Aconteceu de novo! Alguém ou alguma coisa não queria que eu morresse ou pelo menos, não como as pessoas normais. Da primeira vez, eu acordara no corpo de Márcio Santana, um piloto brasileiro de fórmula um. Meu nascimento original, aquele em que se nasce na maternidade, havia sido nos Estados Unidos. Isto mesmo, eu era americano e viera para o Brasil para viver com uma mulher brasileira. Aos 70 anos, aconteceu minha primeira morte e acordei em Mônaco no corpo do piloto Márcio Santana. A partir daí, minha vida passou a gerar estranhos e incríveis acontecimentos que culminaram com minha morte em 2048, novamente aos 70 anos. Daquela feita transcorria o ano de 2008 e agora eu estava novamente renascendo no mesmo ano. A diferença é que daquela vez aconteceu tudo no mesmo ano e agora eu estava renascendo no passado. Pois estávamos novamente em 2008. Tudo começou naquela manhã, 13 de Setembro de 2048. Kelly havia viajado para Anul, o terceiro planeta da Aliança. Eu estava sozinho em casa e levantei-me para tomar um banho, mas estava já há algum tempo com uma dor me incomodando. Ao ligar o chuveiro uma dor muito forte no peito fez com que tudo escurecesse, começou a embaçar minha visão e a última coisa de que me lembro é que perdi o equilíbrio e tudo se apagou. Acordei em uma cama confortável e macia, mas não sabia onde estava. Era tudo muito escuro e procurei na cabeceira da cama um interruptor. Acendi a luz e encontrei-me em um quarto simples, de teto alto como as construções antigas em estilo colonial. Havia na parede a minha frente um grande crucifixo, Na outra parede, um guarda roupa antigo, uma mesinha de cabeceira onde havia uma bíblia. Na parede oposta um grande relógio acusava 3 h da madrugada. Na cabeceira alta da cama, havia um rosário pendente. Levantei-me e andei até o espelho do guarda roupa. Eu estava novamente no corpo de um jovem de no máximo 30 anos. Meu novo corpo parecia saudável e forte. Seu dono provavelmente praticava esportes ou malhava bastante. Começava a desconfiar da identidade deste novo hospedeiro para minha pobre alma, quando batidas delicadas na porta, interromperam minhas especulações. Abri a porta. Ela era incrivelmente bonita e seu sorriso encantador emoldurava um corpo perfeito. Ela disse. – Oi! E me beijou a face. – Oi! Respondi. – Você está pronto? – Para quê? Perguntei. Ela pareceu espantada com a minha resposta. – Para a viagem, hora esta, esqueceu? Estava começando tudo de novo. Já sabia o que viria agora. – Espere, sente-se aqui a beira da cama, precisamos conversar. – Conversar? O quê? Não me diga que desistiu de tudo! – Não! Não é isso! È que não sou quem você está vendo. – Alex! Pare de brincadeira! O que está acontecendo? - Moça! Nem sei como começar, mas, não sei quem sou ou de quem é este corpo! – Você está doente? Perguntou preocupada. – Não! Mas é uma longa história. Vou tentar contar a você o que aconteceu e que, aliás, acontece pela segunda vez em minha vida. – Ok! Fale! Respondeu ela entre curiosa e aflita. Narrei-lhe então toda a história desde o episódio de Mônaco até o que acabara de acontecer. Ela ouvia com atenção e vez por outra me interrompia apenas para saber sobre algo que não entendera. -Então é isso! Preciso saber quem eu sou e quem é você! Ela suspirou profundamente e então começou a falar. – Vamos então às apresentações! Você é o Padre Alexandre Romero e eu sou Helena Santori e somos amantes! Você pediu exclusão do sacerdócio para que possamos nos casar e Hoje a Santa Sé deve enviar o documento liberando-o dos votos. Havíamos combinado que eu o apanharia a esta hora e iríamos para nosso sítio em Viamão. – Puxa! Por um fio! – Do que você está falando? – Bem, eu já desconfiava que estivesse no corpo de um padre. Isto é terrível, porque nem sei rezar uma Ave Maria inteira. Ela riu. – Bem! Como um ex padre, você se livra do problema. Pelo menos numa coisa Deus havia sido generoso comigo, sempre me jogava nos braços de uma linda mulher, se bem, que mal estávamos nos conhecendo. – Helena! O que vamos fazer? – Bem! Como aconteceu em sua primeira experiência, acho que o primeiro passo será nos conhecermos melhor e eu devo inteirá-lo sobre a vida de Alex. Temos o fim de semana inteiro. Pegue suas coisas e vamos sair daqui. Segunda feira apanhamos o documento. – Ok! Acho que tem razão e fico grato pela sua compreensão da situação. – Claro! Você não tem culpa de nada. Nós agora precisamos analisar como vamos tocar a vida daqui por diante. – Você falou Viamão, isto significa que estamos em... – Porto Alegre, Catedral Metropolitana. Saímos pela porta lateral e tomamos o carro, um Toyota de fabricação brasileira que me parecia estranho. Pelo menos não tinha semelhança com o modelo que eu lembrava. Só então me dei conta de que aquela não era a Porto Alegre que eu conhecia. As ruas e avenidas eram mais largas. O asfalto era diferente e era tudo muito limpo. Os prédios eram mais modernos amplos e não se via gente pobre nas ruas, parecia que todos eram bem de vida, bem vestidos e os carros eram menos barulhentos e me parecia tudo muito organizado. - Helena! Tem algo estranho! Esta não é a Porto Alegre que conhecia. Alguma coisa está errada. Acho que você vai ter que me dar umas aulas de história para poder fazer um juízo. – Olha! Até onde sei aqui foi sempre assim. – Espere! Acho que sei o que ocorreu! Da outra vez, que aconteceu isso comigo, foi criado um universo paralelo onde os acontecimentos se inverteram. Só que eu passei a viver em outro universo e Arnold Socth 2, continuou vivendo no universo original. Acho que desta vez os papéis se inverteram e eu vim parar no universo paralelo. Você entende? – Acho que sim. Você falou também naquela história de espaço-tempo paralelo. Será que tem algo a ver? – Certamente. Neste caso eu posso estar em terra 5. Mas num espaço-tempo diferente. – Agora você deu um nó nos meus neurônios. Repentinamente uma moto de cada lado do carro e seus ocupantes apontavam armas em nossa direção. – Parem! Encoste o carro. Já! – Obedeça! Falei pensando no que viria. Helena parou o carro e de uma das motos desceu um homem que estava na carona. Desçam e deixem a bolsa, carteira e as chaves no lugar. Obedecemos e o terceiro membro assumiu o volante. Os outros arrancarm e saíram em lata velocidade. Foi então que me lembrei do cristal Apha Z, segundo Adan 7 ele estava implantado no meu cérebro, mas em um espaço-tempo paralelo. Então deveria estar aqui. Então rapidamente comecei a empregar o que sabia sobre mover os objetos e alcei o carro até uma altura de uns 5 metros, sob o olhar espantado de helena. Ela chamou a polícia pelo celular e uma viatura que estava perto veio imediatamente. O bandido estava apavorado com a porta do carro aberta, mas não tinha coragem de pular. Desceram 4 policiais da viatura policial e nosso amigo já com as mãos erguidas mostrava que não estava armado. Então lentamente fiz o carro descer até o solo e o bandido foi preso. Um dos guardas aproximou-se. – Como fez aquilo? – Não sei! Respondi. Deve ser um milagre! – Ele é um sacerdote. Falou helena. Deve ser um milagre de Deus! O guarda deu de ombros e tratou de registrar a ocorrência. Finalmente retomamos nosso caminho. – Ok! Milagre de Deus é que não foi. Como fez aquilo? Perguntou Helena ainda meio nervosa pelo que acontecera. – Olha! É mais uma longa história, mas trata-se um cristal magnético inserido em meu cérebro por um extraterrestre. – Ta! Só que o cérebro que está aí na sua cabeça, não é o seu. É do Alex! – Sei! Para você pode parecer estranho, mas no multi-universo é assim. O cristal foi implantado em outro espaço-tempo paralelo, creio que no domínio do espírito. Portanto o corpo é do Alex, mas o espírito é o meu. Por isso o cristal funcionou e é por causa dele que consigo fazer essas coisas. – O que mais você consegue fazer além de levantar carros? – Bem! Vejamos, posso me comunicar telepaticamente com você. – Legal! Ouço sua voz como se estivesse dentro da minha cabeça. – Exato! Posso também ficar invisível. Assim. – Nossa! Isto é fantástico! Sabe? Se as autoridades descobrirem, o exército vai querer que você vire alguma arma secreta. – Exato! Por isso mesmo, vamos manter esta parte em sigilo. Fica só entre nós. Enquanto examinava a carteira do ex padre, não percebi um único centavo. – Você tem algum dinheiro? Perguntei. – Quero comprar cigarros. - Dinheiro? Não usamos isso desde 1990. Agora só dinheiro eletrônico. – Boa esta! Este com certeza não é o Brasil de terceiro mundo. - Claro que não! Somos a maior potência mundial. Bem! Você com certeza não é deste universo. – Ok e os Estados Unidos? – Bem, eles só há 50 anos atrás livraram-se do jugo dos ingleses atualmente estão com bom índice de desenvolvimento, mas ainda estão longe de nos alcançar. – Está bem! Vou ter mesmo que me reciclar completamente. Adan 7 havia dito que terra 5 possuía uma civilização mais avançada então minha teoria estava se comprovando. Eu devia estar mesmo em terra 5. - A moeda aqui ainda é o Real? – Real? Não! Dollar brasileiro. DB$. – Está bem e a exploração espacial? – Vai de vento em popa estamos com uma missão indo para Marte. - Agora falta o governo. Quem está na presidência? João Alberto Siqueira, mas, quem manda é o primeiro ministro. Bem a dose de surpresas já era suficiente por enquanto. Acabávamos de chegar ao sítio. Na verdade uma pequena propriedade, com alguns hectares de terra, uma bela e moderna casa com todo o conforto. Internamente, peças amplas e arejadas O living era espaçoso e confortável. – Você vive sozinha aqui? – Sim! Durante o dia tem os empregados, mas, como vínhamos para cá eu os dispensei. – Espere! Já que o cristal funcionou, preciso entrar em contato com alguém em 2048. – Há! Essa não! Não vá agora dizer que você pode se comunicar com o futuro e com pessoas que você nem sabe a que distância estão? – Sim! Só temos um problema. Eles precisam estar neste mesmo universo e algo me diz que não estão. Tentei então um por um desde Kelly até Adan 7. Nada. Bem, sem os mapas do multi-universo seria impossível localiza-los. Só me restava agora viver a vida de Alexandre Romero. - Você disse que o sítio é nosso, isto é, seu e de Alex. – Sim! Ele recebeu uma pequena herança e eu tenho uma escola de informática. Então compramos o terreno e construímos. Ela então sorriu. – Sabe? Você é um cara fantástico e algo me diz que saí lucrando com a troca. Eu gostava do Alex, mas sabe essa coisa de religião atrapalha um pouco. – Sei! Você também me parece uma garota muito especial. Namorar um padre apesar de tudo e de todos os preconceitos é um pouco complicado. Não sei se era aquele tal gene com mania de reprodução que estava fazendo minha cabeça, mas o fato é que estava me apaixonando novamente.
2040_13
Aconteceu de novo! Alguém ou alguma coisa não queria que eu morresse ou pelo menos, não como as pessoas normais.
A novidade é a minha participação na coletanea Solarium 2 da Multifoco com o conto " O E.T. Espião". O livro deve sair nos próximos dias. Assim que receber o material promocional, disponibilzo no Overblog.
LAURO WINCK · Rio Pardo, RS 8/10/2009 09:33
assim que sair esse material me avisa tá ok?
a heroína na minha opinião é ela,já pensou,meu amante acorda com um dia dizendo que ele não é ele mas sim outra pessoa,eu chamaria ele no mais positivo dos termos de sacana...
Depois passar po um assalto fugindo com um ex-padre que nem sabe mesmo quem é, por fim ter que ficar explicando como funciona o mundo a um des(conhecido) com poderes paranormais...
a melhor parte pra mim,porém foi a do Brasil sendo a maior potência mundial!!!muito bom
quiçá isso seja possível!
Querido amigo Lauro, BELEZA ! Parabéns por esta publicação. Você merece todos os elogios e sucesso.
Adorei o conto só que é ótimo escrever a história pois você só faz o que quer e gosta. Só aparecem mulheres maravilhosas. Acredito que você jamais ficaria com a MEMEiA ou Dona Redonda. Escreva uma que você no sufoco teve que encarar... Vai ser muito engraçado...
Adorei amigo. Bjs no seu coração. Mirtes Carvalho
LAURO WINCK · Rio Pardo (RS)
A terceira vida de Arnold Scoth
Aventuras fantásticas, coisas mesmo de um outro tempo.
pessoas especiais com mais vivência e saber sobre a vida e o mundo.
Parabéns.
Abração Amigo.
Muito interessante; a matéria vai mudando, mas o espírito continua
o mesmo. Na minha opinião, acho que é isso mesmo que acontece; o medo que eu tenho, é que depois eu não venha a saber que eu, sou eu... Gostei da mudança do Real para DB$; tomara que isso aconteça...
Como sempre, adorei o texto.
Votado
Beijos
AHHHHHHHH como eu gostaria de possuir um "cristal" desse e
transmutar no tempo....
ta "xonante" esse suspense, Lauro. Maravilha te ler.
valeu!!
bjssssss;
Lauro meu amigo que texto! Acho que a virada do seu personagem se dá sempre aos 70 ano! Faz 70 anos: pimba! Renasce em outro corpo. Outra vida. Novas emoções. Que loucura..
Eu também queria ter um cristal desses comigo. E é incrível como as mulheres logo se apaixonam por ele. É muito charme.
Enfim: seus contos são emocionantes.
Merece mesmo um livro.
Quero o meu com autografo e dedicatória.
Parabéns!
Bjos
Patty
Um texto magnífico.
Parabéns, Lauro.
Bruno Resende Ramos
Oi amigo!!!!!!!!
Quanto tempo né!!
Li o texto e fiquei encantada em saber que a história rendeu tantos acontecimentos.
Lembro do episódio de Márcio Santana e esse de Alex, realmente está demais!!!
Bjssssssss
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!