“A noite me pega ao relento.
Sombras cortam a lua,
Como corcéis cinzentos na planície distante...
Um homem uiva de dor,
Sozinho ante as estrelas;
O caçador espreita no escuro...
Seu rosto é feito de fel,
Seus olhos são brasas,
Contra o céu...”
No ar seco e frio do deserto, a noite se cobre de estrelas.
O vento canta por entre cactos repletos de espinhos; por entre baixas moitas de cor marrom... salta afobado as dunas de areia, como se quisesse ir embora depressa...
No ar irreal de brilhos eternos, uma estranha sombra se ergue curvada. Os olhos são lamina quente na forja do outono; presas de fogo da paisagem deserta.
Mas eles não vêem somente o real...
Por entre pontos de luz verdadeira, na escura abobada, dançam jatos de cores absurdas; passam aves de rastro anormal...
Enquanto a noite gira, no colosso de Uranus, sombras de noite sem lua povoam os olhos da estranha visita; e na fome do mundo sem nuvem, se ouvem sussurros insípidos, estranhos sons de língua sem vida, invadindo a mente de assalto, daquela que ouviu a voz de doze lados...
A figura se abaixa e levanta; ri e se assusta; grita e se encolhe. Vira o rosto para o lado de súbito, como se ouvisse, no suspiro do vento, estranhas palavras de aviso...
- Longo é o soluço da noite; curvado sobre os ombros do mundo; nascido no principio do tempo...
De súbito, um fino risco se ergue diante dela, ondulando, indeciso, como cor suave no fundo escuro de plantas secas e dunas frias. Ela vê a serpente marrom, pequenos olhos brilhando, e não sente medo.
Vê a chuva cortando o escuro acima: riscos fluorescentes surgindo e sumindo, estrelas partindo em pedaços, sua poeira descendo a terra como pó de luz.
Tudo isso e mais ela vê, enquanto o céu a frente permanece negro, e por atrás a fria luz da aurora avança pálida.
E quando o dia, enfim, aparece, inequívoco, no resto pequeno de céu escuro de estrelas efêmeras, ela vê como um susto, tal qual nuvem sorrateira, olhos enormes de um rosto conhecido, povoando a mente aturdida, daquela que ouviu a voz de doze lados...
Um conto de alucinação e delírio...
Uau ! e agora, como consiguirei dormir ? rsrs
ñ sei o q vc tomou, mas vou se suco de maracujá. aceita ?
Exelente texto. parabens.
bjssssssssssss ;)
Obrigado, Claudia. realmente suco de maracuja é bem melhor!
valeu! bjs
Nossa... que coisa foi essa que li? Me deixou tonta... Seja lá o que bebeu, fez um efeito fantástico, inundou suas palavras e meus olhos.
Parabéns!
Ah, tb estou na fila de votação com POETICA DO SEXO.
Fico feliz se for lá fazer uma visita.
Abraços carinhosos
L.S Lima,
Bendito sejam os Deuses que o inspiraram compor tão belos devaneios.
Abs
Obrigado, Mari. que bom que vc gostou tanto. valeu!
L.S Lima · Belo Horizonte, MG 21/2/2009 21:38Ola, Falcao. muito obrigado. foi uma viagem, ne? abs
L.S Lima · Belo Horizonte, MG 21/2/2009 21:39Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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