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A tempestade se aproxima.

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Ana Cullen · Brasília, DF
4/9/2006 · 93 · 10
 

Ela percebe o céu escurecendo. Ele sente o vento ficando cada vez mais forte. Ele precisa de tempo. Tempo para organizar o caos. E isso não pode ser feito ao lado dela. A tempestade se aproxima. Ele tenta levá-la a algum abrigo. Longe dele, longe da tempestade. Ela sempre enfrentou muito bem as tempestades. Ele sabe disso. Ela ignora tempestades. Ele precisa sentir a tempestade em toda a sua intensidade. A paz que vem depois só é plena desse modo. Ele precisa de tempo. Ele precisa ser arrastado pelo tornado que se formou. Ao fim, o que sobrar, é o que deve ser mantido. Ele quer o melhor de si. O que sobrevive. Ele não conseguiria vê-la se machucar. Ele a afasta de si. Ela tenta abrigar-se. Ela o queria por inteiro. Mesmo com todo o caos. Ela era caos quando ele a conheceu. Ninguém a tinha visto chorando antes. Ela quer estar por perto. Ela quer chorar mais. Ela quer se sentir viva. Ele a faz sentir-se viva. Ele quer paz. Ela é feita de paz ao lado dele. Ela quer abrigo. Ele se faz abrigo para ela. Ele precisa de tempo. Ele retorna àquela casa vazia. Ainda a pouco habitada. Ainda há pouco ele construiu uma história lá. Ele precisa ver o tornado destruí-la. Ele precisa estar lá. Sentir o vazio. Mergulhar no que não existe mais. Ela chora sozinha no abrigo. Ela só queria que ele mergulhasse nos sentimentos por ela. Que ele a sentisse em toda a sua intensidade. Que ele retornasse a ela.

...

Ele retorna. Eles se abraçam e choram tentando reconfortar um ao outro, correndo a mão e o olhar pelo corpo um do outro verificando se estão bem, se estão inteiros. A tempestade passou, o silêncio que preenche o vazio deixado é reconfortante. Eles são paz e abrigo. Alguma coisa a machucou, ela não sabe ao certo como, nem onde, ela percebe que está sangrando, o abrigo não era longe o suficiente. Ele também está machucado, ele tem algo quebrado em si e sabe que vão ficar cicatrizes, os destroços espalhados refletem a intensidade da tempestade, o quanto ele sofreu. Ela não consegue entender ainda como ele se machucou tanto. Eles olham ao redor, contemplam o que sobrou, ainda sentem dor, os machucados são recentes. Eles tentam identificar onde feriu mais, se há algum fragmento a ser retirado. Eles esperam que cicatrize, tentam recolher o que sobrou deles e o que sobrou de tudo...eles começam a construir algo novo, enquanto o céu se abre e as últimas nuvens escuras se dissipam.

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Autoria
Ana Emília Cullen Vaz
Ficha técnica
Não sei a data em que escrevi isso, sei que foi esse ano.
Essa é a segunda versão.
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Fábio Fernandes
 

Interessantísimo, Ana. Interessantíssimo.

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 2/9/2006 19:12
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Ana Cullen
 

:o)
Sua opinião é importante Fábio, compartilho das admirações do Duende pelos seus textos...
Uma vez me disseram que só dá pra entender esse texto quando eu explico, que ele é muito confuso...mas eu acho ele tão claro! Hehehehe

Ana Cullen · Brasília, DF 3/9/2006 12:52
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Ana Cullen
 

:o)
Sua opinião é importante Fábio, compartilho das admirações do Duende pelos seus textos...
Uma vez me disseram que só dá pra entender esse texto quando eu explico, que ele é muito confuso...mas eu acho ele tão claro! Hehehehe

Ana Cullen · Brasília, DF 3/9/2006 13:17
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Fábio Fernandes
 

Ana, não te conheço pessoalmente, mas acho que textos, mesmo quando não são autobiográficos, tendem a refletir pelo menos o estado de espírito de seus criadores. Acho você uma pessoa shakespeariana, meio Macbeth; nada há de confuso nisso; você é sturm und drang, como se dizia antigamente na Alemanha, tempestade e fúria. Um caos apenas aparente, dentro do qual repousa uma ordem também aparente e temporária, que logo da margem a novos torvelinhos de caos e assim por diante. Movimento puro.

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 3/9/2006 18:39
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Daniel Duende
 

Eu jurava que já havia comentado este texto aqui...

Eu o adoro desde a primeira vez que o lí. É tão real... tão cheio de emoção... e tão verdadeiro! Fico feliz de vê-lo publicado aqui. :D

Abraços do Verde!

Daniel Duende · Brasília, DF 4/9/2006 17:58
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Ana Cullen
 

Estou lisonjeada e impressionada Fábio...adorei seu comentário!!! Não sei lidar muito bem com elogios e esse é um puta elogio!

Obrigada Dani...ainda bem que você me mostrou esse mundo que é o overmundo!!!

Ana Cullen · Brasília, DF 4/9/2006 23:10
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

"O amor é a mútua saudação e proteção de duas solidões" (Rainer Maria Rilke "cartas a um jovem poeta"). "Não somos mais que paquidermes, conseguimos, no máximo roçar as nossas grossas peles" (Georg Buchner in "A morte de Danton") "Não é o amor, mas o pavor o que mantém duas pessoas juntas " (autor desconhecido).
Eis, num exercício de livre analogia, as citações que me vieram à cabeça ao ler o seu texto. E as duas palavras que eu sublinharia são "Caos" e "Cicatrizes" não necessariamente nesta ordem.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 6/9/2006 16:14
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Daniel Duende
 

Muito interessantes as associações do Joca. :)

E não precisa agradecer, Aninha. O Overmundo ganha muito com a sua presença, pode ter certeza disso! :)


abraços do verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 6/9/2006 16:23
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Ana Cullen
 

:o)
Valeu pelas analogias Joca! As palavras a sublinhar realmente são caos e cicatrizes, uma relação que não tem seu caos e suas cicatrizes já morreu, ou nunca foi intensa o suficiente, e ninguém percebeu... Mas é preciso paz e abrigo também...

Ana Cullen · Brasília, DF 8/9/2006 12:52
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Daniel Duende
 

Concordo plenamente... :)

Daniel Duende · Brasília, DF 8/9/2006 13:11
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