. Enigmático.
Abração, Ivette G M
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