Por um momento tudo parou
Num instante o mundo se calou.
O trânsito nas avenidas já não fluía.
As ruas cheias de gente em movimento suspenso.
Entre duas frações de segundo uma eternidade.
Nas lojas, vendedores não vendiam,
Para compradores que não compravam.
O guarda de trânsito com a mão direita levantada
E apito na boca, soprava o som do silencio
O bancário não atendia aos clientes
De uma fila que não andava.
Um cão emitia latidos que ouvidos
Não ouviam.
O relógio da torre marcava meia noite
Em ponto, em badaladas inaudíveis
A senhora elegante, com cartão de credito
Na mão, era uma estátua de cera,
Em frente ao caixa eletrônico.
O assaltante de arma em punho
Paralisou diante de sua vítima
Que gelava em expressão de medo.
O vento não soprava dentre as folhagens
Das árvores, e não desalinhava os longos
Cabelos da moça em trajes de noiva.
Os flashes do fotógrafo foram capturados
Pela lente do tempo em imagem
Tridimensional.
O mendigo, de mãos estendidas, assim ficou
Esperando eternamente pela moeda
Suspensa no ar.
Os shoppings apinhados de gente pareciam
Um exército de terracota. Estátuas lívidas, sem vida.
Uma estrela cadente parou sobre uma
Caravana no deserto. Três reis magos e
Estáticos, presos na linha do tempo.
A voz, viajante do tempo.
Clamando por dois mil anos dizia suavemente.
Eu pedi que vos amassem uns aos outros como
Eu vos amei. Façam isto por mim que lhes dei minha
Vida. Nem que seja por um segundo.
“Um segundo de paz de amor.”
Poema reflexão sobre o significado do Natal
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