Abismos suspensos de palavras, sons que cheiram, e olhares que sangram o horizonte a devorar o presente
Gostaria de sentir uma poesia que só dissesse
silêncio...
mas são tantos sons de cores várias
que não consigo evitar o barulho dessas palavras
que me mastigam.
Lentamente,
uma a uma (ou de par em par),
cravam seus dentes de paradigmas
desnorteando o curso da linha que se entorta
entortando as linhas que a alma dita...
Fazer um cinema mudo
dos sentimentos, legendado por cheiros
de abstrações sem figuras de olhagens,
até ser digerido e descomido para a concretude
de nuvens que não carecem de entender algo
que seja Signo...
Sentir e escrever o Sol
desse sentir,
até que as palavras que mastigavam
sejam mastigadas, degustadas pela ponta dos dedos pontes
para luminosidades que vem das trevas de dentro
do pensamento, estrada para o Sonho
que passeia fora a sonhar a gente.
da genealogia do poema, o esquecimento
de qual sentimento saiu?
de qual veia estouraram essas letras
em mais uma poesia?
não sei...
perdi-me em anotações outras
e essas,
sem rastro aparente deixado
ou cheiro suspenso no ar que
sirva de trilha,
deixam pegadas sobre
as outras pegadas que já não tem importância
quando o vento passar por cima delas,
desse
e de todo o resto.
==
a foto é do Sidclay Dias, tirada com uma Nikon D80
Cinema é sonho. olhar para dentro e sonhar de fora . olhar para fora e sonhar dentro. Só há abismo, André, na palavra repetida, sem entusiasmo, sem magia. Palavras suculentas comoas que leio formam imagens, fazem sulcos, inscrição, explodem e detonam prazer.
Compulsão Diária · São Paulo, SP 29/9/2008 15:22
paradigmastigação!!
trituração e deglutição, dentição esmaltada.
paradoxidável.
sal da ação ácida.
CD!!! Dito!!! Obrigado pela presença e insPIRAÇÕES!!!!!!
Desta garganta na ponta dos dedos escorre essa abaixo poesia... ecoando de onte para hoje, maturada em uma fermentação ainda sem Normas Técnicas ou definidos padrões...
Paradigmastigações, parinoxidáveis causas & paradóxinexoráveis confirmações
Da pressa do dia presa,
as palavras da poesia ficarão de molho,
aguardando quiçá a fermentação
que as transforme no vinho
da embriaguez alheia,
ou,
triste fim de um sentir pleno,
num azedo vinagre
para fazer arder
as supostas dores
de quem não as suporte.
O tempo - esse que
cada vez mais anda sem mim -
...raro qual as palavras que não ficam de molho
e escapolem por entre os dedos da língua,
mesmo assim quase invisível
vai me fatiando cartesianamente
em cruzes espalhadas por abscissas desordenadas,
incalculáveis rastros desenhados no horizonte que foge
sobre os ombros lotados de sonhos,
desenhando uma imapeável cartografia do espírito
que escoa em espirais escoando por amplulhetas
vazias.
Presa do dia,
a poesia voa, às pressas
para saltar da janela que corre
com asas nos pés, moinhos de vento
em tempestade desregulantes
de rumos e nortes, x & y
perdidos no vasto Espaço
da célula, semente
de novos dias a viver entre os dentes do Tempo
alheio de que a carne seu alimento
é a que lhe sustenta Sonho,
Sangue & ossos.
==
AT, 29 e 30.09.2008
OP´S... substituam "ESCOANDO POR AMPLULHETAS" por ECOANDO por AMPULHETAS
vazias."
GRANDE abraço!!!
A
Como já dissera, gosto quando sua palavração nova é recebida na sala das velhas e não por isso bem conhecidas palavras. E creio que o silêncio às vezes gera novos signos, renova sentidos.
Um abraço.
Essa angústia dos dentes paradigmáticos, a prender a palavra em velhas dentaduras, em bocas mortas e falantes demais, eu creio, mora em todo poeta.
As monções de palavras nos devastam, engasgam as veias dos poetas. Alguns, entre eles, você, arrancam raízes, aprofundam a luz naquilo que é milimetricamente construído e, no entanto, tão plano.
beijos sempre admirados.
Gostei bastante. Tem imagens belíssimas, como estas:
"Fazer um cinema mudo
dos sentimentos, legendado por cheiros
de abstrações sem figuras de olhagens..."
Sucesso.
Votado.
Saramar!!! Aglacy!!! Dito!!! CD!!!
Escrevi essa poesia ouvindo algumas vezes a música Because, dos Beatles... (enviada por um amigo que também recomendou o filme 'Across the universe'...
A beleza de suas palavras foram entendidas pelo sentimento que descreve abaixo mais poesia... Obrigado!!!
GRANDE abraço!!!
Abstrassuirrealidades plantadas no vento
Veias e portos abertos,
do peito revoadas de abstrassuirrealidades...
do que inexiste
para uma existência em linhas e entrelinhas,
sentimentos afloram caminhos
por baixo,
por cima,
pelos lados e
por entre
a pedra.
Mas não avanço... faço dela
minarete,
alicerce,
sombra,
telhado,
muro,
trampolim,
mirante,
da pedra nesse meu caminho faço mais uma poesia
sobre uma pedra no caminho
de quem escreve poesias
sobre pedras
e caminhos.
Não quer parar de crescer a poesia... mas o dia quer continuar
a ditar seus horários e tempos
(que até dizem não existir
mas que dirige quase tudo
pelas estradas do Nada
e do Absurdo)
à célula que não entende dessas coisas
dele não existir.
Vem o vento trazendo o tempo
e as rugas. O coração envelhece no varais
de corações impalados pelo sentimento
de ferro & fogo,
deixando pra trás o que foi
e o que não foi,
num rastros de poesias
que não entenderão desse negócio de envelhecer,
e permanecerão verdes pra que entender
que delas nada carecem entender,
apenas sentir para outra flor,
por debaixo dessa ou daquela
pedras,
nascer.
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A
Salve Giovanni!!!
Obrigado caro poeta!!! GRANDE abraço!!!
A
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