Mascarou-se de o político da ocasião
lambuzou-se de talco e álcool
abriu braços e pernas para o frevo
gracejou por ser chamado de ladrão
Jogou confetes e serpentinas
sorriu moleque ao som do saxofone
serpenteou a euforia da multidão
abraçou pierrôs e colombinas
No asfalto, regeu a batuta da folia
omitiu-se do oco no estômago
mentiu para os ardores da alma
fez o passo na passarela da ilusão
Pobre bêbado rico de alegria
bradou a “quarta-feira ingrata”
chorou a louca pressa das horas
voltou a si... acordou do carnaval
Simone Moura e Mendes
(Poesia inédita)
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