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A verdadeira fome: a de poesia...

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Roseane · Natal, RN
3/6/2008 · 103 · 9
 

A verdadeira fome: a de poesia...


A poesia não tem que ser ensinada, mas degustada. Na escola, assim como na vida, a poesia está em falta. E, quando tem, querem nos ensinar a usar lenços, taças, garfo e faca para saboreá-la. Bom mesmo é quando podemos pegá-la com as mãos... É uma delícia! Pena que não é todo mundo que gosta. Também pudera: muita gente não sabe o quanto é bom. Nunca experimentou, nem tem vontade de experimentar. Mas lá em casa, como temos a mesa farta, todo mundo gosta.
Eu também de ir à escola, pois encontro amigos, aprendo uma porção de coisas legais... não fosse aquelas coisas que eles insistem em nos ensinar de goela abaixo... Eu conheci um menino que não gostava de poesia. Também ele não conhecia... Aí eu pegava e trazia um monte no bolso e a gente as devorava no recreio escondido da professora. Às vezes, a gente ria, às vezes a gente chorava, mesmo assim a geste gostava. E todo dia era aquela animação na hora da merenda: vinha gente de outra sala, vinha gente do salão, todo mundo interessado em petiscar um bocadinho das poesias que eu lia bem baixinho.
Um dia a professora perguntou o que eu estava fazendo que estava mais gordinho, as bochechas rosadinhas e até de tamanho tinha aumentado. Meus colegas riam e gritavam que eu estava comendo um bocado... E ela nem desconfiava o quê. E continuava a sua aula com aquele mesmo trelelê.
Outro dia, resolvemos fazer um concurso, tudo escondido, é claro, para ver quem conseguia escrever umas poesias. O pessoal quase passava mal de tanto se empanturrar. No dia da comilança, foi difícil nos controlar. O pessoal parece que nunca viu um banquete desses se preparar. Foi aí que aconteceu o pior (ou melhor!): a diretora nos pegou e quis levar todos pro xilindró. Aí todo mundo da escola apareceu pra saber o que se passava. Tinha poesia pra todo lado. Tinha poesia em tudo, não só nas palavras. O cheiro que pairava no ar era variado e a todos agradava.
A professora então, resolveu experimentar. Pegou um pedaço de poesia com cuidado pra não se lambuzar. Não adiantou todo o cuidado: não é que ela gostou? Aí a diretora, a secretária, o supervisor, a merendeira, o porteiro, todo mundo quis provar. O banquete não deu pra quem quis. Foi aquela farra. Quem disse que depois voltamos pra sala? Ela estava apertada demais...
A poesia é fácil de preparar. Quem escolhe o tempero é a gente. Pra que ela fique boa mesmo não adianta apenas sair contando os grãos das palavras, a quantidade de versos de cada estrofe, as rimas possíveis de serem criadas, se as palavras escolhidas não expressarem o que realmente está no nosso íntimo, na imagem que temos em nossa mente, enfim, se não expressam o nosso real desejo e nem desperta o desejo nas outras pessoas. Da mesma forma, ler poesia não significa necessariamente compreendê-la, aceitá-la, acolhê-la como nossa, mas degustá-la, apreciá-la, sem moderação.
O que é poesia para o poeta senão um banquete feito a partir da combinação sutil de seus próprios ingredientes, escolhidos a dedo? E o que é poesia para o leitor senão um prato cheio com o qual ele pode saciar a sua fome de prazer? Não é preciso ser poeta para se “comer” poesia, obviamente. Basta que ela não falte. O nosso organismo precisa de seus nutrientes para sobreviver, portanto, a sua distribuição se faz extremamente necessária e urgente...
O que queremos frisar é que assim como o pão de cada dia, que nos alimenta e sustenta, precisamos da brincadeira, da fantasia e do lúdico, proporcionados pela poesia, para nos fortalecer. Sabemos que são tempos difíceis, aliás, sempre houve tempos difíceis. Mas a chama que cozinha o “banquete” não pode jamais se apagar. A “fome” é grande e, se não houver poesia, como iremos suportar?

Sobre a obra

O que é poesia? Por quê? Pra quê?
Experimentem este texto, está uma delícia...
Bjs.

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informações

Autoria
Maria Roseane Cruz Ribeiro
Licenciada em Pedagogia, professora dos anos iniciais do ensino fundamental.
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Cintia Thome
 

A poesia alimenta todo ser inteior, todo corpo...viva vida...viva poesia...ab

Cintia Thome · São Paulo, SP 2/6/2008 14:12
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Leandro F. de Paula
 

A boa poesia é um grande alimento para a alma. No entanto, nem só de boa poesia vive o mundo: sei que não é algo que se aprende mecanicamente...porém, os grandes mestres das letras, os grandes escritores, nos levam pelo caminho e nos mostram a porta para entrar nesse mundo maravilhoso da palavra. O que quero dizer é que algumas coisas são bem indigestas; só aumentam nosso colesterol e são embrulhadas por aquele conhecido processo industrial...geralmente são as que estão naquelas prateleiras mais visíveis...

Bela reflexão a sua.
Fiquei até com algumas idéias aqui...Obrigado!
Votei.
Até mais!

Leandro F. de Paula · Curitiba, PR 3/6/2008 13:03
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Roseane
 

Caro Leandro,
Agradeço suas palavras, que refletem o verdadeiro caos em que se encontra a nossa literatura... Porém, no texto, me refiro à poesia que cada pessoa se identifica. O belo, acredito, não está simplesmente na forma dos versos... mas no simples fato de existirem como expressão viva do nosso íntimo.
Bjs.
Roseane.

Roseane · Natal, RN 3/6/2008 16:44
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Saramar
 

Menina, realmente, o seu texto, assim como toda poesia, é uma delícia a ser degustada sem moderação.
Adorei!

beijos

Saramar · Goiânia, GO 3/6/2008 22:28
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Raiblue
 

Muito bom texto,Roseane!Devorei assim assim...sem moderação...rs....me lambuzei...rs...bela crítica..inteligente e divertida!
Mostrando que a poesia está em tudo ...e é uma forma de mudar a realidade...de transformar...
Parabéns!Adorei seu texto!
bjks azuis...
Raiblue

Raiblue · Salvador, BA 3/6/2008 22:41
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Ailuj
 

A poesia é o alimento da alma como a comida é o alimento da vida
Pulicando

Ailuj · Niterói, RJ 3/6/2008 23:49
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Andre Pessego
 

Eu concordo. Técnico de formação e profissão não entendo como alguém possa ver incompatibilidade entre poesia e tecnologia.
Advogo que seja dentro do conceito de "o quanto pior melhor".
No entanto há uma cegueira dos dois lados.
- A corrente tecnologica instada a ver poesia como algo superfluo;
- a corrente poética vendo na tecnoloiga um que de bitolados, por ai.
O mundo cientifico-tecnologia precisa se suavisar, no minimo
abraço
andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 4/6/2008 00:22
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carlos magno
 

Ao ler este teu texto maravilhoso, fiquei com a boca cheia d'agua, morrendo de vontade de participar também desse baquete poético.
Meus sinceros aplausos e beijos amiga, Roseane.
Carlos Magno.

carlos magno · Rio de Janeiro, RJ 4/6/2008 18:04
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azuirfilho
 

Roseane · Natal (RN)
A verdadeira fome: a de poesia...

Um texto muito bem feito e encantador que faz lembrar a oração que diz assim....

.....o pão nosso de cada dia...

A poesia é esse alimento que santifica.

Parabéns
Estou aqui pela indicação da Amiga e Mestra Saramar.
Gostei muito do Trabalho.
Tem muito merecimento e beleza.

azuirfilho · Campinas, SP 4/6/2008 22:31
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