"E de tudo que plantaram nada lhes restou, nem da TERRA, nem dos frutos, apenas a LIBERDADE."
Na história há vários fatos que nos envergonham, mas nada é tão vergonhoso e abominável quanto à escravidão. Arrancaram-nos da nossa pátria, nos trouxeram a força em navios negreiros e nos forçaram a trabalhar debaixo do sol escaldante sob surras e humilhações. Quantos de nós foram jogados ao mar ou morreram de doenças, de fome e de frio? Trabalhamos de graça, ajudamos a erguer economicamente vários países e, depois, num ato de extrema “bondade” fomos jogados ao vento, sem nome, sem endereço, sem dinheiro, sem terra, sem trabalho e sem mesmo saber assinar o próprio nome. Tivemos que nos contentar com a “liberdade” que nos foi dada. Eu não sei de onde meus antepassados são, mas tenho certeza de que Santos não é meu sobrenome. Mas, onde poderei procurar meus antepassados? Em Angola, no Congo, onde? Quem sou eu? De onde vim? Que língua ou dialeto meus antepassados falavam? Será que não descendo de uma família nobre? Marginalizaram a nossa religião, mas com muito custo conseguimos manter a nossa cultura. A abolição “deu” a liberdade aos negros, mas não lhes garantiu alguns direitos fundamentais, como acesso à TERRA, à moradia, enfim, às condições necessárias que nos permitissem exercer uma cidadania de fato.
A resistência quilombolas vem desde a época da escravidão, quando os negros fugiam e se aquilombavam em comunidades, chamadas de mocambos ou quilombos. Muitas comunidades assim se formaram Brasil afora, tais como Palmares, no século XVII, os quilombos de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso no século XVIII, e vários outros na Bahia, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Maranhão e Pará, no século XIX. Segundo o Professor Ubiratan Castro, "um desconhecido Brasil negro se revelou, vindo à tona um novo movimento de afirmação de identidade. E, com ele, uma nova bandeira de LUTA PELA TERRA''... A emancipação dos escravos, em 1888, não foi acompanhada por medidas que permitissem aos grupos negros permanecer na área rural. Apenas um século depois, com a Constituição de 1988 e o reconhecimento dos direitos dos quilombolas, começou-se a lançar luz sobre a existência dessas comunidades.
Hoje 120 anos depois, ainda carregamos nos pulsos as marcas dos grilhões, nos pés o peso das correntes e nas costas as cicatrizes das chibatas. Mas, ao contrário da época da escravidão, estamos assumindo nosso papel na sociedade e, aos poucos, conquistando nossos espaços e direitos. Uma vez que cumprimos com nossos deveres, estamos nós mesmos reescrevendo nossa história, conhecendo nosso passado, pesquisando, investigando e descobrindo a verdadeira historia, e não a versão errada que nos ensinaram na escola. O ponta-pé inicial foi dado pelas conquistas significativas do movimento negro, que vem travando lutas e mais lutas há anos.
Com isso quero dizer que acreditávamos no passo importante que seria para nós, brasileiros e brasileiras, quando, em 2002, a “esperança venceu o medo” e, pela primeira vez, nós, o povão, nos sentimos no poder. Mas, a sensação que temos é que nunca estivemos lá. Não foi como esperávamos, as coisas não caminharam. Em 2006 voltamos a dar uma nova chance 'É Lula de novo com a força do povo'. O governo Lula é sem duvida o pioneiro em colocar na sua pauta de governo em seu primeiro mandato questões delicadas, entre elas a questão quilombola. Legitimou nossa luta com a assinatura do decreto 4887 de 20 de novembro de 2003, e também com a lei 10.639/2003. Ou pelo menos achávamos que existia nesses atos uma legitimação de nossa luta. Mas vemos, hoje, que não é bem assim. É um faz e desmancha que ninguém entende mais nada.
Nós, quilombolas, vivíamos esquecidos, mas mantendo nossa vida pacata e tranqüila em nossas comunidades, pois sabíamos que esse modo de viver era a maneira que os nossos antepassados viviam. Somos descendentes de quilombos, mas não conhecíamos nossos direitos, só os nossos deveres. É claro existem exceções: o Quilombo de Palmares (AL) e o Quilombo do Negro Rugério, em Conceição da Barra, no Espírito Santo, têm histórias de resistência e são marcos da continuidade da luta quilombola, e são referencias até os dias atuais.
Nunca, também, se discutiu tanto as pautas apresentadas por nós, quilombolas, em debates e audiências, para trazer à tona nossa luta e torná-la do conhecimento de todos. Ao contrário do que muitos dizem, não virou modismo ser quilombola para ganhar terra (como se nos fizessem um favor ao nos devolver a nossa terra, que sempre fora nossa), porque moda dá e passa, mas a luta pelo reconhecimento dos territórios quilombolas está firme.
Porém, as políticas públicas que pelejamos pra chegar até a ponta, ou seja, para que atendam de fato às necessidades das comunidades quilombolas que são, em alguns casos, gritantes, rastejam devagar, quase parando. Em 2003, a lei 4.887 regulamentou a titulação das áreas ocupadas por comunidades quilombolas. Foi o ponto de partida para a "descoberta" do novo Brasil. Lembro também a criação da SEPPIR, das várias pastas em quase todos os Ministérios Federais MDA/INCRA/SAF/PPIGRE, MINC/FCP, MS, MEC e tantos outros, para encaminhar a questão quilombola no Brasil. Mas essas ações não estão sendo suficientes para atender todas as demandas. Na educação, por exemplo, muitas comunidades continuam sem escolas de ensino fundamental e creches, muito menos de ensino médio. Há casos em que as crianças têm que caminhar dezenas de quilômetros para chegar ao ponto do ônibus para irem à escola. O ensino oferecido não é baseado na realidade das comunidades.
A saúde também é precária nos quilombos: no quilombo de São Félix, na Bahia, as mulheres dão a luz em casa, graças às quase extintas parteiras. As grávidas que tentam chegar no hospital mais próximo muitas vezes dão a luz dentro das canoas que as transportam. Não existe qualquer acompanhamento em outras doenças como diabete, hipertensão, desnutrição, pré-natal, exames de prevenção ao câncer para as mulheres e os homens. E essa é a realidade de várias comunidades espalhadas pelo país. Saneamento básico, tratamento de esgoto e água tratada, nem sombra! Existem comunidades que são abastecidas uma vez por semana com carros pipas. O transporte público também não chegou a muitas delas. Assim como o telefone público, a geração de renda, a luz elétrica e a moradia (essa nem se fala!). As ditas políticas públicas precisam de eficiência e velocidade. Mas, para que todas essas políticas saiam do papel e funcionem de verdade na prática é preciso da TERRA. Ela é a base para se começar a construir tudo e a partir da terra é que vamos colocando as coisas nos seus devidos lugares.
Neste meio tempo as comunidades, não cruzaram os braços: foram se organizando. E a luta se espalhou por todo país chegando a milhares de comunidades Quilombolas no Brasil. Todas, é claro, anseiam pela terra, a TERRA PROMETIDA. Mas a cada hora que passa a caminhada fica mais longa, a terra mais distante e os problemas mais próximos. Ter a sua terra significa também manter a dignidade, o respeito, a autonomia, a auto-estima e a cultura. Quando nos arrancaram a terra, também nos foi tirado o direito de pose, de ir e vir, de plantar, colher, manter a nossa religião, nossos costumes, nosso o jeito de viver, e foi ferido o nosso orgulho de um povo massacrado.
A luta para ficar nas terras que nos restaram é intensa. Aqueles que nos querem fora dela usam a imprensa marrom, jagunços, intimidação da polícia e vigilância armada, intimidação de fazendeiros com ameaças de demissão aos quilombolas que trabalham pra ele no caso de adesão ao processo de titulação, ou de participação em alguma reunião cujo o tema seja quilombo, soltar animal dentro das roças nos quilombos, mandar prender por andar próximo a fazendas ou eucaliptos. Há até casos em que os fazendeiros colocaram fogo nas plantações dentro das comunidades quilombolas, deram tiros em direção às comunidades. Há racismo velado em declarações racistas, acuação, fechamento de estradas e escolas, impedindo os quilombolas de sair de sua comunidade e de caminhar ou passar nas proximidades das fazendas, processos e mais processos criminalizando quilombolas, prisões por motivos inexplicáveis. Até mesmo livros com histórias mentirosas e racistas estão publicando, num país onde muitos juram que não há racismo, que todos somos iguais perante a constituição! Isso sem contar com as fotos de quilombolas em encontros publicadas em sites sem autorização dos mesmos, com as cartas ao presidente com assinaturas de deputados, senadores e governadores, com a omissão dos órgãos federais, com as audiências da bancada ruralista (UDR) que está colocando terror para derrubar o decreto 4887/2003, alegando que em determinados estados não há quilombos. Ora, dizer que não há quilombos no Brasil é a pior das ignorâncias, tendo em vista que a história conta que os negros se aquilombavam depois de fugir das casas grandes. Que outra explicação existiria para a existência das comunidades nas quais vivemos até hoje, muitas delas formadas durante e após a escravidão? Toda essa resistência à consolidação dos nossos direitos nos leva a crer que a luta quilombola está incomodando e deixando muitos temerosos. Será por que? E o governo, com sua inação, consegue colocar mais lenha nessa fogueira, nesse joguinho de rato e gato.
Já se passaram quase seis anos do Governo Lula, e a questão Fundiária não avançou um centímetro. São diagnósticos e mais diagnósticos, pesquisas e mais pesquisas, números, levantamentos. Um puxa e estica de discussões e dados e as coisas não avançam. A cada hora chega um papel com um nome diferente e nada sai deste bendito papel! Pelo caminho que não anda a Reforma Agrária, com milhares de famílias de Sem Terras acampadas aguardando uma desapropriação que não acontece, bem como a questão das terras indígena, na qual a decisão é sempre adiada, só podemos concluir que as titulações dos territórios quilombolas vão pelo mesmo caminho. Os quilombolas, por sua vez, começam a demonstrar insatisfação, com ações tímidas de reação, mas deixando claro que as coisas não estão no rumo esperado.
Acredito que o próprio Lula não esperava por toda essa demanda e, com questões delicadas como Marambaia (RJ) e Alcântara (MA), o governo se perdeu no meio do caminho querendo voltar. Mas agora é tarde, pois não tem como calar toda essa gente, não dá para recuar a esta altura do campeonato. Ao não saber resolver questões tão delicadas e fundamentais para a democracia o governo nos passa atestado de fracasso e inexperiência.
A questão agrária não foi abordada com clareza pela mãe do PAC. E enquanto isso, na sala da 'justiça' hoje (dia 2 de outubro de 2008) o governo por meio do MAPA, anunciou mais cinco milhões para a agricultura. Agricultura uma ova! Essa verba é para o agro negócio, é para os mesmos donos de gado, soja, eucalipto, cana e terras com nada. Muitos desses agro negócios beneficiados com esta verba estão instalados dentro dos territórios quilombolas, dos territórios indígenas, das terras que deveriam ser destinadas para reforma agrária. O governo popular, socialista, defensor dos pobres e oprimidos etc. está financiando até a continuidade das terras improdutivas! Lula não vai fazer mais nada do que já 'tem'. Ou, pior, ele vai, sim, retirar uma lei que favorece os quilombos para agradar empresas e fazendeiros que financiarão a próxima eleição presidencial, pois seu pensamento após 05 de outubro será nas eleições de 2010. Qualquer assunto que possa prejudicar possíveis coligações será cortado na raiz. E a questão fundiária mexe com interesses e com o bolso de muita gente poderosa. Fica cada vez mais claro quem é que vai dar as cartas neste governo daqui para frente. Se um dia sonhamos que faríamos parte desse governo, é bom acordarmos e percebermos que não é bem assim. O que diziam de Getúlio Vargas (era pai dos pobres e mãe dos ricos) cabe como uma luva no governo Lula. Os pais que me perdoem e as mãe que não se ofendam, mas mãe protegem muito mais seus filhos. Na verdade, nós estamos ficando órfãos de ambos. A garantia é tentar sobreviver nestes últimos dois anos de governo, numa corrida contra o tempo. Não dá, não tem como as coisas continuarem desse jeito. Estamos com uma sensação de impotência, como se estivéssemos de mãos e braços amarrados. E o pior é assistir isso tudo na Globo, e ver o desfecho desta questão na análise de conjuntura de Miriam Pururuca e Alexandre Gracinha. Aí definitivamente não dá.
"Essa terra quem fez foi Deus, e ele não vendeu ela a ninguém, então como é que chegam ricos aqui dizendo que a terra é deles, se nós chegamos aqui primeiro." Maria Pereira[1] (84 anos).
Querida, texto emocionado e emocionante, porque escrito por vc, que sabe na pele o que é ser quilombola. A questão que vc coloca é fundamental para um Brasil mais justo. Torço para que a questão das terras seja resolvida com urgência, não apenas aqui no estado, mas em todo o Brasil. E que o povo quilombola seja reconhecido pelo que de fato é: pedra fundamental do nosso país.
beijos
Claudia
Documento crucial este seu depoimento, peça contundente de uma verdade que não quer calar. Conheço um tanto desta história (dos quilombos do Brasil) e da outra (do eterno desgoverno do Brasil).
Não acredito em partidos políticos do tipo disponíveis no Brasil. neste caso, até segunda ordem, sou 'inteiro'. Logo, não sou destes que, ingenuamente, perdoam governos neo-populistas, que descontroem sua própria imagem depois de eleitos. Não votei e não voto neles. Quero e mereço muito mais.
A contradição existente entre a ausência de uma ampla reforma agrária ansiada desde a independência do país e esta suposta política de reparação fundiária para quilombolas (sem falar nesta cabulosa concessão de reservas indígenas) é tão evidente... Há tantos interesses embutidos aí. Tudo me cheira mais uma das muitas velhas farsas que visam que já estamos carecas de saber: O continuísmo, a mesma conjuntura social se perpetuando,com esta bem construída máscara progressista 'cara-pálida' que nos governa há tanto tempo.
Sou também daqueles 'santos' que quando vê muita esmola, desconfiam. Não acredito muito neste tipo de promessa que não está sendo obtida, quase sem luta, ou seja, não exatamente, pela luta dos interessados. Sei da luta que os quilombolas modernos desenvolvem para fazer com que se cumpram as promessas, mas, me sentiria mais orgulhoso se, a partir de agora, organizados e articulados em torno do mais que justo interesse pela terra, estivéssemos também, por nossa própria custa e risco, organizados reconquistando e reescrevendo a nossa história, não cheia de mistificações, refazendo nossas ancestrais estruturas éticas, morais, não como massa de manobra para eleger supostos 'salvadores' e 'defensores' dos oprimidos de ocasião, mas, para mudar de verdade a cara deste país ainda tão carente de vergonha.
Não vejo saída que não seja nos impormos pela força moral de nossa organização, acima da marota boa vontade de governos como o que aí está, querendo se perpetuar.
Não acredito em Neo-Abolição. A hora é de, organizadamente, conquistar. ganhar de 'mão beijada', mesmo se não fosse uma falsa promessa, seria uma vergonha a mais.
Abs Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 22/10/2008 21:19
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Selma,
pertinente tema que não podemos deixar de discutir em nossa sociedade, somos ou não somos (hoje) brasileiros? Hoje em alguns livros de estória não se fala mais em "descobrimento do Brasil" e sim "a ocupação do Brasil". Existe uma queda-de-braço entre pessoas com visão humanizada que querem reparações, ppolíticas públicas com início, meio e fim, que sejam efetivas etc... A questão da escravidão humana é no mínimo deplorável, quando se recorda que em zoológicos europeus existiam gaiolas para aborígenes, pgmeus e outros fica ainda mais chocante. Os quilombolas precisam de apoio sim, aqui na região próxima a Alto paraíso no Goiás, a saúde está um pouco melhor que nos demais, a participação nas conferências nacionais é garantida, ams é preciso fazer mais, muito mais, e textos como o seu, são caminhos nesse sentido.
Parabenizo o seu texto e que continuemos a fazer nossa parte.
abraços Cristiano Melo · Brasília (DF) · 24/10/2008 08:08
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Emocionante mesmo, Selma. Parabéns pelo texto, por conseguir misturar emoção e informação de modo tão cuidadoso. É importante que se perceba a internet como um canal viável para disseminação de uma mensagem como essa, desconhecida por tantos, como você está fazendo. Aproveitando este espaço aberto para mostrar o que em geral não é visível pelo filtro da grande mídia. Abraço! Helena Aragão · Rio de Janeiro (RJ) · 24/10/2008 15:03
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Acho que esse outro texto aqui, da Bethânia, é uma boa para quem quer ampliar o entendimento das questões levantadas aqui pela Selma. Ilhandarilha · Vitória (ES) · 24/10/2008 17:09
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Selma, voltei para votar.
beijo Lola... · Curitiba (PR) · 24/10/2008 19:17
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Texto prima!!!!!
Parabens.ab Cintia Thome · São Paulo (SP) · 24/10/2008 20:58
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Selma, gostei muito do trabalho.
Parabéns. Um lição seu texto.
deixo aqui meu beijo e meu voto. Gabriel Desaix · São Paulo (SP) · 24/10/2008 23:53
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Selma, seguinte: A classe dominante brasileira (burguesia), esta entre as mais cruéis do planeta, lei do ventre livre, sexagenário, a assinada com uma pena de ouro e tantas outras que não cabe analise agora, nós sabemos que foram apenas engôdo, e se falarmos das favelas tb, dos guetos ou senzalas contemporâneos, de sub/salários, de ações homofóbicas, índios assassinados por filhinhos da classe media e rica, ainda temos um grande caminho a percorrer, muitas batalhas a vencer. Apenas com consciência , luta e conhecimento de toda esta problemática, daremos um passo definitivo para a construção de uma sociedade justa e fraterna..
Gostei e votei.
Abç... Vilorblue · Colombo (PR) · 25/10/2008 09:53
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Selma. Excelente texto, e de grande importância.
Eu tenho orgulho em seguir uma religião de origem negra e ajudar a divulgar os costumes. Falta muito a se fazer pelos quilombolas, mas o avanço em relação ao governo FHC é grandioso. Precisamos divulgar mais.
Abraços. Felipe Gesteira · João Pessoa (PB) · 25/10/2008 12:10
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publicado um belo trabalho. O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca (SP) · 25/10/2008 12:57
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Bravo, Selma. Se não há terra perto dágua e delas uma estrada
se não há na terra escola e morada
se não há atenção sanitária e cuidados a cada
há nada, há nada, há nada
Se sou quilombola planetária, dêem-me a parte
que me cabe no latifúndio, não sete palmos
que meu futuro é ser cremada Juliaura · Porto Alegre (RS) · 26/10/2008 11:08
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Quero agradecer a todos e todas, pelo carinho nos comentários e pelos votos, a realidade ainda é mais cruel do que dizem as linhas do texto, mas num determinado momento temos que parar de lamentar e tornar público. Convido todos (as) a conhecerem as lutas travadas pelos movimentos sociais do brasil, seja Artista, poeta, fotografo, musico ou sem terra. A luta de sobrevivência é travada por nós, ninguém vai fazê-la.
"Há que endurecer-se, mas sem jamais perder a ternura."
oi Ilha votei no seu texto muito belo breve farei contato bjs Diacui Pataxo · Ilhéus (BA) · 27/10/2008 12:17
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Selma.
Continuamos aí, minha linda.
E o que me mantém aqui no ES é ter conhecido guerreiros como tu.
Beijo.
Bethânia Zanatta · Santa Maria (RS) · 28/10/2008 12:04
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