Tam Huyen Van – 14 de Março, 2007
Nos últimos tempos tenho pensado muito em como seria maravilhoso adquirir o mérito de viver simplesmente, em algum lugar aberto, pleno em verde e azul, abrigado das loucuras do mundo. Notem bem, não afirmo que desejo viver isolado do mundo, mas sim um dia viver livre destes vícios cotidianos que minam tanto nossa saúde física e mental. Este anseio não é novo para mim, já faz parte de minha vida há muito tempo. Mas ultimamente ele tem retornado com pinceladas mais fortes de sonhos e emoções. Talvez, justamente devido à complexidade do mundo moderno, suas exigências tão grandes, o ideal de vida simples esteja me assaltando mais fortemente como que para compensar a frustração das rotinas mecânicas, a fragilidade das idéias superficiais, o medo dos fracassos profissionais e afetivos que eu, assim como tantos de nós, vivencio todos os dias.
Imagino o bem que seria poder conversar com as pessoas sem pressa, sabendo harmonizar em minha voz as palavras e os silêncios tão necessários para dar aos nossos discursos a sabedoria das belas afirmações. Viver sob a égide do equilíbrio, e assumir o próprio tempo sem a tensão dos compromissos formais. Olhar os céus, conversar com estrelas. Saber caminhar nas ruas sem ter que desviar das pessoas frenéticas (eu mesmo deixar para trás este frenesi moderno, esta concepção de que apenas através das futilidades é que poderemos atingir a realização), e principalmente acordar de manhã e descobrir, em meu coração, uma paz insuspeita e plena. Eu exercito uma bela prática espiritual em minha vida, todos os dias, e já consegui viver maravilhosas experiências de equilíbrio e sabedoria. Cresci muito como ser humano, mas sei que ainda estou longe de cruzar completamente o implacável rio das insatisfações humanas, atingindo a outra margem da existência.
A vida simples. Onde ela está? Em qual esquina, em que país, qual será a direção que nos conduziria a ela? Mais do que isso: aonde, em meu ser, habitará o mérito maior de saber-me livre das dúvidas e incertezas, e que me permitirá reconhecer a simplicidade da vida através de minhas próprias ações diante do mundo? Pois, afinal, a complexidade somos nós mesmos que criamos. Ela faz-se inerente à inquietude do espírito humano. Não, nem mesmo isso; para ser mais justo, ela pertence à inquietude da faceta egoísta e diferenciadora da mente humana.
[continua...]
muito bom teu "ensaio humanista".... tbm gostaria de levar uma vida mais simples......
abraços!
Realmente a complexidade somos nós que criamos e assim perdemos a grande oportunidade de vivermos uma existência na plenitude da simplicidade...
Parabéns plo texto
Agenor
Penso muito no sentido que há em nosso modo de vida e não o encontro, principalmente porque todos vivenciam o vazio em si e no que fazem.
Gosto muito dos seus textos, já disse. E ando relendo muito o que você diz.
Obrigada.
beijos
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