ACONTECE QUE... AS COISAS ACONTECEM!

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EL MARIACHI · Santo André, SP
29/7/2009 · 4 · 3
 

Já é tarde… a noite começa a se tornar madruga. O silencio paira dentro do carro, só é interrompido pela buzina da moto que velozmente passa do lado. Os segundos parados no semafaro parecem durar a eternidadee…

Foi mais um jantar com os amigos, na casa de mais um deles. Algumas taças sim, mas nada que justificasse a celere frase por ele dito: “Deu um sono… amanha terei um dia pesado, daqueles…” Traduzindo, hoje não vai rolar, assim como ontem, assim como semana passada, como antes… Ela balança a cabeça confirmando tal situaçao…

O caminho até o apartamento é feito de forma muito rápida e sem obstáculos, Comprimentam o porteiro, ele aperta o botão do elevador - ele sempre apertou, ele que comanda, ela repara, sempre reparou nisso- passam pelo sindico e chegam enfim ao lar doce lar.

A rotina de sempre, ele tem tempo de tomar um banho, checar a raçao dos peixes e dos pássaros e também os afazeres da empregada, logo liga a TV e se deita na cama. Ela ainda tem tempo para um banho mais demorado, ainda consegue lambusar seu corpo com cremes, tirar as cutículas indesejáveis e também secar o cabelo. No caminho até o quarto vai desligando as luzes e reconlhendo as roupas sujas por ele espalhadas. Ele já esta deitado. Ela como sempre desliga a TV no próprio botão do aparelhoo e se deita…

Um de costas para o outro. Dormem? Não! Ainda encontramm tempo para dizer um “boa noite” - ao fundo o som de um caminhão… amanha é dia de feira, a criança do vizinho chora - Ela ainda fica um bom tempo de olhos abertos. Inconscientemente se pergunta: O que acontece?

Acontece que… as coisas acontecem, estranhamente acontecem. A verdade é que ela precisa de colo, que ela precisa sentir como antes aquele medo que ele atrase para um encontro. Ela não mais o provoca dentro do elevador, esfregando-se, apalpando-o, ignorando sem qualquer medo as câmeras. Acontecem que Eles não se beijam mais quando entram no apartamento, há tempos ela não faz aquele macarrão que ele tanto gosta e ele nunca mais mandou flores pra ela no escritorio. Ela parou de se incinuar querendo sexo quando ele está checando seus e-mails, banho juntos agora tornou-se algo eventual…

Acontece que ela não mais esta preocupada com suas estrias e celulite, se ele irá reparar e há tempos não compra uma lingerie nova para impressioná-lo ou coisa menor, não mais anda só de toalha pela casa ou ao entrar no quarto, não mais se oferece enrolada aos lençois quando ele chega mais tarde do serviço… Roçar o nariz na perna dele, lambe-lo do umbigo a orelha, morder seu pescoco e deitar-se como um cobertor sobre ele está se cada vez mais raro… Em outras épocas, não desligaria a TV, nem as luzes muito menos a noite (…) Ele por sua vez, não ousaria dar-lhe boa noite, mas sim “seja bem-vinda”, e depois de tudo sim, dormiriam profundamente, sem imaginar que horas acordar, se seria preciso acordar. Nem o choro de qualquer criança ou qualquer barulho de caminháo seria notado…

Acontece que ele não comenta mais a cor da calcinha, esmalte ou batom, sequer seu perfume novo, muito menos o novo tom avermelhado de seus cabelos (…) Agora elogios são como eclipses. Acontece que ele não mais a desafia para “mais uma”. Não a provoca, ou a confunde com suas palavras e seu ar inteligente e descolado. Agora ele tem medo de ligar para ela de marinade, sem saber o que dizer, dizer que está com saudades. Não mais acorda em cima dela, como um cobertor e não mais com um olhar apaixonante ainda na cama lhe diz bom dia amor… Acontece que agora ele acorda antes mesmo do despertar do radio-relogio e sai antes mesmo dela ainda se espreguicar, nem ao menos um post-it na geladeira lembrando sobre comprar mais leite e frutas. Certamente agora irá mandar um torpedo ou até mesmo um e-mail, poucas palavras e no final de tudo apenas “um beijo” Acontece que agora ele tem uma nova viagem, e não mais ligará pra dizer se o voo teve turbulencia, se o hotel é legal, se está nevando ou se está fazendo 42graus…

Acontece que agora eles não mais repartem um cigarro, pipoca ou chiclete. Não dormem de conchinha escutando a chuva batendo na janela. Não mais se perdem por uma estrada de chão sem saber pra onde e ir e no final de tudo acabarem transando dentro do carro. Não mais se espiam pela fechadura do banheiro, recados no espelho embaçado ou até mesmo aqueles sustos para acabar com o soluços são vistos. Ela não conta mais as pintinhas do corpo dele e ele não mais repara nas joanetes do pé esquerdo dela. Há tempos nenhuma viagem ou saem para jantar sozinhos, o que dizer de um cinema, de uns amassssos na última fileira, de ela colocar a mão dentro da calça jeans dele e ele invadir seu decote…

Acontece que ela sente falta de ser notada e elogiada dentro de casa, agora xavecos fáceis nos corredores do supermecados a faz sentir melhor. Ele não mais envia e-mails de corrente ou contando dos seus sonhos, o assunto basicamente é profissional.

O que será que acontece com ela? Agora parou com a academia e a natação, não mais tinge o cabelo, troca a cor do esmalte e batom, não passa mais tardes no shopping gastando com sand alias, lingeries e cosméticos seu cheque especial. Nao recebe mais buzinadas no transito. Ela tenta escrever pra ele que seu coracao nao merece tamanha solidao, ela sente vontade de contar seus novos segredos…

O que acontece com ele? Que aos domingos pela manha acorda atrasado para o futebol com os amigos, que nao mais desfaz o nó da gravata pra ir no happy hour com os amigos, nao mais chega atrasado e como desculpa lhe entrega uma rosa ou um bombom, nao pergunta mais se foi bom pra ela ou comenta sobre seus problemas familiares. O que acontece com ele que nunca mais cantou a musica que tocava no barzinho na praia, no momento do primeiro beijo:

“ Vem sem medo aos meus bracos, meu amor!
Que a tristeza nao vai mais te espreitar pelos cantos
e apertar assim o peito. Fica assim aqui perto,
que teu cheiro me faz seguro, teu calor me protege
e o teu corpo me cura o vazio (…)”


Fato é que estranhamente o incendio se acomodou, a tempestade se tornou leve brisa. O diferente virou eventual, rotina, habitual etc. A surpresa já predita, está estampada na cara, o previsivel é farto e o pressuposto, preposto.

Não se questionam mais, deixam acontecer. Se toleram, isso basta. É ciclico, uma fase eles dizem. Talvez um dia melhore ou acabe. Viva outra fase, deixe de lado o orgulho e o egoísmo, chute o balde, não acorde amanha arrependido, a esmo. Se apronta pra recomçar! Pecado é nao viver a vida!

Sobre a obra

Eis meu primeiro texto escrito aqui em Dubai. Espero que curtam... mais um sobre relacionamentos!

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Autoria
Grauter Silva 07de2009
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Cláudia Campello
 

pode caminhar esse texto prum livro..........rs
ta interessante........mas mto lonnnnnngo pra ler em tela. creia.

bjs3

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 29/7/2009 20:08
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Doroni Hilgenberg
 

Mas que texto excelente amigo

Nossa é isso mesmo. A rotina e o conformismo é a pior inimiga do amor.
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 22/8/2010 23:04
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EL MARIACHI
 

tudo auto-biografico! as vezes isso se torna um capitulo do ultimo texto postado... eu voce!

EL MARIACHI · Santo André, SP 23/8/2010 00:15
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