penso
insisto
desisto
autonomia
lobotomia
errata
primata!
a vida imita a morte e limita a arte
a tragédia empata a dor
floresce o estandarte do horror
sem concordância nem rima
Ela pensa que pensa
desanima, desafina, desatina,
abomina ser assim
mas é, mas é, mas não mais é
Que droga
paulada em mulher
Porque a flor despetalou em desamor
amor
Desencanto em desacato
Desvairio em despenteio
Deslumbrada em desmantelo
A vida agora um palco escuro
Eu esfarrapada, concumbina sem arlequim
Barraco já rolou
eu morro embaixo
um triste desaire de puteiro
o silêncio fétido feito perfume
o sol frio pondo-se às pressas
e a lua, cheia dela mesma, essa puta
nem me ouve a prece
Eu topo uma carona, carinha, tá de cara?
Assim dá, eu vou
Vem também que pedalar não sei,
mas sentar no ferro é uma brasa, morou
Tô dizendo que aperreado é o cacete que rolou
e fiquei brava, vermelha,
De cara, mais cheia que a lua aquela
Nem que ninguém tem a ver com isso,
só pintou e se pintou desemputeci
E já é de novo um palco dourado
eu palhaça iluminada
das ilusões buscadas
achadas e perdidas
um dia ainda chego lá,
nem que o diabo perca as botas cá
esse cabotino sargento de pouca tropa
esse milico de merda da guampa torta
vai brigar com um do teu tamanho
guanapa panaca do cheiro estranho
assim de chofre, pareceu o demo
se não era, que era, quimera?
Fera, besta!
(vou fingir que estava dormindo e acordar ligeiro)
Wooooow! Isso precisava ter um áudio! Adoro as tuas sequências, tais como "e a lua, cheia dela mesma, essa puta / nem me ouve a prece" ou "esse cabotino sargento de pouca tropa / esse milico de merda da guampa torta". Cara, o que é isso? E essa ironização, esse dualismo, perfeito: "Eu topo uma carona, carinha, tá de cara?"
Quanta sonoridade, dona Juli. Imagino que a senhora estude música ou aspire a. Enfim. Voto na hora certa o poema certo.
Abraço.
Gentil és Labes.
Agradecida, guri.
Escrachou!
Poetinha ainda, medrei.
Vou de conto
por enquanto.
Boto uns versinhos no meio
e pronto.
Medra, não Spirito.
Essa veia tem aparecido de escrever aqui, que eu nem tinha antes desse glorioso 2007 em que estamos vivas, as pessoas de bem mais amigas.
É questão de ir escrevend mesmo, e pensando no que se escreve e, até, escrevendo sem pensar.
Te conto: muita vez pinta puta rima!
Beijin, laranjin
Perfeito a maneira como você explora a sonoridade e o sentido das palavras; cria cenas... "Barraco já rolou
eu morro embaixo"... Grande abraço.
Filipe,
Tenho uma paixão imensa por aprender música, mas por enquanto sou apenas uma ouvinte média educando os ouvidos.
Agradecida, amigo.
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