Uma boa polêmica vem plasmada nesta crônica que pretende saborear um prato quente de história , temperado com pimenta , aliás, da bem forte , daquela que quando agregada ao alimento provoca bastante o paladar ... ou que pelo viés literário, acenda no texto o necessário calor do convite à leitura crítica.
No Brasil, pátria amada , circula a informação de que a primeira usina hidrelétrica da América Latina foi construída na terra das Minas Gerais, em Juiz de Fora , onde foi erguida a usina Marmelo Zero, que teria sido inaugurada entre 1888 e 1889 . Foi a primeira experiência de geração de energia elétrica via recursos hídricos em solo brasileiro.
Disso não pretendemos duvidar. Mas , e aí vem o contudo, certamente, a hidrelétrica (ou seria hidroelétrica) “Marmelo Zero” não foi, definitivamente a primeira usina da América Latina,como pretendo demonstrar aqui nesta singela crônica.
Em 1882 uma empresa de mineração inglesa seduzida pela exploração de ricas jazidas de ouro na região norte do Uruguai, próximo à fronteira oeste do estado do Rio Grande do Sul, iniciou a construção daquela que foi – aí sim – a primeira de todas as usinas hidrelétricas da América Latina, instalada no povoado de “Minas de Corrales”, distrito do Departamento (município) de Rivera, há aproximadamente cem quilômetros da fronteira brasileira da cidade de Sant´Ana do Livramento/RS.
Inaugurada, portanto , no mínimo seis anos antes da usina mineira, represando as águas do Arroio “Cuñapirú” , a hidrelétrica alimentou durante muitos anos as máquinas que beneficiaram algumas toneladas de ouro, metal precioso que seguiu o mesmo caminho das riquezas extraídas por estrangeiros na América Latina – a Europa.
Diferente da usina mineira que recebeu verbas para a preservação do acervo histórico, a “Usina Cuñapirú” está em ruínas , degradando-se tanto quanto se degrada a economia do pequeno povoado de “Minas de Corrales” , onde o pouco ouro que resta está sendo ainda extraído (ou seria esvaído).
É lamentável que um patrimônio histórico dessa envergadura se encontre em tal estado de abandono , constituindo-se em mais uma clara demonstração de que a globalização é um processo que visa apenas e tão só afunilar as riquezas , pois nenhum grupo econômico estrangeiro , dos tantos que operam por aí , demonstrou o mínimo interesse em restaurar e/ou preservar a história.
Aqui, ao menos, uma crônica que visa consagrar a verdade e que deixa para os leitores a história apimentada de duas realidades relativas a duas velhas e pioneiras usinas: a mais antiga do Brasil – restaurada – e a mais antiga da América Latina – abandonada – no norte do Uruguai, no pobre e bucólico povoado de “Minas de Corrales”.
Um texto que visa expor duas situações antagônicas relativas a dois patrimônis históricos da América Latina
Ivan Cezar · São Sepé (RS)
A Usina “Cuñapirú”
Um Trabalho admirável e uma grande descoberta.
Com toda a certeza vão cuidar porque hoje um dos maiores patrimónios é o Histórico que com o Turismo, gera muitas receitas.
Aos poucos todo o Brasil vai engrenar nesta de preservao o Patrimônio Histórico e esta Hidroelétrica, vai ter seus dias de glória.
Parabéns por estar ajudando desde já.
Abração Amigo
Ivan, meu caro
Muito bom texto para tomarmos conhecimento da situação lamentável em que se encontra a Usina "Cuñapirú" e do descaso para com a preservação do patrimônio histórico na América Latina. A preservação do patrimônio histórico-cultural parece sempre ser deixado em segundo pelos nossos governantes. Muito tem-se perdido, neste sentido. Aqui na Bahia, por exemplo, temos o prédio do "Gabinete Português de Leitura", em Salvador, fundado em 1863, em estilo neomanuelino, com duas imponentes estátuas em sua fachada, representando Camões e Pedro Álvares Cabral, um belo vitral representando a primeira missa realizada no Brasil, funcionando além da vasta biblioteca de obras lusófonas, o Centro de Estudos Portugueses - Casa Fernando Pessoa. No entanto tal construção, de tanta importância histórica e cultural encontra-se abandonado, literalmente "caindo aos pedaços". Mais um triste exemplo do descaso para com a história, como o é a Usina "Cuñapirú". Realmente lamentável...
Abraço, amigo.
Com Carinho Trazendo um elogio para o Trabalho e uma homenmagem especial ao Amigo Poeta por tantos trabalhos de beleza e valor moral. Patrabéns.
Abração Amigo
Nem mais lamento esses descasos, pois o descaso maior está pelo semelhante, vivo ou morto...nada de lembranças, um País do toma lá da cá...
cansei...
O futuro já é
Parabens pelo trabalho informativo, quem sabe ainda alguém resolva...belo documento e informação!
ab
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