Três horas da manhã. Toca o celular. Uma mensagem inesperada faz um chamado peculiar. Simples, e por isso belo. “Acorda, vem ver a lua”. Do lado de fora, a brancura redonda e ofuscante da rainha da noite confirma que o convite não foi em vão. Está lá, brilhando no céu o satélite desmistificado, como disse Manuel Bandeira. O astro dos loucos, mesmo depois que Neil Armistrong pisou por lá, continua a fascinar, a fazer com que pensemos que lá no céu, distante bem, há uma magia, algo que não sabemos explicar e por isso nos atrai.
A mensagem foi repassada a uma amiga, que me contou e hoje pus-me a refletir: as coisas simples da vida são edificantes. Parar para pensar sobre um olhar solitário é algo tão grandioso, que nos passa por pequeno por ser maior do que nossa capacidade de admirar o que está diante de nós.
A velocidade do tempo e sua impiedosa impossibilidade de parar, por vezes nos afasta desses espetáculos cotidianos. Hoje não tem lua no céu. Mas tem um sorriso belo, tem o tio que vende pipoca, o rapaz que nos mostra paciente a manchete do jornal no semáforo, tem o olhar da criança... Passamos tanto tempo a nos preocupar com o relógio, que viramos escravos dos ponteiros. Não podemos parar diante do dia e esquecer que o sol brilha forte, enquanto nos ocupamos com a loucura do cotiano. Não podemos deixar de dizer que amamos, que somos felizes.
A lua vai voltar ao céu, como todo dia o faz. As crianças vão brincar sem se preocupar com a dívida externa ou guerra do Iraque. Os velhos vão repetir saudosas histórias de seu tempo a quem lhes der atenção. E eu não quero perder isso. Assim como levantar no meio da noite e ir ver a lua, temos que acordar no meio dia para ver o quanto é bom viver. Para sentir no vento o abraço da vida nos dizendo ao ouvido, vai, busca teu sonho e depois me conta, mas só depois da chuva que vai lavar a rua e os olhos de tudo que nos amarga.
A contemplação do simples é o que de mais fantástico podemos fazer. É de graça, só nos custa um pouco de paciência e bom humor. Uma pitada de poesia na vida, além de não fazer mal, nos dá mais fôlego para fugir para outro lugar, para dentro de nós.
Adorei Adriel! Seu texto me fez muito bem, obrigada!
Márcia Rezende · Jataí, GO 24/4/2007 15:14
Adriel, seu texto é excelente.
Eu, que tenho mania de me sentar no quintal (com meus dois cachorros) para namorar estrelas, fiquei feliz de ver que não estou sozinha neste bonito, relaxante e reflexivo hábito.
beijo
Adriel,
Sou apaixonada pela lua, convidaste-me a vê-la! Posso colocar uma estrelinha junto à lua? fica tão fofo!!!
Gostei!
Marluce
Obrigado.
Marcinh@, acho que o texto já até cumpriu sua missão, fez bem a alguém.
Amanda, adorei o comentário.
Saramar, acho que somos fala-sós, que é como certa vez Saramago chamou os poetas, escritores e admiradores do simples.
Marluce, sua estrela não só é bem vinda, como vai deixar mais enfeitada a moldura que envolve a lua para nos fazer apaixonar.
Muito bonito mesmo. E ler isso hoje, num dia que estava precisando muito é energético, dá forças, obrigada Adriel ;)
Luciana Maia · Rio de Janeiro, RJ 25/4/2007 23:15
É muito bela esta tua prosa poética Adriel. Gostei demais do texto. Parabéns.
Carlos Magno.
Fui ver a Marcia Rezende, que me levou até você, que me levou a ver a lua.
Obrigada!
Um abraço mineiro.
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