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AH, A BUNDA

Carlos Vieira ( www.olhares.com/carlos18 )
1
Antonio Rezende · Palmas, TO
2/2/2007 · 134 · 23
 


Uma foto de textura inspiradora e um poema sugestivo de Carlos Drummond de Andrade publicados num blog me levaram a produzir este texto. É preciso, sim, “filosofar” sobre a bunda, como nos instiga um tal “loroteiro”, autor do blog, afirmando que as bestagens fazem um bem danado. Falemos então sobre a bunda.

Há quem prefira dizer bumbum, anca, nádegas, região glútea ou qualquer um desses termos novos de que se tem conhecimento. Uma rápida consulta aos dicionários de língua portuguesa pode se tornar uma seara farta nesse sentido. Mas bunda é que soa bem, até porque representa o conjunto. Incluindo, claro, o tão discriminado ... (êpa!); aquele mesmo, monossilábico e enrugadinho, que os mais castos preferem apelidar de ânus.

Temos várias situações em que o termo se torna composto, em função adjetivada, ganhando outros sentidos. Bunda de tanajura, por exemplo, aplica-se àquelas avolumadas, vantajosas, protuberantes, grandes mesmo. De tico-tico significa bunda alta, arrebitada. E por aí vai.

Outro termo bastante conhecido é o bunda-suja, que significa pessoa sem importância, pobre, sem poder, ignorante. É o mesmo que joão-ninguém. Bunda-suja geralmente serve para apelidar quem não tira a bunda do lugar, ou melhor, que é preguiçoso, pessimista. Há os que nascem de bunda (ou cu mesmo) pra lua, os que têm muita sorte na vida. Mas isso já é outro papo.

Desnecessário dizer que o termo deriva muitos outros, como bundada, bundaça, bundona, bundudo, bundão. Este último, aliás, é muito usado para xingar sujeito desanimado, fraco ou bunda-mole, termo que deveria estar no parágrafo anterior e não neste aqui. Vale lembrar que bundona, além de significar bunda grande, serve para qualificar mulher com as qualidades de bundão, pessoa tola ou retrógrada.

Nessa peleja hilária de pesquisar sobre a palavra, podemos também encontrar termos parecidos. Numa rápida busca achei pelo menos dois. Um é bundra, que significa barriga ou pança. Outro é bundo, que não é o macho da bunda (bunda não tem sexo). Bundo é a designação genérica de negro ou de qualquer língua de povos negros ou negróides africanos, segundo o Houaiss. Isso, convenhamos, cheira a sacanagem de marca maior. Quanto preconceito com a gente de cor, gente!

Por falar em cor, vai ver que a origem do nome tem relação com a cor do próprio ânus, bem mais “concentrada” que a cor da bunda ou das nádegas ou do que você preferir. E, por favor, nem me peçam pra “filosofar” sobre cheiros. Sabe-se que certas coisas têm odor característico, mesmo nos mais asseados. Sabe-se também que uns tendem a suar mais que outros e, consequentemente... êpa!

Acho melhor encerrar por aqui. Não tarda e vão querer me processar por essa abordagem infeliz. Tá assim de gente besta, racista e preconceituosa por aí (preta, branca, mestiça...) querendo polemizar. E eu não pretendo pelejar com ninguém. Vou mesmo é tirar o meu da reta e bundear por aí. O quê? Você não conhecia o bundear? Ora. É o mesmo que vagabundear, vagabundar ou bater perna. Entendeu?

Ah! Temos também o bundá, bem acentuado no final, que quer dizer a mesma coisa que embrulho, trouxa. Mas isso também já é outro papo. Vou é finalizar, definitivamente, senão vão dizer que estou embrulhando, enrolando, com prosa fiada, fazendo o leitor de trouxa. Francamente. Não sou disso.

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informações

Autoria
Antonio Rezende
Ficha técnica
Texto: Rezende
Foto: Carlos Vieira
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Antonio Rezende
 

Para conhecer o trabalho do fotógrafo Carlos Vieira entre no site OLHARES, nesta galeria. Para ver a foto e o poema de Drummond que inspiraram a crônica, acesse o LENITIVOS.
Para também gastar a vã filosofia sobre a bunda, use este espaço de comentários do Overmundo. Para enviar comentários desaforados e xingamentos a este cronista besta, use o poeme-se@hotmail.com. E viva o humor brasileiro!

Antonio Rezende · Palmas, TO 30/1/2007 18:51
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Sebastião Firmiano
 

Gostei da sua bunda.

Sebastião Firmiano · São Paulo, SP 30/1/2007 19:42
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Antonio Rezende
 

Hehe! Que é isso, Firmino?! A bunda não é minha, mas do Carlos Vieira. Ou melhor... a foto é que é dele. A bunda mesmo eu não sei de quem é não. Meu aqui é só o texto, camarada!

Antonio Rezende · Palmas, TO 30/1/2007 21:19
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Letícia Lins
 

É...A bunda.
Lendo seu texto pude lembrar algumas situações hilárias e também das pessoas com os tais apelidos.
Você escreveu alguns apelidos que eu não conhecia ainda, achei que faltou a parte boa da famosa bunda brasileira, conseguindo ser mais popular nessa época de carnaval.

Letícia Lins · São Bernardo do Campo, SP 1/2/2007 09:05
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Carlos ETC
 

Assunto profundamente cômico!
Legal, Rezende!

Carlos ETC · Salvador, BA 2/2/2007 11:22
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eduardo ferreira
 

salve a bunda!

enquanto a banda tocava
a bunda passava...

eduardo ferreira · Cuiabá, MT 2/2/2007 14:06
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Tom Damatta
 

Esta faz o maior sucesso nas praias tupiniquins. No carnaval, bem bronzeadas, invadem as passarelas. Boa crônica, Rezende!

Tom Damatta · Araguaína, TO 2/2/2007 18:05
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geuvar
 

Poxa, vc. sempre com muito bom gosto, gostei mesmo. Aí, nasceu minha filha!!!!! Linda!!!!!!

geuvar · Palmas, TO 5/2/2007 11:46
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Cida Almeida
 

Achei hoje, por acaso, o seu texto sobre a bunda. Dois comentários: bestar era uma das coisas de que Manuel Bandeira mais gostava; e a imagem mais terna em literatura que vi sobre a bunda é do livro Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos (aquele que dava voz e alma a bichos e coisas mortas ao ponto de nos fazer chorar copiosamente), quando o Portuga repreende o Zezinho por falar a palavra bunda, explicando que o correto seria nádegas. Na sequência, ao narrar a surra que levou do pai, disse que ele havia lhe batido 'nas nádegas da bunda". Achei maravilhoso esse "as nádegas da bunda". Bonita foto!

Cida Almeida · Goiânia, GO 6/2/2007 14:56
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Antonio Rezende
 

Pois é, gente... só agora pude mesmo pôr a minha bunda magra na cadeira pra ver e retribuir os comentários.

Concordo contigo, Letícia... não explorei a "parte boa da famosa bunda brasileira". Este seria um mote para um próximo texto?

Tá certo, Carlos ECT. O assunto é cômico. Este seu "profundamente" é que pode dar o que falar, sobretudo por conta do "salve a bunda!" do Eduardo.

O quê? Não quis dizer a do próprio, mas a expressão usada por ele. Não me comprometam!

Já que ele falou em banda, vale lembrar que a bunda tem duas bandas. Isso, aliás, nos faz lembrar do velho ditado. Sim, aquele mesmo que diz que a bunda é mais importante que a banda em se tratando de barulho. é isso mesmo. A banda tem duas bandas em um ... (êpa!) junto. Meio mundo conhece o tal adágio.

Antonio Rezende · Palmas, TO 6/2/2007 16:38
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Antonio Rezende
 

Na verdade, eu quis dizer que a bunda tem duas bandas E UM cu junto (conjunto). Hehe.

Grande, Tom. Com essa máquina poderosa e o lero sobre praia e carnaval, bem que você poderia nos presentear com uns registros delas. Praia no Garimpinho tem de sobra e o carnaval está chegando.

Salve, Geuvar! Que bom que tudo foi bem e agora tem gente nova na casa. Sacana, hã?! Quero é saber o dia do "mijo", camarada. Se já rolou e não fui convidado, nem venha me convidar para fazer as fotos dela vestida e peladinha, de bunda pra baixo e pra cima.
Aguenta, cabra, que bunda de criança não tem dessas frescuras de hora pra isso ou aquilo. Hehe.

Ah, Cida... não me perdôo por até hoje não ter lido o livro. Aliás, você me deu uma ótima dica de leitura. "Nas nádegas da bunda" é maravilhoso mas rebumdante, ou melhor... redundante.

Por último, deixo um lembrete. Deletaram o blog (BESTAGENS) que pus lá no início do texto, num link.

Antonio Rezende · Palmas, TO 6/2/2007 16:54
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Osvaldo
 

Muito bom, Rezende!!!
Porém faltou a referencia musical: PANDEIRO

Abraços!!!

Osvaldo · Olinda, PE 13/2/2007 12:39
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brigitte
 

Texto divertido,ótimo!
E haja bunda para todo gosto!

brigitte · Goiânia, GO 13/2/2007 21:02
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brigitte
 

Um dito popular : de uma bunda murcha, não sai um pum alegre!
Abraços!

brigitte · Goiânia, GO 13/2/2007 21:04
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Ana Cullen
 

Grande Rezende! Um pouco de leveza e brincadeira não tira a qualidade do texto... adoro divagar sobre palavras, origens e tal...
Ficou bacana o texto!
Abraços!

Ana Cullen · Brasília, DF 15/2/2007 13:46
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Zéduardo Calegari Paulino
 

Assunto de extrema importância, já que sentamos nele todo dia.
Uma contribuição: a palavra bunda vem da língua banto mbunda, que significa traseiro. Origem da época negra da escravatura no Brasil.
Sendo assim, sacaneamos o povo da África não, nós os elogiamos assimilando essa bela palavra que dá incrível plasticidade ao imaginário de nosso derriére.
Bom trabalho, Rezende!

Zéduardo Calegari Paulino · Campo Grande, MS 25/2/2007 16:51
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Fabio Campos
 

Legal o texto!

Fabio Campos · Rio de Janeiro, RJ 27/2/2007 02:33
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Antonio Rezende
 

Taí, Osvaldo... função musical. Mas PANDEIRO? Sabia que geralmente a gente faz percussão improvisada usando a coxa, a barriga e até o peito. Agoa mesmo experimentei que a bunda também dá batucada.

Brigitte... sobre seu ditado envolvendo bunda murcha e "alívio" há controvérsias.

Antonio Rezende · Palmas, TO 27/2/2007 09:05
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Antonio Rezende
 

Ana Cullen... isso de viajar sobre termos, seus significados e origens é mesmo interessante.

Zéduardo... gostei da informação sobre a origem do termo.

Fábio Campos... valeu por registrar que gostou do texto.

E viva a bunda e a infinidade de viagens em prosa que dela abunda.

Antonio Rezende · Palmas, TO 27/2/2007 09:12
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brigitte
 

O dito popular é metafórico.Bem explicado. Pessoas pessimistas não deixam bons fluidos.

brigitte · Goiânia, GO 27/2/2007 09:22
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Antonio Rezende
 

E pensar que foto e poema foram capazes de mobilizar tanta gente. rsrs
Vim aqui propositalmente, gente. Para lembrar a quem viu o AH, A BUNDA que o texto sofreu umas pequnas mundancinhas, quando se sua publicação no site CLARAONLINE, onde também publico uns textículos, alias... uns textinhos.

Aproveitopara chamar a tenção de vocês também para umas MAGRELAS DOIDONAS, publicado aqui no OverM.

O quê?! Se usei da artimanha de revistar o texto para deiar uns pegas para leitores e levá-los a publicação das magrelas. Que é isso, gente?! Nem quero imaginar que vocês tenham pensado isso de mim.

Já disse que invento e até aumento, mas não escondo nada.

Antonio Rezende · Palmas, TO 2/12/2007 07:55
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Renato de Mattos Motta
 

Pelo que eu sei, dito por um importante professor de história no tempo de cursinho, os bundos eram uma etnia africana das que mais contribuiram com mão-de-obra para a construção deste Brasil varonil, sendo que uma das principais características genéticas desta etnia eram os glúteos muito protuberantes. Assim a palavra - de origem africana - é usada com esta acepção apenas no Brasil, sendo que em Portugal ao conjunto todo dá-se aquela mesmo nome monossilábico de duas letras aqui usado para designar ânus e que rima tanto com o pronome pessoal da segunda pessoa do singular e, quando eles querem referir-se apenas ao próprio orifício costumam referir-se ap olho do referido monossílabo.
Aliás em Portugal existem outras características lingüísticas que diferem muito do português falado no Brasil como por exemplo para designar o nosso termo injeção eles usam um termo semelhante à nossa "picada", porém sem a sílaba final. Imaginam então como se diz em Portugal "tomar uma injeção na bunda"? Pode render um tramendo quiprocó por aqui!

Renato de Mattos Motta · Porto Alegre, RS 26/7/2008 22:12
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Renato de Mattos Motta
 

Pelo que eu sei, dito por um importante professor de história no tempo de cursinho, os bundos eram uma etnia africana das que mais contribuiram com mão-de-obra para a construção deste Brasil varonil, sendo que uma das principais características genéticas desta etnia eram os glúteos muito protuberantes. Assim a palavra - de origem africana - é usada com esta acepção apenas no Brasil, sendo que em Portugal ao conjunto todo dá-se aquela mesmo nome monossilábico de duas letras aqui usado para designar ânus e que rima tanto com o pronome pessoal da segunda pessoa do singular e, quando eles querem referir-se apenas ao próprio orifício costumam referir-se ap olho do referido monossílabo.
Aliás em Portugal existem outras características lingüísticas que diferem muito do português falado no Brasil como por exemplo para designar o nosso termo injeção eles usam um termo semelhante à nossa "picada", porém sem a sílaba final. Imaginam então como se diz em Portugal "tomar uma injeção na bunda"? Pode render um tremendo quiprocó por aqui!

Renato de Mattos Motta · Porto Alegre, RS 26/7/2008 22:12
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