Decidi compartilhar com o overpovo os meus roteiros de filmes. Roteiros, de um modo geral, acabam ficando confinados ao nicho dos realizadores de cinema. Alguns filmes mais famosos, acabam tendo seus roteiros publicados e, raramente, um o outro autor merece uma antologia de seus trabalhos. Peças teatrais recebem um tratamento mais decente do mercado editorial.
O primeiro roteiro que apresento não foi filmado. Também foi escrito fora daquilo que é considerado o padrão do roteiro para cinema e TV.
Abaixo, algumas linhas escritas na época em que eu tentei filmá-lo e que mostram minhas intenções com o filme.
Por que AÇÃO AFIRMATIVA?
A miscigenação racial brasileira é um fato incontestável. Gilberto Freyre, sociólogo, ofereceu uma das mais significativas contribuições sobre o tema em sua obra ‘Casa Grande & Senzala’. No entanto, a discussão de Freyre foi utilizada historicamente, inclusive por ele próprio, para minorar a interpretação de um dos mais fortes estigmas da sociedade brasileira: a luta racial. Se o fenômeno era claro na época da escravidão – os registros cartoriais e as imagens de Debret são bastante significativos neste sentido – hoje, o manto da ‘cordialidade’ encobre a discriminação contra o negro no Brasil.
Contribuindo para essa névoa estão as discussões acerca dos projetos de ação afirmativa. Pessoas contrárias a estas políticas usam como mais forte argumento o fato de que é impossível determinar quem é o negro brasileiro. Uma das vitórias deste ideário é o sistema de auto-declaração, onde cada indivíduo é responsável por se identificar racialmente. De fato, a miscigenação fez com que a população brasileira fosse bastante diversa em termos fenotípicos. Fato este que gerou o indefectível bordão ‘todo o brasileiro tem o pé na cozinha’, que denuncia o verdadeiro lugar do negro no imaginário popular nacional.
A verdade é que negros – aqueles que têm a pele escura, caso haja alguma dúvida para o leitor – são facilmente identificados nos grandes shoppings centers, nas áreas turísticas, nas seleções para funções subalternas, nos coletivos. Mas, ao que parece, é a polícia o órgão que possui maior capacidade de discernimento entre negros e brancos, vide o número de ‘pessoas de cor’ abordadas nas batidas policiais e ‘vítimas do fogo cruzado entre bandidos e tiras’.
AÇÃO AFIRMATIVA – a obra - tem como objetivo promover essa discussão. Quem, afinal, não identifica o negro no Brasil? Por que os discursos da fenotipia e da auto-declaração têm tanto espaço na mídia e nos debates sobre a situação do negro brasileiro? A quem interessa a auto-declaração? Além de falar da questão do negro brasileiro, AÇÃO... envereda por outras caminhos criticando a mídia televisiva e o cinema comercial brasileiro, cujo projeto de atração popular vem demonstrando sinais de cansaço.
Com aproximadamente cinco minutos de duração, a obra terá forte influência do cinema direto e deverá ter suas imagens captadas em mini-DV. O câmera é sujeito da ação sendo, inclusive, responsável por uma das mais contundentes críticas do filme: no momento em que está sendo capturado, o câmera é abordado por um policial que é identificado pelo conhecido nome de um grande diretor brasileiro, recentemente envolvido em questões polêmicas acerca do cinema independente. Às técnicas de captação do cinema direto, somar-se-ão um trabalho específico com o som que nem sempre será um complemento natural da imagem e uma opção pela imagem estática, sobretudo fotográfica, quando convier para a melhor abordagem da história.
acho muito bacana a idéia de colocar nossos roteiros por aqui - aqui há um outro roteiro, da Mariana Reade
Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 27/1/2007 16:45
É verdade, faltam roteiros por aqui, é uma excelente iniciativa do Roberto.
O que me leva a pensar em colocar algumas de minhas peças aqui. O que você acha, Hermano? Cabe texto teatral no Overmundo?
eu acho que cabe, Fabio.
Roberto Maxwell · Japão , WW 31/1/2007 00:21
claro que cabe! e tomara que grupos pelo Brasil afora se animem para encenar essas peças
Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 31/1/2007 01:02
Peças de teatro são sempre bem-vindas. Tenho algumas.
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